Categoria: Carreira

  • A punição dos perfeitos

    A punição dos perfeitos

     

    “Feito é melhor que perfeito”

    Ainda em tempos de copa, as analogias e os exemplos que servem de lição para a vida real e para a carreira pipocam dos gramados. Como já disse antes, não sou muito fã de futebol, mas ando encantado com esta copa. Não pelo nível apresentado. Aliás, o que mais ouço falar é que o nível técnico está baixo e que não tem praticamente nenhuma equipe dando show de bola. Jogos truncados, recorde de prorrogações, zebras e equipes sem tradição dando um trabalhão às favoritas. Nunca a camisa e o passado pesaram tão pouco. Ninguém quer saber. Todos que estão ali vão pra cima, mesmo que do outro lado tenha uma seleção de ponta. Gigantes caíram na primeira fase e outros, acredito eu, vão cair nessa reta final se não ficarem espertos.

    Mas que lições são essas que urgem dos gramados? A primeira delas tratei no artigo anterior. Times que saíram na frente no placar, acharam que o jogo estava ganho, recuaram e dançaram. Levaram viradas nos últimos minutos e deram adeus à copa. Defendi que, em hipótese alguma, a gente deve perder a concentração no objetivo final, mesmo que este pareça muito próximo ou garantido. Não tem nada garantido até o final chegar de fato. O jogo só acaba quando termina, no futebol e na carreira.

    Hoje a lição que quero tratar é outra. Refiro-me ao peso que deve ser dado ao processo e ao resultado. Nesta copa, há times jogando melhor e times jogando pior. Ouvi vários comentários na TV e nas rodas de amigos sobre o time A ou B, que jogou muito melhor do que seus adversários mas que, ao final, perdeu o jogo e deixou a copa. Nas oitavas de final houve pelo menos três casos assim. A Argentina bateu a Suíça no finalzinho da prorrogação, depois de ter levado um sufoco em alguns momentos. Um lance isolado e pimba! Tchau Suíços. Uma injustiça, na visão de muitos. – A Suíça merecia ganhar! Mas não ganhou.

    Injustiça? Será? Bom, se voltarmos na história, até mesmo do futebol, não demoramos a concluir que o tempo trata de apagar algumas coisas e imortalizar outras. O time brasileiro que ganhou a copa de 1994 era um horror. Lembro-me muito bem. Eram críticas pesadíssimas, da imprensa, dos brasileiros, de todo mundo. Jogos feios, gols de canela, placares de 1 x 0 nos acréscimos etc. Era feio ver aquele time jogar. Eu não apostaria R$ 1,00 que seria campeão. Mas foi, aos trancos e barrancos, ganhando a final nos pênaltis. E hoje pouco se fala da qualidade limitada daquele time. O que importa é que botou mais uma estrela na nossa camisa e ponto. Afinal, um gol feio vale o mesmo de um gol bonito. Ser campeão ganhando de 1 x 0 ou de 10 x 0 é a mesma coisa.

    Portanto hoje quero deixar a seguinte reflexão para você e para a sua carreira: Será mesmo que temos que nos preocupar tanto com o processo ou devemos priorizar o resultado? É melhor buscar a perfeição em tudo, mesmo que demore mais, ou garantir o resultado sem ter tudo absolutamente perfeito? Uma boa questão, não acha? Creio que a dimensão do tempo ajuda a destravar esse nó. Hoje, mais do que nunca, o tempo tem sido o grande juiz. Quantas pessoas (ou empresas) que você conhece, por excesso de zelo com a perfeição, perderam o “timing” e ficaram para trás? Pare, pense e verá que esse filme pode ser visto com frequência. O mundo hoje está mais rápido e mais cruel com quem faz melhor, porém depois. É mais ou menos como no futebol. Ter um grande time e tentar dar espetáculo enche os olhos mas não garante vitórias. A Espanha que o diga. Daqui há alguns anos, ninguém vai se lembrar de quem jogou bonito ou feio, mas sim de quem levou a caneca para casa.

    Embora eu defenda que devamos sempre tentar fazer o melhor, hoje tenho ficado muito atento ao equilíbrio entre o processo e o resultado, entre o ideal e o possível, entre o feito e o perfeito. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Conflito de gerações

    Conflito de gerações

     

    “Antes de criticar, olhe-se no espelho”

    Um dos temas mais debatidos hoje no mundo empresarial é o conflito de gerações. Ouço críticas diárias de gestores e profissionais de recursos humanos a respeito dessa nova geração, apelidada de Geração Y, de Nativos digitais, e por aí vai. Para muitos, esta geração é um horror. São jovens que subvertem a hierarquia, são preguiçosos, rebeldes, erotizados e pervertidos, fazem tudo ao mesmo tempo, não são profundos em nada, escrevem errado, leem pouco,  abreviam tudo, não têm paciência para esperar nada e são poucos leais às empresas. Um Diretor de RH de uma grande empresa me confessou recentemente que está arrancando todos os cabelos da cabeça. Segundo ele, em 2013, um terço dos jovens de 18 a 25 anos que a empresa contratou pediu demissão no mesmo ano de 2013. “Não sei mais o que fazer para atrair e reter profissionais desta nova geração”. Enfim, o cenário de guerra está montado e a carnificina começou. Quem nasceu antes de 1980 tem tido muitas dificuldades de convivência com esta nova geração.

    Bom, quero começar esta conversa dizendo que conflito de gerações não é fato novo. Nunca foi. Desde o Velho Testamento, existem pessoas de diversas idades convivendo em um mesmo momento. Em qualquer época da história havia pessoas de 0 a 70 anos dividindo o mesmo espaço, seja na dimensão familiar, social ou profissional.  Aristóteles, em 284 a.c., já reclamava dos mais jovens e dizia que eles eram insuportáveis. O ponto principal, portanto, não é o conflito de gerações. Este barril de pólvora que temos hoje nas empresas acontece por outro motivo. O que muda radicalmente hoje é que, talvez, essa seja a primeira vez na história que uma geração tem mais acesso à informação do que a sua antecessora. Com a internet e a conectividade global, o que antes era de total poder dos mais velhos (informação) hoje está totalmente democratizada entre os mais jovens. Este “pequeno” detalhe muda tudo na relação entre gerações, porque posse de informação gera poder ou, pior, sensação de poder.

    Também discordo radicalmente de alguns adjetivos citados anteriormente. Vamos analisar alguns com mais calma. Sugiro para quem acha que esta geração é rebelde que reveja algumas fotos de Woodstock antes de fazer este juízo de valor. Quem considera esta geração erotizada e pervertida, lembro que a música que fez sucesso há 20 anos era a dança da boquinha da garrafa (para não citar outras atrocidades musicais da época!). Já, para quem acha que eles abreviam tudo, lembro que o termo “vc”, usado hoje nas redes sociais como abreviação de “você”, já se escreveu “Vossa mercê” e depois “Vosmecê”. Essa mania de abreviar, de obedecer à famosa lei do menor esforço, foram nossos avós, bisavós, portanto, vem de longe. Para quem acha que eles são rasos em tudo, converse com um adolescente que tem coleção de Cards de Pokémon e veja o nível de conhecimento que possuem sobre os personagens. Por fim, sugiro, para quem acha que esta geração não lê, que trate de conhecer o tamanho dos livros da série Harry Potter, Jogos Vorazes ou dos livros de John Green. Entre eles, “A culpa é das estrelas”, sucesso absoluto nas livrarias e nos cinemas.

    Ou seja, caro leitor, esta geração de nativos digitais, que hoje representa 50% da população ativa e que irá representar 80% até 2020, está sendo criticada de forma exagerada e equivocada. Esta geração é interessantíssima e tem muita coisa boa para oferecer às empresas. O que acontece é que a grande maioria insiste em só analisar os seus pontos fracos, mesmo tendo cometido “erros” igualmente questionáveis no passado. Esta geração tem competências muito úteis para as empresas, mas há de se saber engajá-los na causa. Eles são profundos sim, mas naquilo que lhes interessa. Buscam atalhos sim e querem que as coisas aconteçam rápido, e daí? Quem não quis igual na idade deles que atire a primeira pedra.

    O desafio hoje é maior do que simplesmente criticar. O desafio é criar um ambiente na empresa em que esta geração possa ser motivada e onde suas competências possam ser potencializadas. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Vitórias que na verdade são derrotas

    Vitórias que na verdade são derrotas

     

    “Pense duas vezes antes de entrar em algumas batalhas”

    Em 279 a.c. um Rei grego chamado Pirro entrou para a história. Ele e seu exército derrotaram os Romanos durante uma batalha conhecida como “Batalha de Ásculo”, em defesa de territórios que estes queriam dominar. Segundo relatos, esta batalha foi dura e acabou com uma vitória muito difícil por parte do exército de Pirro. Os Romanos perderam 6.000 homens e Pirro 3.500, incluindo muitos dos seus oficiais.  Ele venceu, mas perdeu grande parte da sua tropa, dos seus líderes e amigos. Sobraram tão poucos, mas tão poucos, que não havia sequer material humano para repor as perdas para as batalhas seguintes. O custo desta vitória foi tão alto que quase dizimou o seu exército. Do outro lado, os Romanos, mesmo derrotados, tinham homens de sobra para recompor suas tropas e se prepararem para a próxima batalha. No meio deste contexto, Pirro cunhou uma frase que entrou para a história. Ao ser parabenizado pela vitória por um de seus admiradores, ele disse: “Mais uma vitória como esta e eu estou perdido”.

    Esta frase cruzou séculos e até hoje é usada como reflexão sobre o real significado de vitória e derrota. Pirro ganhou, mas perdeu. Ganhou no curto prazo, mas perdeu no longo. Matou muitos, mas perdeu muitos. Ou seja, há vitórias que não valem a pena. Há batalhas que não merecem ser travadas, pois mesmo que vencidas, não trarão grandes benefícios no futuro e farão um estrago no presente.

    A nossa vida, tanto pessoal como profissional, é um festival de batalhas. Na guerra rumo ao sucesso profissional, temos que enfrentar diversos “inimigos”. Alguns claros e visíveis e outros nem tanto. Mas o fato é que também precisamos decidir, quase que diariamente, quais brigas valem a pena e quais não valem.

    Quando comecei a minha carreira, não diferente dos meus amigos contemporâneos, eu queria mudar o mundo (e as pessoas). Na minha primeira empresa entrei em uma guerra com um colega que estava tomando decisões erradas e que impactavam a minha equipe e os meus resultados. Briguei muito, discuti muito. No fim, mostrei que estava certo e acabei “vencendo”. Hoje, anos depois, olhando para o saldo dessa história, não sei se valeu a pena. Com o tempo, fui aprendendo que algumas guerras valem a pena e outras não. Por exemplo, querer mudar a cultura de uma empresa que tem anos (ou décadas) de mercado com determinadas práticas é querer mover uma montanha com um dedo. Não rola. Esqueça, a não ser que você esteja na posição de número 1 e que receba esta missão. Caso contrário, esqueça. Sempre digo aos meus alunos que se os seus valores estiverem em conflito com os da empresa ou com os do seu líder, pule fora o quanto antes. Não entre nessa briga, pois ela já está ganha, infelizmente pelo lado oposto.

    Assim como este, existem vários exemplos de batalhas que temos que travar ao longo da nossa vida profissional. Admiro pessoas ousadas e que entram em todas as guerras que aparecem pelo caminho, mas confesso que hoje penso que algumas devam ser deixadas de lado. Não por fraqueza ou comodismo, mas porque realmente não trarão benefícios que compensem o esforço e o desgaste. Aliás, acho muito mais inteligente quando um profissional abre mão de algo hoje porque enxerga que terá muito mais no futuro. Algumas pessoas não merecem mais de você do que a indiferença.

    Pense nisso ao longo desta semana. Será que você não está em algumas batalhas como a de Pirro? Para descobrir, apenas pare um pouco, deixe a emoção de lado e se pergunte: “O que realmente eu vou ganhar com isso, mesmo se vencer?”. Se a resposta for aguada ou se você chegar à conclusão de que está nessa por rancor, ódio ou ganância, só lhe digo uma coisa: “Pule fora. E já”. Pegue a energia que está colocando nisso e direcione para outras batalhas mais nobres e que vão lhe gerar mais resultados no médio e no longo prazo. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • O que fazer após virar gestor?

    O que fazer após virar gestor?

     

    “Quem não vira a chave, nunca será um bom gestor”

    O sonho de ser promovido a gestor rodeia a mente de uma grande maioria de profissionais que ocupam cargos técnicos ou de operação. Assumir uma posição de gerência ou coordenação e passar a ter uma equipe é um degrau almejado por muitos e visto como o primeiro passo para se ter uma carreira de sucesso. Mas este sonho pode se transformar em um pesadelo. E de fato, para muitos, os primeiros meses como gestor transforma-se em uma panela de pressão prestes a explodir.

    Conheço inúmeros casos de pessoas que, ao serem promovidas a um cargo de gestão, cometem alguns erros básicos e que, na maioria dos casos, comprometem o seu sucesso nesta nova etapa da carreira. Isso acontece, fundamentalmente, quando esta pessoa assume uma posição de gestão mas não abandona a postura de operação. Em outras palavras, quando não consegue fazer a transição entre ser um técnico e um gestor de pessoas. Este erro se materializa de algumas formas. A primeira delas é quando o novo gestor não consegue se afastar da operação e continua com o foco na operação, nos detalhes e no processo. Esta postura é compreensível, até porque ali está a sua área de conforto e conhecimento. Mas, ao não se afastar da operação, o novo gestor se torna naturalmente um centralizador. Não delega, muitas vezes porque não confia que o trabalho será bem feito, e gasta muito tempo nesta função, que não é mais a sua. A segunda manifestação se dá, em decorrência desta, quando não investe a maior parte do seu tempo e energia no desenvolvimento da equipe. E aí começa a ser enxergado como um líder fraco e ausente, porque não desenvolve a sua equipe, não pensa estrategicamente e não olha para o futuro.

    Esta ficha às vezes demora muito para cair. Já ouvi muitos relatos de profissionais que me disseram que, ao serem promovidos, descobriram que não estavam preparados para o novo desafio. Não sabiam exatamente quais eram as principais funções de um gestor e caíram ali quase de paraquedas. Se este fantasma lhe rodeia, fique tranquilo. A solução existe e não é tão complexa assim. Mas ela passa por uma decisão que tem que vir do fundo do coração e com muita convicção. Você quer mesmo deixar de ser um técnico e passar a ser um gestor? Está disposto a virar a chave e passar a ser mais um maestro do que um membro da orquestra? Se sim, siga algumas (ou todas) as dicas abaixo.

    Em primeiro lugar, mude a sua agenda. Desde o primeiro dia como gestor, passe a dedicar mais tempo às pessoas do que aos processos. Pegue a sua nova equipe, preferencialmente pessoa por pessoa, e dedique um tempo para conhecer melhor cada um. Procure conhecer seus liderados tanto na dimensão pessoal como na profissional. Competências, formação, histórico na empresa, sonhos, dúvidas, nível de comprometimento etc. Monte um mapa geral de como é o seu time e procure identificar os melhores talentos, as necessidades de treinamento, de recursos e de apoio. Lembre-se, como gestor, você deve atingir seus resultados “através” das pessoas. Portanto você deve se concentrar em montar e desenvolver o melhor time possível. Se tiver que promover trocas na equipe, faça sem piscar. Mas antes, tenha certeza do que tem na mão. E não tem outra forma de descobrir isso senão conhecendo cada um.

    Depois que esta fase inicial passar, resista a qualquer tentação de voltar a controlar demais a operação. Se sentir saudade das suas funções como técnico, tome um banho gelado até passar. Não volte a ser técnico. Concentre-se na sua equipe, no desenvolvimento contínuo, na atração e retenção de novos talentos e na cobrança de resultados. Desenvolva uma boa comunicação e mantenha-se focado no norte que a equipe deve seguir.

    Se quiser se aprofundar mais nestes dois temas (gestão de pessoas e liderança), me envie um email e encaminho uma série completa com 21 artigos já publicados aqui sobre estes dois pilares que devem dominar 80% da agenda de um gestor. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • O poder da Empatia – Caso prático

    O poder da Empatia – Caso prático

     

    “Empatia + Atenção = Encantamento”

    No último final de semana passei por uma situação inusitada. Não poderia deixar de relatar aqui e mostrar o poder de uma palavra que tenho frequentemente tratado neste espaço – a Empatia.

    Estava em um restaurante em Campos do Jordão. Era tarde e havíamos chegado de viagem, com uma baita fome. Sentamos e logo fomos atendidos por um simpático garçom. O salão estava cheio. Não havia quase nenhuma mesa vazia. Ele parecia cansado de tanto correr de lá para cá. Anotou o nosso pedido de bebidas e se foi, quase correndo. Quando trouxe as bebidas (sem demoras), fizemos o nosso pedido do jantar. Ao me ver degustar o vinho, logo perguntou: “Posso trazer umas lascas de queijo parmesão para o senhor? Com certeza vai gostar e, ainda, ajuda a enganar a fome enquanto a comida fica pronta.” Parece que o homem tinha lido meus pensamentos. Disse que sim e o sujeito logo saiu com pressa. Foi em um pé e voltou no outro, com a esperada entrada. Fiquei curioso em relação àquele garçom e continuei o observando. Percebi que, depois da sua primeira ação conosco, ele circulava absolutamente atento. Certa hora, viu que uma senhora não estava conseguindo levantar de uma mesa e foi o primeiro a oferecer ajuda, antes mesmo do provável marido que estava ao lado.

    Os pratos não tardaram a chegar. A minha massa estava maravilhosa e praticamente devorei a pequena porção de queijo ralado que estava na mesa. Antes mesmo de eu pedir um pouco mais, quem me chega? Ele, o bendito garçom! Com um sorriso na boca, disse: “Aqui está mais queijo ralado. Vi que senhor gosta.” Aquele homem era um santo! E um vidente também!

    Quando acabamos de comer, pedimos a conta. Havia sobre a mesa meia garrafa de vinho e um pequeno resto do parmesão que havia servido na entrada. Não tinha o menor perigo de eu deixar aquela garrafa para trás. Sempre levo o que sobra, sem nenhum pudor. Mais tarde, no hotel, daria um bom drinque antes de dormir. Quando menos esperei, ainda colocando a rolha na garrafa para levá-la, lá vem ele com mais uma. Desta vez, quase não acreditei. Ele chegou com uma pequena embalagem de isopor e disse: “Já que vai levar o vinho, trouxe aqui uma pequena embalagem para o senhor levar estas lascas de parmesão que sobraram. Dá um belo tira-gosto mais tarde quando for beber o vinho. O que acha?”

    Absolutamente encantado com o atendimento e com as iniciativas dele, agradeci e aceitei. Enquanto foi fechar a nossa conta, ficamos, eu e minha noiva, comentando os fatos. Como pode alguém ter tanta sensibilidade e percepção em relação ao bem estar de um cliente justamente quando tinha que atender a tantas mesas? Eu estava positivamente surpreso. No final pagamos a conta e, quase em um impulso, saquei da carteira uma gorda gorjeta, acima dos 10% habituais do valor da conta, além do que já tinha pago, e entreguei na mão dele, dizendo: “Muito obrigado pelo seu atendimento. Ficamos muito felizes”.  Ainda guardando o dinheiro no bolso, com um sorriso sincero, nos disse olhando atentamente: “Foi fácil! Apenas me coloquei no lugar de vocês e fiquei atento. Eu é que agradeço. Voltem sempre!” Uau! Ainda por cima, sabe como ninguém usar o poder da Empatia.

    Pois é, dentre inúmeras situações de péssimos atendimentos, arrogância e falta de preparo que vejo por aí, muitas vezes com pessoas detentoras de graduação superior e que, talvez, tivessem estudado muito mais do que aquele humilde senhor, aquele atendimento foi um exemplo brilhante de como alguém consegue, fazendo muito pouco, encantar. Simplesmente encantar. Saí do restaurante dizendo que se eu fosse abrir uma empresa algum dia naquela cidade, eu iria atrás daquele cidadão e ele seria o meu braço direito. Pode ser que demore mais um pouco, mas se ele mantiver esta pegada, logo logo receberá convites semelhantes! Com certeza belos convites ainda lhe virão!

    Empatia – capacidade de se colocar no ligar do outro. Esta atitude pode (e deve) ser adotada em qualquer lugar, principalmente no seu ambiente de trabalho, com seus pares, superiores e subordinados. Se você fizer isso, irá encantar as pessoas e as portas não se abrirão para você. Elas vão se escancarar. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Networking inteligente

    Networking inteligente

    “Pares e subordinados têm mais poder de alavancar sua carreira do que chefes”

    Esta semana fiz uma conta que nunca tinha feito. Busquei na memória as pessoas que, ao longo da minha carreira e das oito mudanças de empresas, me indicaram para as vagas que acabei ocupando. Não foi com surpresa que me dei conta de que 80% das pessoas que me geraram estas oportunidades de crescimento tinham sido meus “pares”. Quando digo “pares”, refiro-me a pessoas que estavam no mesmo estágio de carreira que eu. Um, tinha sido colega de classe no meu segundo MBA e me indicou para uma vaga dois anos após o final do curso. Outro, tinha trabalhado comigo em uma empresa (no mesmo nível que eu) e, ao se mudar para outra, indicou meu nome. E assim, por maioria absoluta de indicação de pares, fui trilhando o meu caminho profissional, sempre para cima.

    Não parei para fazer esta conta por acaso. Tenho defendido há anos, quando estou dando aula de planejamento de carreira, que precisamos ser muito mais eficazes nos relacionamentos com nossos pares e subordinados do que com nossos chefes ou ex-chefes. Ainda existe na cabeça de muitos uma visão equivocada de que as pessoas crescem na carreira devido a apoios que vêm de cima. Eu acredito exatamente no contrário. De todas as pesquisas e entrevistas que já fiz com grandes líderes, executivos e empresários, ouvi relatos que me fazem concluir que as pessoas são muito mais empurradas para cima do que puxadas. Pare um pouco e pense no assunto. Quem você acha que tem mais potencial de lhe ajudar no futuro? Seu chefe atual ou seus pares e subordinados? Se você acredita na primeira opção, está na hora de jogar esta “verdade” no lixo. Pode até ser que seu chefe possa lhe puxar um degrau acima na hierarquia da empresa, mas os seus pares de hoje são pessoas que estarão no mercado por mais tempo e, provavelmente, em melhores condições de lhe gerar oportunidades. Além disso, você tem muito mais pares e subordinados do que chefes, não acha? Contabilize e veja. De todas as pessoas com quem você já trabalhou, quantas estavam no mesmo nível que você ou abaixo? A maioria. É uma questão matemática. É só fazer a conta. Não se iluda.

    Uma recrutadora experiente que conheci (Head Hunter) e que só trabalhava com vagas de primeiro e segundo nível nas empresas, me disse uma vez que sempre que possível, gostava de conhecer executivos no seu local de trabalho. Quando perguntei o porquê, ela me disse que assim poderia analisar a postura desta pessoa perante seus pares e subordinados. E também me disse que, sempre que conseguia, queria levantar informações e opiniões vindas destes dois níveis. Segundo ela, não há ninguém melhor para indicar pessoas do que pares e subordinados. Um profissional mostra o seu potencial de liderança com estes níveis e não o oposto.

    Pois bem, este é o ponto de hoje. Reflita e mude radicalmente o olhar que tem para os seus pares e subordinados. Pois são eles que vão, no futuro, falar de você (para o bem ou para o mal), apresentar e indicar você para a imensa maioria das oportunidades que estão por vir. Nunca duvide disso.

    Se a sua pergunta agora é “Como faço com que os meus pares e subordinados de hoje me ajudem a alavancar a minha carreira no futuro?“, me envie um email e eu respondo com uma série completa que escrevi sobre “Redes de contato – Network”. São sete artigos com as regras de A a Z sobre como montar e desenvolver uma rede de contatos profissional.

    É isso. Cuide bem dos seus relacionamentos. Este é sempre um excelente investimento, afinal estas pessoas serão a sua maior fonte de oportunidades no futuro e, ainda, podem lhe gerar grandes amizades. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Rabo de baleia ou cabeça de bagre?

    Rabo de baleia ou cabeça de bagre?

     

    “Eu prefiro a segunda opção”

    Comecei a minha carreira em duas empresas gigantes. Centenárias, com mais de 10.000 funcionários e presentes em vários países. Depois trabalhei em duas Start Ups (empresas que acabaram de nascer), mas tão grandes como as anteriores. Eram Start Ups aqui no Brasil, mas já tinham presença fora do país. Nestas quatro empresas aprendi muito. As duas primeiras, então, foram as minhas escolas gerenciais. Aprendi sobre processos de gestão, controles, limites de autoridade, hierarquia, processo de tomada de decisão, orçamento, planejamento e por aí vai. Depois disso resolvi aceitar uma proposta para trabalhar em uma empresa familiar, que também acabara de nascer. Ali foi tudo muito diferente. Dividia a sala com o dono da empresa. As decisões eram tomadas em questão de minutos. A confiança era total, de ambas as partes. Tinha muito, mas muito mais autonomia e autoridade do que nas gigantes por onde passei. Além disso, estava (quase) totalmente imune a joguinhos políticos comuns em grandes empresas. Hoje sou 100% empresário. Tenho um único chefe, meu sócio. Sim, sócio é chefe sim. Também sou chefe dele e ele sabe disso. Quando temos sócio, temos que dar satisfação e prestar contas. De uma forma diferente, é claro, mas não deixa de ser.

    Portanto, posso falar, com conhecimento de causa, sobre os ônus e os bônus de se trabalhar em empresas grandes, médias ou pequenas. Gigantes multinacionais ou empresas familiares de médio porte. Degustei ambos os sabores e posso descrever em detalhes as vantagens e desvantagens de cada tipo de experiência profissional.

    Estou trazendo este ponto hoje porque tenho recebido consultas cada vez mais frequentes de ex-alunos me perguntando se acho melhor desenvolver uma carreira em uma empresa grande ou em outra de menor porte. Isso me faz lembrar a metáfora: É melhor ser rabo de baleia ou cabeça de bagre? Em muitos casos, me perguntam se vale a pena trocar um pacote (salário, benefícios etc) melhor de uma gigante por um inferior em uma empresa que vai lhe dar mais autonomia e autoridade. Um cargo inferior em uma empresa grande por um cargo melhor em uma média, mesmo que a remuneração seja equivalente.

    Como já me conhecem, não sou de me esquivar de perguntas picantes ou que possam ser polêmicas. Neste caso, com muita segurança e experiência própria, tenho uma posição muito clara e vou defendê-la aqui. Se todos pudessem escolher, eu recomendaria ter uma experiência em uma empresa grande no começo da carreira e depois migrar para empresas menores, até quem sabe, no futuro, ter o seu próprio negócio. Este foi o meu caso e conheço muito bem os ganhos dessa trajetória. Mas como sei que nem todos têm esta opção, eu vejo este jogo mais a favor de uma carreira em empresas médias do que em grandes. Em outras palavras, eu prefiro ser cabeça (mas não obrigatoriamente de bagre!). No balanço de prós e contras, esta opção, na minha visão, é a melhor.

    Empresas menores representam lugares com muitas oportunidades. No meu artigo anterior tratei exatamente disso. O mundo atual tem permitido inúmeras chances para os “pequenos”. Aliás, nunca empresas grandes sumiram tanto do mapa quanto no momento atual. Além disso, empresas menores são mais ágeis, mais dinâmicas e mais abertas a novas ideias e à inovação. Não quero generalizar. É óbvio que algumas grandes empresas possuem bons ambientes para quem quer crescer e se desenvolver, mas na média, perdem de goleada. Em dois aspectos particularmente especiais, ser “cabeça de bagre” é muito melhor: autonomia e autoridade. Pense nisso. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
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  • Os grandes que se cuidem

    Os grandes que se cuidem

    “Um mundo onde pequenos vencem grandes. Hoje”

    Como os meus alunos já sabem, sou fã do Malcolm Gladwell. Jornalista inglês, atualmente residente nos EUA, trabalha na revista The New Yorker e é autor de cinco livros, todos fantásticos. Li todos e os recomendo. O legado desse cara é fantástico. Ele escolhe um tema, sai em busca de todas as pesquisas já realizadas sobre o mesmo, analisa e tenta formular um modelo, um padrão de entendimento do fenômeno em questão. Foi assim com a Intuição (Blink – a decisão num piscar de olhos), Sucesso profissional (Outliers – por que umas pessoas têm sucesso e outras não) e assim por diante. Neste início de ano, fomos premiados com mais uma obra fantástica. Trata-se do livro “David e Golias”, já traduzido para o português. O tema agora é “Pequenos x Grandes”. E começa exatamente com a história da famosa luta entre David e Golias. Fiquei absolutamente encantado com as pesquisas e casos apresentados. Tenho defendido arduamente nos últimos anos que estamos vivendo o momento histórico de maior mobilidade social da história da humanidade. Nunca antes os pequenos  (em todos os sentidos) tiveram tantas oportunidades como no mundo atual. Pessoas simples, nascidas em famílias simples e sem recursos, hoje podem chegar onde quiserem na pirâmide social e em suas carreiras. Empresas pequenas e que nasceram ontem, estão engolindo gigantes centenárias em menos de uma década. Ou seja, os pequenos estão fazendo um verdadeiro estrago no poder (pseudo) absoluto dos grandes. Formigas estão derrotando elefantes, assim como David derrotou Golias.

    Este fenômeno ocorre hoje fundamentalmente por dois motivos. Primeiro, porque o mundo está mais rápido. Tudo hoje acontece numa velocidade brutal e nunca vista. Em um cenário como este, os menores conseguem ser mais ágeis. Quanto maior, mais lento. Empresas e pessoas de muitas posses e muitos recursos, demoram para perceber algumas mudanças. Estão tão preocupadas em administrar o muito que têm, que se esquecem de olhar para o futuro e para o que vem adiante. Em muito casos, quando acordam, é tarde demais. O segundo motivo chama-se proximidade. O mundo está mais próximo. A conexão global através da internet e da queda das fronteiras culturais e comerciais, criou uma tendência chamada “empowerment”, que significa o poder nas mãos das pessoas. Esta tendência comportamental faz com que tudo o que é grande demais perca este olhar e esta capacidade de transferir poder. Mais uma vez, os pequenos ganham força.

    Uma edição da revista Veja há dois anos traz na matéria de capa a reportagem “O milionário mora ao lado”, mostrando uma estatística assustadora: 6 brasileiros ficaram milionários por hora em 2010. Estes dados mostram claramente que a tese, que venho defendendo há anos, de que o mundo atual permite que qualquer um, independente das limitações financeiras que tenha, pode chegar onde quiser. Para isso, é necessário um bom plano de carreira e uma capacidade de execução forte. Objetivos claros, preparação técnica e comportamental, redes de apoio (formal e informal) e muita, muita dedicação.

    Este é o século XXI. Louco, rápido, às vezes difícil de compreender, mas cheio de oportunidades para quem quer mais da vida e da carreira. Para bons observadores, não é difícil enxergar que gigantes estão caindo todos os dias, derrotados por pequenos mais ágeis e mais inteligentes. Se você é grande, cuidado. Se você é pequeno, mãos à obra! O mundo pode ser seu. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
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