Categoria: Carreira

  • Quer aumentar o seu salário? Saiba como…

    Quer aumentar o seu salário? Saiba como…

     

    Muitas vezes em minhas atividades como consultor ou docente universitário ouço a mesma pergunta: “como faço para ter um salário maior?”. Será mesmo que existe uma fórmula mágica?

    Na verdade, o salário depende de uma série de fatores e alguns não são controláveis pelo indivíduo. Por exemplo: em períodos de recessão, é comum que os salários de forma geral sejam menores, ou que haja estagnação.

    O que fazer, então, para ter uma melhor remuneração? A melhor resposta que encontrei para essa questão vem dos estudos de Estratégia Empresarial. Há uma teoria consolidada por Jay Barney, professor na universidade estadual de Ohio, Estados Unidos, que, com ligeiras adaptações, pode demonstrar como conquistar um salário melhor. Trata-se da teoria Visão Baseada em Recursos.

    Imagine que você esteja analisando o seu currículo. Ele revela uma série de recursos profissionais que você dispõe: experiência, fluência em línguas, disponibilidade para viagens, formação, etc. Para ter um salário maior, é necessário que você tenha recursos que obedeçam às seguintes condições:

    1)Sejam valiosos para o empregador.

    2)Sejam raros.

    3)Sejam difíceis de imitar.

    4)Sejam operacionalizáveis, isto é, que seja possível coloca-los em prática.

    Quanto mais seus recursos profissionais atenderem a esses critérios, maior será sua remuneração.

    Vou demonstrar através de um exemplo a utilização desses critérios. Suponha que você deseje acrescentar um recurso profissional ao seu currículo, e passe a estudar o  idioma Chinês/Mandarim, por exemplo.  Será mesmo uma boa ideia?

    Vamos analisa-la

    1) O idioma chinês é valioso para o empregador? Será, certamente, para empresas que tenham relações comerciais intensas com a China, ou multinacionais Chinesas;

    2) É raro? A fluência plena no idioma chinês pode ser considerada rara entre os brasileiros;

    3) É difícil de imitar? Certamente o aprendizado desse idioma exige dedicação, tempo e disciplina. É, realmente, difícil de imitar.

    4) É operacionalizável? Aqui vem uma ressalva. Pode ser que o emprego exija deslocamentos para o exterior, e você não possa atender a essa exigência. Se isso acontecer, passa a não ser operacionalizável.

    Ao atender às quatro condições, certamente seu perfil profissional será muito disputado no mercado.

    Sugestão: observe seus objetivos profissionais, e planeje seu desenvolvimento adquirindo competências (recursos) que atendam às quatro condições. Seu salário será muito maior.

    Abraço,

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas.

    www.propterdg.com.br

  • Foto x Filme

    Foto x Filme

     

    “Julgue sempre após assistir o filme. Nunca ao ver a foto”

    Todos nós sabemos a diferença entre uma foto e um filme. A foto é um retrato momentâneo, o registro de um único momento. Um flash minúsculo do que está acontecendo. Em um clique, é o que dá para se ver. Já no filme, há uma história, um contexto, uma continuidade de ações e fatos. Se você tirar uma foto da TV ou da tela do cinema durante um filme e mostrar para várias pessoas que não o assistiram, perguntando a sua opinião sobre o mesmo, verá que elas terão uma dificuldade enorme de avaliar. A razão é simples – com uma foto, dá para ver muito pouco (ou quase nada) de um filme. Não é à toa que, quando queremos registar bem uma viagem ou uma festa, tiramos várias fotos. Montamos um álbum e depois mostramos com prazer, contando a história do evento através de diversos registros de momentos. Com um álbum, dá para se ter uma ideia melhor do que houve, não é mesmo?

    Bom, esta semana estava conversando com uma colega e ela me contava que estava bastante decepcionada com um fato recente que acontecera na empresa. Este fato a fez se questionar se os rumos da empresa ou da gestão de pessoas era o que queria para si e para o seu futuro. O ocorrido, de fato, mostrava sinais de que a sua preocupação era absolutamente pertinente e compreensível. Mas, conhecendo bem o acontecido e o contexto em que ocorreu, eu disse que este parecia mais um fato isolado. Em outras palavras, tratava-se de uma fotografia e não do filme que estava passando ou por vir. Pedi que tivesse um pouco mais de paciência e que acompanhasse de perto as cenas dos próximos capítulos, porque sei bem o que está por vir nesta empresa e, conhecendo bem esta pessoa, o filme que virá é bastante interessante para ela, embora a foto que ela viu não fosse tão bonita.

    Na carreira e na vida, muitas vezes cometemos o erro de avaliar as coisas e as pessoas apenas por uma foto. É muito comum, ao conhecermos alguém, formarmos um juízo precipitado. Isso tem nome e sobrenome – preconceito. Quem não já conheceu alguém, fez um juízo rápido e depois mordeu a língua, para o bem ou para o mal? Quem já não descobriu com o tempo que uma pessoa que parecia (no primeiro contato) chata era na verdade alguém muito legal. E vice versa? Creio que todos os habitantes do planeta já fizeram algum tipo de prejulgamento equivocado, não acha?

    Nas empresas não é diferente. Às vezes julgamos coisas no ambiente profissional de forma muito precipitada. Sempre defendo que nada é mais revelador do que o tempo. Com o tempo, todas as máscaras caem, todos os projetos sem fundamento afundam e todas as pessoas mostram as suas reais competências e fragilidades. Portanto esta máxima de procurar sempre olhar o filme e não a foto, vale como nunca.

    Portanto, em períodos de mudança ou quando estiver conhecendo novas pessoas e novos processos, sempre procure enxergar além dos fatos, além das fotos. Se você ficar atento a isso, irá reduzir bastante a probabilidade de fazer julgamentos precipitados e depois morder a língua. Ou, pior, tomar uma decisão baseada em um fato isolado e depois chegar à conclusão de que aquilo era apenas um ponto fora da curva. Julgue mais os filmes e menos as fotos. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • O que o mercado espera de você

    O que o mercado espera de você

     

    “Conhecimento sem atitude é como uma Ferrari com motor de fusca”

    Há uma semana tive a honra de assistir uma palestra do meu amigo Ricardo Basaglia, Diretor da Michael Page, a maior empresa de recrutamento do Brasil. Nela, ele compartilhou um pouco da sua experiência e visão sobre as atuais e futuras demandas do mercado em relação a executivos. E vamos combinar uma coisa, se tem alguém que pode dar uma bela visão do que as empresas querem (e não querem) em termos de competências na hora de contratar alguém, é uma pessoa que vive diariamente recrutando profissionais para empresas.

    Durante a sua fala, ressaltou alguns pontos muito importantes com relação a currículos, educação continuada, fluência em inglês e competências. Uma frase, que embora não tenha soado para mim como novidade, em função dos meus oito anos de estudos sobre gestão de carreiras, chamou a atenção de todos que o ouviam. Ele citou uma pesquisa recente que apontou o seguinte dado: “90% das pessoas são contratadas por questões técnicas e demitidas por questões comportamentais”. Ou seja, na hora da contratação, as competências técnicas são preponderantes. Já na demissão, os motivos são comportamentais e não técnicos. Estranho? Não. Por mais que o número assuste, não há nada de estranho neste fato. Para entendê-lo melhor, vamos visitar os conceitos.

    Competências técnicas são os conhecimentos relativos à área de atuação de um profissional. Elas representam o “Saber”. Um bom dentista precisa saber aplicar uma anestesia, extrair uma cárie, restaurar um dente e assim por diante. Um gerente financeiro precisar saber avaliar a saúde financeira de uma empresa através de demonstrativos (balanço, DRE), precisa saber fazer um orçamento, calcular custo de dinheiro etc. Tudo isso, para cada profissão e cada cargo, aprende-se estudando e praticando. Quanto mais experiência, melhor. E as empresas querem sempre os melhores, tecnicamente falando, quando contratam. No currículo, a formação acadêmica, os cursos de atualização e a experiência profissional contam muito na hora da contratação. Ou seja, o conhecimento técnico é uma “promessa” de um bom trabalho.

    Competências comportamentais são os padrões de comportamento de uma pessoa. Elas representam o “Ser”, ou seja, as atitudes que um profissional tem no ambiente de trabalho e quando está representando a empresa e/ou a sua equipe. As principais competências comportamentais são: flexibilidade, equilíbrio emocional, relacionamento interpessoal, confiabilidade, ética, empatia e respeito à diversidade cultural. Estas sete competências comportamentais representam o motor deste carro chamado “profissional de sucesso”. São elas que conseguem transformar conhecimento em resultados. Sem elas, um profissional, por mais competente que seja tecnicamente, não consegue construir e gerenciar equipes de alto desempenho e, portanto, apresentar resultados continuamente acima da média.

    Por isso, sempre digo que precisamos entender um profissional de sucesso não apenas como alguém muito bom no que faz, mas alguém que consegue, através de um conjunto de atitudes e comportamentos, inspirar, alinhar e construir equipes de alto nível e desempenho. Nunca duvide disso. Não são somente linhas de cursos no currículo que vão determinar o futuro da sua carreira. Conhecimento é importante, mas sem as atitudes corretas, não passam de uma bela embalagem. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
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  • Cuidado com quem se autoelogia demais

    Cuidado com quem se autoelogia demais

     

    “Quem é bom faz mais e fala menos”

    Há duas semanas assisti uma palestra do professor Mário Sérgio Cortella. Eu o conheci há vinte anos, quando era trainee em uma empresa que o contratou para uma palestra durante a nossa primeira semana de treinamento. Depois de vinte anos, tive o prazer de ouvi-lo de novo. Levei meutablet e anotei algumas de suas frases. O tema era “Ética e vergonha na cara”, título do seu último livro. Da sua fala, a frase que mais gostei e que serviu de motivação para este artigo foi a seguinte: “Quem é grande, sabe que é pequeno e por isso cresce. Quem é pequeno, acha que é grande e por isso precisa diminuir os outros para crescer”. Leia três vezes e reflita um pouco. Na mesma hora que ouvi, várias pessoas me vieram à cabeça. Pessoas “grandes” e pessoas “pequenas”. Tenho certeza que o mesmo deve estar acontecendo com você neste momento.

    Ao longo da minha carreira e desses últimos 25 anos de estrada profissional conheci muita gente. Muitos amigos, alguns inimigos e muitas, muitas histórias. Conheci muita gente do bem, muita gente do mal, muita gente competente e muita gente incompetente. Coincidência ou não (acho que não), os piores profissionais e as piores pessoas que conheci tinham um hábito em comum – o de falar bem de si próprias.  Na maioria dos casos, elas se referiam sempre a conquistas do passado usando a primeira pessoa do singular. “Eu fiz”, “Eu consegui”, “Eu realizei”. Raramente, mesmo em casos de projetos que claramente foram desenvolvidos em equipe, usam um “nós fizemos”. Este perfil, quando fala do presente, também se coloca acima de tudo. Segue usando primeira pessoa do singular e sempre se colocando como o (único) pilar de um projeto, de uma área ou de uma empresa. Vaidade? Narcisismo? Medo? Insegurança? Não sei. O que sei é que esta espécie faz um mal danado a uma equipe e a uma empresa. Quando assume uma posição de liderança, então, salve-se quem puder. Não delega, não confia, não desenvolve pessoas, não dá feedback, não da crédito a quem merece e por aí vai. A lista de atitudes neste caminho é bem maior. Ah, e esqueci-me de uma coisa bem importante: Se acham insubstituíveis.

    Por outro lado, os melhores profissionais que conheci também tinham um hábito – falam pouco e fazem muito. Esta outra espécie sempre se coloca como parte de uma conquista, nunca como o único responsável. Não se acham grandes, insubstituíveis e, muito menos, brilhantes. Como diz Cortella, “sabem que são pequenos e por isso crescem”. Quando líderes de equipes, delegam, formam, compartilham conhecimento, ajudam, cobram resultados e premiam o mérito, não dão ouvidos para fofocas e se cercam sempre dos melhores. Enfim, produzem resultados para si, para a empresa e para as pessoas.

    Tenho sido um crítico feroz de empresas que permitem que pessoas da primeira espécie cresçam na hierarquia. Essas pessoas deviam ser demitidas, não promovidas. Mas por alguma razão este perfil anda povoando alguns cargos importantes em algumas empresas. Sei que, em alguns casos, as pessoas se transformam nisso após assumirem o poder. Tem até um ditado que diz: “Quer conhecer alguém, dê-lhe poder”. De fato alguns se transformam, mas creio que este traço de personalidade pode ser notado bem antes disso.

    Quando você for contratar um profissional, fique muito atento a este perfil. Muito cuidado ao contratar alguém que usa muito a primeira pessoa do singular e que se autoelogia muito. Muito cuidado…

     E se, infelizmente, você tiver um chefe que sofra dessa “doença”, lamento informar que você está com sérios problemas. Dependendo do caso, vá buscar outro ambiente onde este mal não exista ou esteja mais sob controle. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
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  • As mortes em Gaza e a sua carreira

    As mortes em Gaza e a sua carreira

     

    “De quem é a bala que mata?”

    Os balanços dos conflitos na faixa de Gaza são chocantes. O número de mortos aumenta a cada dia, principalmente, de civis inocentes. Escolas bombardeadas, idosos morrendo,  crianças sendo feridas sem nem sequer entender o porquê. Um verdadeiro absurdo em pleno século XXI. Aliás, olhando para determinadas posturas de pessoas e nações, sinto-me às vezes na idade média. É incrível como práticas tão antigas e ultrapassadas ainda reinam na cabeça de políticos, líderes e governantes. Triste e lamentável…

    Isso tudo me leva a pensar sobre o que faz com que essas coisas aconteçam – as causas. Obviamente os conflitos como este existem por diversas razões, inclusive religiosas. Mas, fundamentalmente a questão envolvida é a manutenção do poder. A posse da terra e velhas rixas ainda enchem aquele pequeno território de sangue que já se derramou em séculos de história. O fato é que determinadas disputas acabam envolvendo pessoas que nem sequer entendem suas razões.

    Ainda comovido com as mortes em Gaza, principalmente das crianças, fiquei pensando cá com meus botões sobre a responsabilidade por cada morte. Não só na responsabilidade direta, no caso, de quem deu o tiro ou apertou o botão para a bomba explodir. Mas também nas responsabilidades indiretas, como das pessoas que projetaram a arma, a bala ou o míssil. Esta é uma bela discussão. De quem é a responsabilidade pelo fato ou pelo acontece todos os dias em todas as latitudes? Ela pode ser imputada apenas aos envolvidos diretamente com o mesmo ou é de todos os que tiverem algum elo com quaisquer ocorridos?

    Por exemplo, recentemente foram descobertos diversos locais com “trabalho escravo” envolvendo bolivianos que costuravam para grandes grifes de roupas. Pessoas vivendo em situação deplorável e sendo usadas para produção de peças cada vez mais baratas. A marca que compra e revende estas peças tem responsabilidade ou não? Quem compra produto de procedência duvidosa (carga roubada ou contrabando) tem responsabilidade sobre o nível de violência da sua cidade ou não? Os fabricantes de refrigerante têm responsabilidade sobre a poluição de garrafas de plásticos que poluem rios e mares? Quem projetou a bala que matou uma criança em Gaza é responsável ou não? Quem se omite ou se cala diante de uma injustiça tem culpa? Esta é uma boa discussão. Qual é a sua opinião?

    Este tema é tão, mas tão complexo, que não dá nem para iniciar a conversa neste curto espaço, muito menos encerrar o tema. Mas creio que podemos (e devemos) refletir sobre esta chamada “responsabilidade indireta” sobre os fenômenos da vida e da carreira. O ser humano, por definição, tem a péssima mania de se apropriar das boas coisas e de terceirizar as ruins. É muito comum ouvir pessoas dizendo que a sua responsabilidade só vai até determinado ponto, principalmente quando o resultado final é ruim. Com certeza o cara que projetou o míssil vai dizer que o trabalho dele não tem nada a ver com isso. Ou pior, pode dizer que só cumpriu ordens e, portanto, não se sente culpado, como a imensa maioria dos comandantes que trabalharam com Hitler disseram no julgamento. “Não concordávamos em matar judeus, mas estávamos obedecendo ordens”. Nas empresas, quando o resultado final é ruim, vários dizem que a sua parte foi bem feita e que, portanto, não têm responsabilidade sobre o fracasso. Fácil, não é? Terceirizar responsabilidades é bem fácil.

    Fica aqui um convite para que você pense no assunto durante esta semana e forme o seu juízo. Na sua empresa ou departamento, qual é a sua responsabilidade sobre o resultado final? Qual é a sua responsabilidade quando você alimenta um boato ou fofocas e alguém é prejudicado com isso? Será que a sua responsabilidade começa e acaba somente nas suas tarefas?  Na minha humilde opinião, a nossa mão ajuda a construir ou destruir mais coisas do que conseguimos enxergar ou queremos assumir. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • As eleições, as redes sociais e a sua carreira

    As eleições, as redes sociais e a sua carreira

     

    “É melhor colocar as suas posições políticas nas urnas”

    A copa acabou. A ressaca já está passando e as atenções se voltam para as eleições. Um momento muito importante e que vai determinar os rumos do país nos próximos anos. Agora é pesquisa de opinião toda semana e em breve começa a propaganda na TV e no rádio. Especulações de todos os lados e alguns desavisados (ou descuidados) emitindo opiniões e se expondo desnecessariamente. O banco Santander que o diga. Deixou que uma carta fosse enviada a seus clientes indicando que a economia irá piorar se o governo atual for reeleito. Você deve ter visto na mídia a confusão que foi. O presidente mundial do banco teve que se explicar. Os envolvidos foram demitidos.  Agora imagine se o contrário acontecer e o governo atual for mantido no poder. Como você acha que pode dar o troco no banco? Dá até medo de pensar…

    Candidatos postos, planos de governo começando a serem apresentados e, como sempre, os ataques mútuos começaram. E a coisa promete esquentar bastante. Cada um com a sua artilharia pesada e seus dossiês prontos para serem expostos. A briga promete.

    Nas redes sociais, começo a ver o assunto aparecer, ainda que tímido. Notícias começam a ser compartilhadas nas páginas pessoais. Algumas, com comentários a favor deste ou daquele candidato ou endossando notícias de fontes duvidosas. Alguns mais “ousados” querendo pegar carona na popularidade de amigos do facebook para que suas opiniões tenham mais visibilidade. Na semana passada tive que bloquear uma pessoa que ficava publicando quase diariamente na minha página (e de outros professores que têm milhares de “amigos” no facebook) notícias a favor de um candidato. Cortei a amizade, bloqueei e ponto. Como regra de conduta nas redes sociais, não concordo com quem fica postando coisas nas páginas de outros com intenção de dar visibilidade ao tema. Ao descobrir que não poderia mais me usar como mídia, ele ainda me enviou uma mensagem “in box” dizendo que a minha atitude não era democrática e que eu deveria dar visibilidade para as suas opiniões, mesmo que não concordasse. Nem respondi.

    Outro fato me chamou a atenção na semana passada. Um ex-aluno, de aproximadamente 30 anos de idade, executivo de uma grande empresa e com a carreira em uma das fases mais decisivas. Pois bem, ele compartilhou uma notícia sobre uma acusação feita a um candidato e fez um comentário, endossando a notícia e ainda xingando o dito cujo, usando palavras que me recuso a repetir aqui. Bom, quero deixar claro que não sou contra a liberdade de expressão. Muito pelo contrário, acho que as redes sociais representam hoje um dos melhores espaços de debates e discussões e que esta eleição será fortemente impactada pelo que acontecer na web. Entretanto, não vejo como este tipo de posicionamento político possa ajudar na carreira. Este é o tipo de assunto, assim como religião, orientação sexual, entre outros, que deve ser debatido sim, mas de forma equilibrada e nos fóruns corretos. Compartilhar uma notícia, endossar a mesma sem ter 100% de certeza de que é verídica, e ainda xingar publicamente um candidato, não traz nada, absolutamente nada de bom para a imagem pessoal e profissional de ninguém.

    Esta é a minha visão. E deixo aqui um conselho aos meus leitores, alunos e ex-alunos – Muito cuidado ao emitir opiniões políticas nas redes sociais, principalmente quando desconhecer o assunto ou não tiver 100% de certeza de que o fato é verídico. Nada de ficar compartilhando acusações, dossiês, xingamentos e coisas do gênero. Defenda suas posições políticas de forma equilibrada, nos fóruns corretos, preferencialmente em debates olho no olho e sem se expor ou correr o risco de expor a sua empresa ou seu departamento. As eleições vão passar. A sua carreira não. E não se esqueça que o melhor lugar para se posicionar e onde tudo será decidido é na urna, no dia da votação. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Líderes loucos – Empresas insalubres

    Líderes loucos – Empresas insalubres

     

    “Deveria haver uma lei para insalubridade mental”

    De acordo com a lei, é considerada atividade insalubre aquela em que o trabalhador é exposto a agentes nocivos à saúde acima dos limites tolerados pelo Ministério do Trabalho. Quem trabalha em ambientes insalubres recebe entre 10% e 40% de adicional de insalubridade sobre o seu salário, dependendo do grau (mínimo, médio ou máximo). As decisões judiciais são polêmicas, tanto em relação ao nível quanto à base de cálculo para se definir qual deve ser o valor a ser pago além do salário. Mas o fato é: Há ambientes que têm o potencial de deixar as pessoas doentes, como locais com muito pó, muito calor, produtos químicos etc.

    Pois bem, nunca, mas nunca mesmo, ouvi tantos relatos de bons profissionais, meus alunos e ex-alunos, sobre aberrações em ambientes de trabalho. Situações recorrentes de grosserias, falta de educação e decisões absurdas por parte de líderes de equipe, que transformam o ambiente em, literalmente, uma fábrica de loucos e de doentes.

    Juro que estou espantado e com uma enorme dificuldade de entender o que anda rolando na cabeça de alguns líderes de equipe e gestores de empresas. Os casos chegam a ser hilários, de tão absurdos.

    Uma ex-aluna me contou esta semana que acaba de pedir demissão, mesmo sem ter outro emprego em vista, porque um dos diretores da empresa, três níveis acima da sua posição, entrou na sala onde a equipe inteira trabalhava chamando todos de burros. Tudo isso porque um erro, que segundo ela nem era tão grave assim, foi cometido por uma única pessoa desta equipe. Todos foram chamados de burros, em voz alta. E o pior, esta não era a primeira vez que o louco dava esse show bizarro. Ela me disse que na hora sentiu vontade de levantar e mandá-lo para aquele lugar. Não o fez, mas decidiu que não iria mais se submeter a esse tipo de situação porque estava começando a adoecer com esta e outras situações na empresa. Nem vou contar o resto das histórias que ouvi desse maluco.

    Este é apenas um caso, entre muitos que têm chegado ao meu conhecimento, às vezes sem acreditar no que estou ouvindo. Vamos combinar uma coisa: Para alguém pedir demissão de uma empresa, mesmo sem ter outro emprego em vista, para ficar em casa, porque simplesmente está ficando doente onde trabalha, é porque a coisa está grave mesmo, concorda? Se fosse um caso ou outro, tudo bem. Mas juro, semanalmente um novo testemunho chega ao meu conhecimento. Tem algo muito estranho acontecendo. Alguém me explica?

    Não tenho feito pesquisas nesta área e não me sinto no direito de levantar uma tese aqui para explicar o fenômeno. O fato é que, mesmo em um cenário de quase pleno emprego, onde a disputa por profissionais qualificados está muito grande, há empresas que estão abrindo a porta e dizendo aos melhores talentos: “Vão embora porque isso aqui é uma fábrica de loucos!”. Será que alguém, em sã consciência, acha que as pessoas estão dispostas, só porque recebem um salário, a engolir sapos e serem tratadas como se fossem sacos de pancada? O pior é que sim. E não são poucos.

    A única solução você sabe qual é. Já falei aqui várias, várias vezes. As empresas, em sua grande maioria, estão errando muito na escolha dos seus líderes. Mais muito mesmo. A quantidade de gente despreparada, principalmente para gerenciar pessoas, em cargos de liderança é assustadora. Conheço vários e já convivi com vários. Pessoas que, na minha visão, deveriam ser exportadas para outro planeta. Verdadeiros loucos, tiranos e que não têm a menor noção do que é liderar uma equipe.

    Então, só me resta brincar com essa tragicomédia. Já que não querem resolver o problema na sua causa essencial, que é a escolha correta de pessoas para os cargos de liderança, que paguem um adicional de insalubridade para todos os funcionários que tenham chefes loucos, sem preparo e sem equilíbrio emocional. Que tal? Acho justo. Ah, no grau máximo (40%), é lógico. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS

  • A mentira e suas vontades

    A mentira e suas vontades

     

    “Mentiras têm vontade própria. Nunca duvide disso”

    Você já mentiu alguma vez na vida? Se a resposta (sincera) for não, só tenho uma coisa a dizer: Ou você acaba de mentir mais uma vez ou merece uma estátua em praça pública. Na boa, não acredito que alguém entre os 7 bilhões de habitantes deste planeta tenha esta virtude. Não seria correto afirmar que a mentira faz parte da vida de todos, mas não tenho problemas em afirmar que ela é uma tentação diária. Para alguns, até uma forma de proteção. Para outros, quase uma profissão. A mentira é uma entidade tão importante que ganhou até um dia no calendário (01 de abril). Você sabe qual é o dia da verdade? Não existe. E se existe, nem se fala.

    Pequenas mentiras, como responder que está tudo bem quando alguém nos pergunta se estamos com algum problema, ou dizer que gostamos de algo quando na verdade odiamos, mas simplesmente para não termos que explicar o porquê. Coisinhas bobas, mentirinhas bobas, que não fazem mal a ninguém. Que mal há nisso? Na verdade, existem mentiras e mentiras. Como quase tudo na vida, mentiras são relativas. Um amigo um dia me disse que “a mentira é necessária para o equilíbrio geral do planeta”. Segundo ele, “ela faz bem para algumas pessoas”.

    Sabe o que acho? A mentira merecia uma tese de doutorado. O tema é tão intrigante que o termo gerou filhos no dicionário da nossa língua. Já ouvi pessoas dizerem que não mentiram, apenas omitiram. Olha que bacana! Este é o primeiro filho legítimo da palavra mentira, na minha visão. “Omitir é uma coisa, mentir é outra”, dizem muitos. Será? Deixar a verdade escondida, por ação ou omissão, não é a mesma coisa? Desculpem-me os que pensam assim, mas aos olhos de quem está sem a verdade, é literalmente a mesma coisa. A omissão é apenas um atalho mais “elegante” para pessoas que querem privar outros da verdade. Por acaso o efeito final é diferente? Não. Literalmente, NÃO. Mentindo ou omitindo, você está privando alguém da verdade. Ponto final.

    Bom, estou tratando deste tema hoje porque recentemente mais uma mentira (ou omissão, como queira) bateu à minha porta e me convidou para um café. Já convivi com várias ao longo da minha carreira (e vida), na dimensão profissional, pessoal e qualquer outra que possa imaginar. Se eu tentar fazer as contas de quanta gente já mentiu para mim, vou precisar de um super computador para calcular. Algumas mentiras se mostraram rapidamente. Outras nem tanto. Já fui tão incompetente neste assunto que convivi com algumas mentiras por alguns anos. Mas todas, literalmente todas, as que foram direcionadas a mim, por sorte ou o que quer que seja, sempre se mostraram, mais cedo ou mais tarde. Obviamente, como você pode imaginar, a decepção, a raiva e o “chute na canela” do mentiroso foram proporcionais ao tamanho ou ao tempo que elas demoraram a se apresentar. No fim, as contas sempre são pagas. Não existe almoço de graça.

    Hoje tenho uma convicção quase religiosa sobre a mentira. Acredito que ela tem personalidade e vontade própria. Quase uma pessoa. Ela é orgulhosa, não admite ser escondida e adora palcos e aplausos.  Portanto está sempre desafiando o seu dono, que teima em deixá-la escondida e apagada. Mas ela é teimosa e não aceita isso. Fica 100% do tempo atenta às brechas que o seu dono deixa. Como um cachorro que quer ir para a rua e fica só de olho na porta, até abrir a fresta suficiente para sair em disparada. Assim é a mentira. Ela quer palco. Quer aparecer. Uns donos são mais eficientes e conseguem manter a desobediente presa por mais tempo. Outros, mais descuidados, nem tanto. Mas  ninguém, absolutamente ninguém, consegue mantê-la fora do palco para sempre. Ela sempre dará um jeito de se mostrar. Nas relações profissionais, então, nem se fala. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
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