Categoria: Carreira

  • As melhores profissões para o futuro

    “Não acredito no futuro de carreiras fechadas”

     

    Quando iniciei a minha faculdade de engenharia química, em 1990, havia quatro engenharias clássicas (mecânica, elétrica, civil e química) e algumas “nascendo” (produção, alimentos, entre outras). Mas as clássicas eram as clássicas. No total, creio que não passava de 100 o número total de denominações de cursos superiores no Brasil, divididos entre ciências humanas, exatas e biológicas. Quando concluí o meu curso, já havia, só nas engenharias, 32 modalidades com 56 ênfases. Hoje, passam de 100. Surgiram engenharias como: petróleo, açucareira, genética, bioquímica e várias outras. Este processo não se deu apenas nas engenharias. Vários outros cursos engravidaram e pariram filhos com os mais diversos nomes, todos no caminho de uma especialização e um foco maior em alguma área de conhecimento.

    Não tenho nada contra o termo “especialização”, muito pelo contrário. Na medicina, por exemplo, isso é fundamental. Eu não gostaria de ser tratado de um problema sério no pulmão por um clínico geral. Nem você, concorda? Nesta área, sempre buscamos o maior especialista no assunto. Em outra carreira clássica, Direito, a especialização também é fundamental para uma carreira de sucesso. Mas Medicina e Direito são, na minha visão, as duas únicas carreiras que devem continuar com essa demanda de especialistas. Nas demais, creio que a conversa será outra.

    Desde 2009 bebo na fonte das tendências e gestão da inovação. O meu sócio e amigo Luis Rasquilha, hoje um dos caras que mais entende de futuro e inovação no mundo, desenvolveu um estudo chamado “o futuro das carreiras e as carreiras do futuro” e ministra palestras sobre o tema. Já o assisti falando sobre isso pelo menos cinco vezes. E a cada vez saio mais incomodado. Nesse estudo ele apresenta as 50 profissões do futuro. Veja, não estou falando de cursos do futuro, mas sim de carreiras do futuro. A pergunta que faço a mim mesmo ao final é sempre a mesma: “Que curso superior existe hoje que pode formar um profissional para fazer isso?”. A resposta é assustadora: quase nenhum. Mas saio sempre com algo a mais na cabeça: Uma convicção quase religiosa de que um profissional para lidar com essas demandas e oportunidades de carreira não pode ser um especialista, mas sim um generalista.

    Essa discussão é boa, longa e polêmica. É melhor ser um especialista ou um generalista? No caso de Medicina e Direito já dei a minha opinião. Nas demais carreiras, vou fazê-la agora, sem muitos preâmbulos.

    Quando olho para as tendências mapeadas para os próximos 20-30 anos, conhecimento que hoje tenho acesso fácil e contato frequente, entendo claramente que muitos produtos, serviços, negócios e, por consequência, demanda por profissionais, ainda não foram sequer inventados. Talvez mais de 50% das coisas que vamos comprar, das empresas que vão existir e das atividades profissionais ainda não foram inventadas. E quem chega a essa conclusão constrói rapidamente uma convicção: “Por que vou me especializar em algo se não tenho certeza que isso vai existir no futuro?”. O açúcar, como conhecemos hoje, vai existir no futuro? A fonte de energia do futuro será o petróleo? Se isso tudo virar peça de museu, o que acontecerá com alguém formado em engenharia açucareira ou de petróleo? Obviamente esses profissionais não vão morrer, mas terão que desenvolver novos conhecimentos e mudar de área. Isso não é o fim do mundo, mas vai dar muito trabalho.

    O tema é longo e o espaço limitado. Portanto quero deixar apenas uma reflexão e uma provocação para que você pense no assunto, busque mais informações e tire suas conclusões. Mas a minha visão é muito clara sobre isso. Acho que, no futuro, a competência mais demandada será a que chamo de “capacidade de aprender a aprender”. Ou seja, como as mudanças virão cada vez mais disruptivas, sobreviverá e crescerá aquele profissional que for um bom generalista e que possa transitar por várias carreiras e profissões quando surgir uma nova oportunidade, aprendendo rapidamente o que tiver que ser aprendido. Nesse sentido, a minha recomendação é que se busque profissões cada vez mais amplas e menos especializadoras. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Programa de Estágio CPFL 2016: inscrições abertas!

    A CPFL Energia e a Feeta RH convidam os estudantes com formação em cursos superior ou técnico com conclusão entre dezembro de 2016 e 2017 para participar do processo seletivo do Programa de Estágio CPFL 2016. As inscrições seguem até o dia 20 de setembro e os interessados devem ter disponibilidade para estagiar 18, 20, 24 ou 30 horas semanais.

    Há disponibilidade de vagas nas regiões de Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, Bauru, Santos, Jaguariuna, S. J. do Rio Pardo, Itapetininga, Piraju, S. J. do Rio Preto, Jundiaí, Mococa e São Paulo, tanto para nível técnico quanto para superior.

    De acordo com a empresa, há 102 anos no ramo do setor elétrico, o objetivo do seu programa de estágio é agregar à equipe força jovem de trabalho, com alto grau de capacitação, e preparar profissionais para a concretização da estratégia de renovação organizacional.

    A CPFL destaca ainda a troca de experiência e de conhecimento teórico entre estudantes e profissionais que o programa de estágio propicia, contribuindo para a inovação empresarial e preparação de novos profissionais. Além desses benefícios, o índice de efetivação dos estagiários do Grupo CPFL é de 22%.

    Saiba mais e inscreva-se!

     

    Fonte: http://www.feeta.com.br/blog-feeta-rh

  • O que uma crise nos ensina

    “Na alegria ou na dor, aprendizado”

     O assunto do dia (e da noite) é a crise econômica pela qual passamos. Os mais esclarecidos sabem porque o Brasil entrou nessa crise e o que precisa fazer para sair dela. Mas a receita é dolorosa. O fundo do poço ainda não chegou e ainda vamos sofrer um pouco mais. Lamentavelmente, os responsáveis pela situação atual do país não assumem seus erros e insistem que trata-se de um fenômeno global, o que é uma grande mentira. Decisões erradas nos trouxeram até aqui e ponto. Mas esse não é foco da minha conversa de hoje. Quero levar a reflexão para outro lado – o que uma crise nos ensina. Você conhece aquele ditado que diz “já que só tenho limão, vou fazer uma limonada”? Pois bem, já que a crise está aí, o que podemos aprender com ela?

    Recentemente, eu dava uma entrevista para uma rádio em Campinas e o tema era “a crise e a sua gestão financeira pessoal”. Nesta ocasião, fiz questão de começar a conversa dizendo que crises sempre existiram e sempre irão existir. Quem não se lembra de todas as crises que passamos no Brasil nos últimos 25 anos? Não foram poucas. O ponto principal é que nunca (ou quase nunca) sabemos quando ela vai começar e quando vai terminar. Além disso, fiz uma síntese que, para mim, faz todo sentido: “Qualquer crise, quando chega, encontra preparados e despreparados”. Essa é uma realidade inegável. Há pessoas que sofrem mais e há pessoas que sofrem menos durante uma crise. O tamanho da dor depende do quão preparado você está para enfrentar momentos difíceis.

    Em outra reunião recente com líderes empresariais da RMC – Região Metropolitana de Campinas, discutíamos o que cada empresa estava fazendo para minimizar os efeitos da crise econômica. Um deles saiu com uma metáfora fantástica e disse que estava concentrado, naquele momento e na sua empresa, em descobrir ativos inertes. A explicação do que significa “ativos inertes” foi fantástica. Segundo ele, e com toda razão, durante as vacas gordas, poucos se preocupam em melhorar a produtividade, buscar reduções de custos e serem mais eficazes na gestão. É na época de vacas magras que as pessoas, se forem provocadas e motivadas, conseguem usar mais e melhor a sua criatividade para buscar alternativas diferentes e ousadas. Essas pessoas e ideias, segundo ele, são os ativos inertes, ou seja, profissionais com ótimas ideias que brotam em época de maior dificuldade. Achei brilhante. É bem isso: na abundância somos mais displicentes. Na escassez, temos que nos virar para sobreviver, e sempre encontramos formas melhores de administrar recursos escassos.

     

    Portanto, ficam aqui, na minha modesta opinião, uma lista de lições e aprendizados devem estar na nossa mente neste momento:

     

    1. Crises sempre existiram e sempre vão existir. Não adianta achar que é o fim do mundo. Não é. Um dia ela acaba e começa outro momento de vacas gordas;
    2. Crises encontram preparados e despreparados. Nos momentos de abundância, nunca gaste tudo o que tem. Guarde sempre recursos para serem usados nestes momentos difíceis;
    3. Durante uma crise a melhor postura é a proatividade. Portanto, pare de ficar reclamando dela e faça algo de concreto. Busque formas inovadoras para ajudar a sua empresa a superar o momento;
    4. Chame a sua equipe para a responsabilidade. Seja transparente com as pessoas, por pior que seja a situação, e motive todos a ajudarem a buscar soluções que melhorem os resultados da empresa;
    5. Avalie de perto a postura de cada pessoa da sua equipe. Uma crise é um ótimo momento para conhecer quem é quem de fato. Há pessoas que crescem e mostram competências fantásticas durante um momento difícil, enquanto há outros que só entregam bons resultados quando a maré está a favor;
    6. Fique mais perto da sua equipe. Converse mais, motive mais – tudo isso olho no olho. Reduza a quantidade de e-mails e comunicações impessoais. Durante uma crise, as pessoas precisam de união, apoio e proximidade, não de e-mails e mensagens de Whatsapp.

     

     

    É isso. A crise vai passar. Pode demorar um pouco, mas vai passar. Enquanto ela não acaba, faça uma coisa nobre – aprenda com ela! Até o próximo.

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Consciência e Coerência

    “Duas virtudes raras atualmente”

     

    Nessa semana, tive a oportunidade de fazer duas palestras, tratando de dois temas que amo e que têm uma forte relevância para a vida das pessoas. A primeira foi sobre “Corpo e carreira”, onde compartilhei a minha experiência pessoal e meus conhecimentos sobre os efeitos de uma boa saúde no trabalho, em prol da criatividade e produtividade. Com um grupo de executivos de uma empresa parceira da Inova Business School, fiz uma rápida apresentação e depois debatemos o assunto por quase uma hora. A segunda foi sobre “Finanças pessoais”, desta vez para colaboradores do grupo que trabalho. Mais uma vez, compartilhei a minha experiência, meus conhecimentos e ferramentas de gestão de finanças pessoais, tema que considero fundamental para qualquer pessoa e em qualquer momento da vida e da carreira. Mais uma vez, tivemos a oportunidade de debater e pude ouvir considerações, entender seus medos e desafios pessoais, principalmente no que diz respeito a mudanças de hábitos. Tanto quando se trata de saúde física quanto saúde financeira, todos são unânimes em concordar que é preciso fazer coisas, mudar hábitos, deixar de fazer coisas, incorporar novas posturas e atitudes. Mas é exatamente aí que o bicho pega. O abismo entre o que sabemos que precisa ser feito e o que realmente fazemos, tantas vezes, pode ser maior do que a distância da terra à lua. Ou seja, como acontece em várias outras dimensões, a coisa trava na execução.

    Essa questão sempre me provocou e continua me provocando. Como resolver isso? Como ajudar as pessoas a executarem aquilo que sabem que precisam fazer, mas não conseguem? Tenho certeza de que não sou o único incomodado. Nos cinco continentes devem existir pessoas que pensam nisso. Um cara, aliás, deu uma das maiores contribuições que já vi até hoje nesse tema. O nome dele é Charles Duhigg, que escreveu o livro “O poder do hábito”. Para mim, uma das melhores obras sobre comportamento humano e mudança de hábitos que já li até hoje e que recomendo para todos os meus alunos. Depois desse texto, o entendimento sobre como os hábitos (bons ou não) se desenvolvem e como mudá-los ficou bem mais claro. O desenvolvimento da chamada neurociência tem nos permitido compreender coisas e fenômenos nunca antes pensados.

    Mas quero deixar aqui outra singela contribuição para ajudar um pouco mais nessa questão. Na minha visão, qualquer problema só pode ser resolvido se antes for bem compreendido. Se não entendemos o problema, a solução não aparece. Se o compreendemos bem, fica mais fácil. Nas questões que tratei nessa semana (corpo e carreira e finanças pessoais), as minhas dicas mais importantes para aqueles que decidem começar a boa jornada de mudanças na gestão da sua saúde física e das suas finanças pessoais são: Primeiro, desenvolver uma consciência clara de que o futuro da nossa saúde e das nossas finanças pessoais dependem de decisões que tomamos hoje e diariamente. Essa consciência se consegue de forma muito simples. Basta analisar casos reais de pessoas que cultivaram hábitos e analisar seus resultados no curto, médio e longo prazos. Além disso, existem indicadores claros e mensuráveis de saúde física e financeira. Basta medi-los e analisá-los. Em segundo lugar, precisamos desenvolver uma coerência entre as nossas ações e os nossos discursos. Citei um caso de uma pessoa que cuidava da saúde física tão bem quanto um leão com fome cuidaria de um filhote de gazela. Pois bem, um belo dia, quando recebeu uma notícia péssima sobre a sua saúde, ficou surpreso e inconformado. Ou seja, uma incoerência tremenda, porque com os hábitos que tinha a última coisa que podia esperar que aquilo acabasse bem.

    Enfim, consciência e coerência – essas duas palavrinhas fazem milagres e transformam vidas. Ter clareza de onde estamos e como estamos, e depois elaborar um plano coerente com os nossos objetivos representam a chave do sucesso, não só na saúde e nas finanças pessoais, mas em tudo na vida. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • O que uma fábula escrita há mais de 2500 anos tem a ver com a crise?

    Ser pego de surpresa por uma crise não é nada bom. Mas sabendo que as crises são cíclicas, porque não nos preparamos para enfrenta-las?

    Sempre gostei de fábulas. E quanto mais o tempo passa, mais as admiro. E embora Esopo (diz-se que foi ele quem escreveu…) tenha idealizado uma ‘formiga’ batalhadora e previdente em contraponto a uma ‘cigarra’ inconsequente e hedonista em sua fábula “A Cigarra e a Formiga” há mais de 2500 anos, parece que me deparo com esses personagens o tempo todo ainda hoje.
    Para aqueles que não conhecem a fábula, sugiro que a leiam. Em resumo, sem a pretensão mínima de substituir o prazer da leitura original, posso dizer que a historieta narra a interação entre uma formiga que trabalha acumulando provisões para o inverno, e uma cigarra que passa o dia cantando e aproveitando a fartura de alimentos do verão. Ignorando os conselhos da sábia formiga sobre a necessidade de se preparar para os tempos de escassez, a cigarra se vê em apuros quando o inverno chega e ela não tem nenhum alimento guardado. Soa familiar?
    As crises são cíclicas. Isso é fato, e tanto quanto as estações do ano sucedem umas às outras, assim também se pode esperar por períodos de crise sucedendo os de crescimento econômico. Há, certamente, uma grande diferença: as estações do ano se comportam com períodos de tempo mais bem definidos…
    E o que podemos fazer a respeito? Podemos seguir o atualíssimo conselho da ‘formiga’ de Esopo e aplica-lo à nossa carreira:

    1 – Manter uma rede de contatos profissionais ativa e atualizada. Esse tema já não é novidade entre os artigos que temos escrito. Ainda assim, é importante que se dê atenção a isso mais que nunca. Tenho ouvido colegas dizendo que não têm tempo para Networking porque estão com bastante trabalho. Acho que se esquecem do inverno.

    2 – Autodesenvolvimento sempre. Sempre. Você pode ter certeza de que nunca sairá perdendo ao se autodesenvolver. Principalmente quando estiver em um ótimo emprego, com a carreira deslanchando, com os objetivos profissionais cada vez mais próximos da realização. E eu não me refiro à atualização natural em sua área de conhecimento… isso é básico. Aponto a necessidade de progredir em novas competências que possam adicionar à sua bagagem possibilidades de novas conquistas.

    3 – Bom gerenciamento da vida financeira. Ficar refém de um emprego ou carreira que não o satisfaçam pode ser o destino daqueles que não pensam em sua saúde financeira. E, o mais triste disso, é que, se realmente se desligarem do emprego atual, enfrentarão sérios problemas com a falta de dinheiro… e poderão acabar por aceitar qualquer oportunidade de trabalho, ainda que muito distantes de seus objetivos. A boa formiga faria provisão de dinheiro.

    4 – Cuide de sua saúde, tendo saúde. Aqui também vale o mesmo princípio. Manter uma vida saudável, cuidando preventivamente de sua saúde, fará com que passe por eventuais crises em condições muito mais favoráveis. Estoque de saúde.

    5 – Equilíbrio em todos os sentidos. Investir nas demais áreas de sua vida (pessoal, familiar, social, espiritual, etc.) é importantíssimo em todos os casos. Trata-se de uma provisão que o ajudará em todos os momentos de crise de carreira. O livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes (um clássico que sempre recomendo) é um ótimo guia para quem deseja equilibrar as diversas áreas de sua vida.

    Que tal construirmos novas histórias?

    Abraço, e sucesso!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

  • Quem dará referências suas no futuro

    “Você sabe quem será consultado para dar referências sobre você?”

     

    Todos nós estamos assistindo de perto a revolução digital que está em curso. A conectividade é total e a internet é um mundo cheio de surpresas, boas e ruins. Hoje achamos o que queremos em um clique e encontramos pessoas na velocidade da luz. Nas minhas redes sociais, consegui encontrar amigos de infância e de tempos de faculdade que jamais encontraria sem o poder das redes sociais. Além da conectividade, a rede tem proporcionado visibilidade a pessoas, produtos e ideias que não seria possível pelos meios off-line.

    O problema é que, como diz Shakespeare “Há algo de podre no reino da Dinamarca“.  Tudo isso tem também tem o seu lado ruim. O mesmo fio que dissemina o bem, dissemina o mal. Mas isso faz parte da vida e o saldo, apesar de tudo, é muito positivo.

    Para assuntos ligados a carreira, a revolução também é enorme. Para quem procura um emprego, a rede está cheia de informações e oportunidades. Sites de emprego, fóruns de discussões, chats, empresas divulgando vagas nas redes sociais, empresas de recrutamento com módulos de cadastro de currículos de forma parametrizada e por aí vai. Isso sem falar das pesquisas que um candidato pode fazer sobre as empresas que tem em mente, às vezes com informações passadas pelos próprios funcionários da empresa, como é o caso do site lovemondays.com.br, que reúne informações sobre salários.

    Já para quem contrata, o terreno também é fértil. Não faltam informações sobre um candidato que está sendo avaliado por uma empresa. Eu mesmo, quando recebo um currículo e acho interessante, a primeira coisa que faço é digitar o nome da pessoa (entre aspas) no google. Você já fez esse teste? Faça. Depois, entro no Facebook e LinkedIn e procuro o perfil da pessoa. Com esses três pequenos passos, já dá para saber muito. Já ratifiquei e chamei para entrevista pessoas após essa análise e também já descartei o currículo imediatamente após ver algo imperdoável em uma rede social do profissional.

    Recentemente, estava conversando com um colega, diretor de uma grande empresa de recrutamento. Falávamos desse assunto e sobre perfis de currículos. Nessa conversa, descobri algo muito interessante e que compartilho aqui. Ele me disse que o algoritmo (software de pesquisa) que a sua empresa usa para avaliar um currículo cadastrado no site e que levanta mais informações sobre um candidato está tão, mas tão sofisticado, que consegue preparar uma lista de pessoas para consultas sobre o profissional em questão. Explicando melhor, quando você cadastra o seu currículo em um site de empresa de recrutamento, um software varre a internet, as redes sociais e o próprio banco de dados da empresa, e descobre outras pessoas (nome e telefone) que trabalharam com você como pares, superiores ou subordinados em empresas anteriores, bem como fornecedores e parceiros de negócio. Dessa forma, eles têm uma lista de contatos que usam para pedir referências profissionais. Nessa conversa, ele até brincou dizendo que aquela lista de três a cinco pessoas que alguns colocam em seus currículos como referências profissionais só serve para uma coisa: lixo. Segundo ele, esses nomes foram escolhidos porque possuem uma tendência a falarem bem sobre o candidato e eles querem conversar com pessoas que estão fora dessa lista. Interessante, não acha? Esse é o mundo digital e conectado.

    Portanto, mais uma vez reforço aqui um ponto que já tratei em um artigo chamado “o mundo dá voltas”. Cuide bem dos seus relacionamentos. Construa relações ganha-ganha. Não trate mal ou queira ferrar com seus fornecedores ou parceiros. Além de isso não ser correto, as pessoas com as quais você convive hoje serão aquelas que serão consultadas no futuro para darem referências sobre você.

    Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • O (mau) exemplo contamina

    “Exemplo ruim também cria uma legião de seguidores”

     

    Nesta semana, ao entrar no vestiário da academia após meu treino, ouvi algo que, além de revoltante,  me fez pensar muito e escrever este texto. Enquanto abria o meu armário para pegar minha mochila, um outro aluno da academia falava em voz alta ao telefone: – Isso, vamos em frente e tentar fechar o negócio nessa semana. A construtora topa parar R$ 4 milhões. R$ 2 milhões fica com o dono do terreno, R$ 1 milhão para o fiscal da prefeitura que vai agilizar o trampo e R$ 1 milhão para nós. O terreno é ótimo. Com essa grana para o fiscal, o projeto vai rolar. Te ligo depois. Tchau!

    Não fui o único que ouviu a conversa. Pelo menos mais dois colegas estavam também trocando de roupa para treinar e ouviam com cara que quem não estava prestando atenção, mas se alguém tivesse filmado a cena, veria que as caras de incômodo eram generalizadas. Bom, o sujeito desligou o telefone, acabou de trocar de roupa e foi treinar.

    A primeira coisa que me veio à cabeça foi o nosso momento atual no Brasil. Corrupção que não acaba mais. Verdadeiros ladrões destruindo o patrimônio público e embolsando milhões e milhões. Políticos corruptos em todas as esferas, empresários corruptores, lobistas sem caráter e funcionários públicos usando a máquina para enriquecerem de forma ilícita. Há exceções? Claro que há, e não são poucas. Mas uma parcela significativa está fazendo farra com as inúmeras oportunidades que o Brasil oferece e gente mal caráter. Infelizmente, o nosso país é terreno fértil para safado se dar bem. Isso acontece por vários motivos, mas a raiz de tudo chama-se impunidade e todos sabemos disso. Porém existe um outro catalizador para este processo, chamado corretamente de “corrupção endêmica”, ou seja, algo que faz parte da nossa cultura e está em suas vísceras. Domina o Brasil de norte a sul. Este catalizador, na minha visão, é o exemplo que temos das nossas lideranças sendo seguido por (quase) todos. Não se abre uma página de jornal hoje sem uma notícia de alguém do alto escalão político, ou seja, as pessoas que foram escolhidas para defender o interesse público, fazendo algo errado. A quantidade de operações da polícia federal é tão grande que faltam nomes para batizá-las. Lava jato, Olho de boi, Gato de botas, Trem fantasma, Vitruviano e por aí vai.

    Já tratei muito aqui da questão do exemplo que vem de cima e que contamina, para o bem ou para o mal, filhos, profissionais nas empresas e pessoas em geral. Se as palavras convencem, os exemplos arrastam. Ao vermos quem admiramos fazendo isso ou aquilo, nos inspiramos a repetir. Da mesma forma, ao vermos alguém tirando proveito próprio em situações que deveriam defender os nossos interesses, nos revoltamos e dá uma vontade enorme de fazer o mesmo. Isso é humano. Tenho certeza de que na cabeça desse sujeito da academia deve imperar o seguinte raciocínio: – Se os caras lá estão roubando a Petrobras, a grana da merenda escolar e o dinheiro da construção de escolas e hospitais, por que eu tenho que ser o único certinho trouxa?  Você já ouviu isso de alguém? Eu já? O mal exemplo dá uma certa “legitimidade” para que outros façam o mesmo. O sentimento de culpa é zero.

    É triste, mas o exemplo que os nossos líderes nos dão hoje são, em sua maioria, péssimos e dignos de nojo. E estes estão criando uma legião de pessoas que, com a raciocínio acima, entram na dança e aumentam ainda mais o abismo que temos entre o hoje e uma sociedade moderna e justa.

    Nas empresas o filme é o mesmo. Nem sempre os líderes estão inspirando suas equipes com bons exemplos. Se você tem um único subordinado, deixo as seguintes perguntas para sua reflexão: – Que exemplos você está dando para sua equipe? Que atitudes suas estão ajudando a formar um clima de respeito, cordialidade, apoio mútuo e crescimento? Será que o seu discurso está batendo com as suas ações? Essas são boas questões para que cada um de nós, na empresa e na família, estejamos sempre atentos para não incorrermos no erro de ficarmos reclamando dos nossos políticos e cometendo o mesmo erro da demagogia e da total desconexão entre o que falamos e fazemos. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Síndrome de Gabriela

    “Eu nasci assim, eu cresci assim… vou ser sempre assim”

     

    Algumas coisas fazem parte de um passado tão distante que até estranhamos quando lembramos. Por exemplo, falar em escravidão hoje soa como algo bizarro, embora ainda se encontrem iniciativas nesse campo por aí. Lembrar que um dia a comunicação mais eficaz e rápida se dava por carta escrita é também surreal em tempos de comunicação instantânea.  Falando de carreira, hoje é inaceitável uma empresa fomentar assédio moral por parte de seus líderes, lembrando (mais uma vez) que ainda existem idiotas que humilham ou debocham de seus funcionários, pelo menos até irem parar em um tribunal. Enfim, a história se encarrega de deixar coisas para trás e criar novos padrões de comportamento, novas formas de se relacionar e novas atitudes que passam a ser demandas pela sociedade, empresas e pessoas.

    Quando colocamos a lupa nas competências comportamentais, há hoje uma delas que se tornou umticket para entrar no jogo. Ou seja, uma atitude indispensável para se viver e crescer profissionalmente. O nome dela é “Flexibilidade – capacidade de adaptação”. Quem tem, está no jogo. Quem não tem, ou muda de planeta ou vai ficar por aí perambulando sem chance alguma de crescer profissionalmente. Falar disso hoje é quase uma redundância, mas insisto em trazer este tema porque ainda ouço, com uma certa frequência, pessoas usarem frases do tipo: “Sempre fizemos assim” ou “Em time que está ganhando não se mexe”. Estas frases são tão, mas tão ultrapassadas, que chegam a ser o mais cruel termômetro de que uma pessoa morreu profissionalmente e só esqueceram de enterrar.

    Este início de século tem nos dado uma aula e mostrado ao mundo que sucesso passado não garante sucesso futuro. Que coisas que funcionam hoje podem matar a empresa amanhã. Nunca antes o olhar para o futuro foi tão determinante para o sucesso de uma pessoa ou de uma empresa. A velocidade com que o imprevisível chega e muda tudo é tão grande que pode transformar uma verdade absoluta e incontestável em uma mentira absurda, em muito pouco tempo. Ou seja, esse papo de “sempre foi assim” está ficando mais pré histórico do que um dinossauro.

    Mas sabemos que algumas coisas, para ganharem o seu devido lugar, precisam virar piada. Só assim alguns se tocam e passam a ter vergonha de se comportarem de forma ridícula. Na semana passada, em uma reunião com a minha colega de trabalho Karla Lacerda, aprendi um termo fantástico – a síndrome de Gabriela. Muitos conhecem a música de Dorival Caymmi, eternizada na voz de Gal Costa. Busque na internet e verá a letra completa. Mas o refrão, lindo na música e no contexto do filme, é a expressão do que falamos aqui, ou seja, colírio nos olhos dos dinossauros profissionais. “Eu nasci assim, eu cresci assim… vou ser sempre assim”. Por isso proponho este termo para começarmos a combater essa postura de “mula empacada” que ainda existe na cabeça de alguns. Pessoas que agem assim sofrem do mal chamado “síndrome de Gabriela”. Amei o termo! Conheço vários que esta doença. E você?

    Acho que devemos iniciar uma campanha nacional contra a epidemia “síndrome de Gabriela”. Vamos tentar ajudar as pessoas que ainda estão presas a este antigo paradigma e tentar fazê-las entender que o futuro nos reserva grandes desafios e que ainda nem são 100% conhecidos. Portanto precisamos entender que o novo é necessário e que não podemos nos prender a práticas antigas só porque funcionaram no passado. O futuro exige novas práticas, novas formas de trabalho, novas formas de se relacionar com pessoas, novas formas de enxergar o cliente, os parceiros e os colegas de trabalho. Quem não entender isso, morrerá aos poucos e merecerá ter escrito na sua lápide: “Aqui jaz alguém que morreu da síndrome de Gabriela”. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
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