Categoria: Carreira

  • Você sabia que pode ser um gênio?

    Você sabia que pode ser um gênio?

     

    Frases incríveis de gênios incríveis estão por toda a parte nas redes sociais.  São sempre marcantes, muitas vezes inspiradoras e partem da simplicidade das coisas para impactarem nosso modo de enxergar o mundo. Isso é genialidade.

    Frases de Einstein, Da Vinci, dentre tantos personagens geniais da história mundial decoram rodapés de agendas, calendários, cartões comemorativos, livros, teses e diversas outras fontes de boas ideias. Isso é até terapêutico em algum sentido… Milton Erikson, renomado terapeuta americano costumava afirmar que a terapia nada mais é do que a substituição de ideias ‘ruins’ por ideias ‘boas’.

    Em mais de quinze anos estudando biografias de grandes realizadores (em grande parte considerados gênios) chamou-me a atenção o fato de que muitos exemplos de genialidade teriam permanecido no anonimato não fossem alguns ingredientes essenciais: dedicação ao que gostam; determinação extraordinária em busca do que desejam (contrariando muitas adversidades), foco em seus objetivos, crença em sua capacidade a despeito das opiniões alheias, persistência, persistência, persistência, persistência. E persistência. Sem esses elementos não teríamos Thomas Edison, Irineu Evangelista de Sousa (Visconde de Mauá), Bruce Lee, Nelson Gonçalves, Fred Astaire, dentre tantos outros.

    E para não ficarmos ‘restritos’ à história, quero destacar o feito do brasileiro Artur Ávila, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), do Rio de Janeiro, que aos 35 anos se tornou o primeiro brasileiro vencedor da Medalha Fields, considerada o “Nobel de Matemática“, em agosto de 2014. Em suas entrevistas o premiado matemático se nega a aceitar o título de gênio, muito embora tenha acumulado feitos incríveis, como por exemplo, o doutorado iniciado aos 19 anos sobre sistemas dinâmicos, e uma coleção de premiações em competições de matemática.  O que podemos observar o tempo todo em suas entrevistas e depoimentos de orientadores é que seu sucesso advém de fazer o que gosta, dedicar-se ao extremo, manter o foco e ser humilde. Genial?

     

    A sua genialidade pode estar à espera dos ingredientes essenciais para emergir. Já pensou nisso?

     

    Abraço, e sucesso!

     

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • Nada é para sempre

    Nada é para sempre

    “Quando um ciclo chega ao fim, é hora de mudar e seguir em frente” 

    Há duas semanas, ministrando a minha primeira aula de Life Design no Pós MBA da Inova Business School em Campinas, desafiei os alunos a escreverem uma frase que representasse a sua maior convicção em relação a três pilares: Vida, Finanças pessoais e Carreira. O meu parceiro e amigo Luis Rasquilha, que está fazendo o curso junto comigo, onde hora somos alunos e hora professores, escreveu para a dimensão pessoal a seguinte frase: “Nada é para sempre”. Até postou no dia seguinte na sua página no facebook e houve uma enorme repercussão e compartilhamentos. Este fato, aliado a uma história de término de relacionamento recente de um amigo próximo, que foi tema de longas conversas entre nós, me motivou a escrever hoje sobre fins de ciclos.

    O ser humano é estranho. Sabe que tudo é finito, a começar pela nossa vida. A única certeza que temos é que um dia iremos morrer. Só não sabemos quando. O ciclo da vida é estudado por todos. Ninguém normal imagina que a vida não teria fim. Daí me pergunto: – Se a vida, que é o bem mais precioso que uma pessoa pode ter, é finita, por que haveria de existir algo que não o fosse? Já parou para pensar nisso? Eu já, e muito.

    Já tratei disso outras vezes aqui neste espaço. A minha história de vida me condena. Depois de 25 anos de carreira, oito empresas, 13 cidades e 27 mudanças de endereço, tenho alguma autoridade para falar de mudança, fins de ciclos e recomeços. No meu caso, a coleção é grande. Nunca disse a ninguém que foi fácil. Mudar nunca é fácil. Abandonar coisas, pessoas, empresas, projetos e amigos não é fácil. Dói. Em alguns casos, dói muito. Mas nunca premeditei nenhuma dessas mudanças. Nunca quis colecionar estas marcas. A coisa comigo sempre aconteceu de forma muito pragmática, quase como uma conta matemática. A minha regra sempre foi a seguinte: No dia em que eu olhar para o lado e sentir que a conta não está fechando, ou seja, as coisas boas não estão sendo superiores às ruins, é porque chegou a hora de mudar. E ponto. Eu ia lá e mudava. Simples assim.

    Sei que o tema é polêmico e respeito (sempre) quem não concordar comigo, mas me reservo ao direito de fazer, frequentemente, meus balanços em relação às pessoas com as quais convivo, ao meu trabalho, aos meus relacionamentos pessoais e aos projetos com os quais estou envolvido. Se algo começa a me sugar mais do que me preencher, tchau!  Não gosto de carregar âncoras. Não gosto de relações que não estejam pautadas no ganha-ganha. Não tolero pessoas do mal e me recuso a conviver com elas. Não trabalho (somente) por dinheiro. E assim sigo, tocando a minha vida de forma (quase) sempre leve e feliz, sem grandes perdas de sono.

    Os meus alunos sabem e me conhecem bem. Nas minhas aulas sobre planejamento pessoal, financeiro e profissional sempre bato nesta tecla. Ninguém, absolutamente ninguém, merece viver infeliz. A vida é muito curta para cometermos este erro. Cair nessa vala e não sair dela é uma grande bobagem. A vida lá fora tem muitas oportunidades. Ninguém deve ficar amarrado a algo que lhe traz mais infelicidade do que felicidade. Nada é para sempre. Fins e recomeços fazem parte da vida, pessoal e profissional. As pessoas mais interessantes são aquelas que mais ousaram e mais tiveram a coragem de arriscar e vivenciar novas experiências.

    Aproveite que o fim do ano está chegando. Como esta é sempre uma época de reflexão para muitos, faça seus balanços. Analise friamente suas relações e veja se não existe alguma delas que lhe joga mais para baixo do que para cima. Se existir, veja se há como reverter e colocar o trem nos trilhos. Caso contrário, coloque data e hora para o fim. Não tenha medo. A vida premia mais os ousados do que os acomodados. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Concentração até o fim

    Concentração até o fim

     

    “Nunca comemore antes do apito final” 

    Não sou muito fã de futebol. Nunca derramei uma lágrima por time algum e não tenho costume de acompanhar campeonatos de perto. Mas confesso que quando se aproximam as finais de alguns torneios o meu nível de interesse aumenta um pouco, principalmente os campeonatos nacionais como o Brasileirão e a Copa do Brasil. O legal nessas finais é fato de ambos garantirem vaga para a Libertadores, torneio das Américas, que também me atrai muito quando chega a fase de mata-mata.

    Bom, na semana passada houve um jogo muito interessante pela Copa do Brasil. Flamengo e Atlético-MG. O jogo era de semifinal e aconteceu em Belo Horizonte, cidade linda, que já morei e adoro. Este jogo era o de volta e valia vaga na final do campeonato, cujo campeão tem vaga garantida no torneio das américas. No jogo de ida, no Rio de Janeiro, o Flamengo havia vencido por 2×0. Desta forma, poderia empatar, perder de 1×0 ou até mesmo perder de dois gols de diferença se fizesse um gol, porque gol fora de casa era o primeiro critério de desempate. Pois bem, o jogo começou em Belo Horizonte com casa cheia e o time do Atlético “cuspindo marimbondo” para tentar marcar logo um gol e tirar a diferença.  O desafio já era enorme. Tinha que fazer 2×0 para levar a decisão aos pênaltis ou 3×0 para se classificar. Então, acontece o inesperado. O Flamengo faz 1×0 em um lance perdido e cala a boca de milhares de pessoas no estádio. Um balde de água fria. Agora, para se classificar para a final, Atlético precisava fazer 4 gols. Isso mesmo, 4 gols. Praticamente impossível. A cara dos torcedores era de dar pena. Um locutor de uma rádio carioca disse ao vivo que “acabou”. Para ele, “o flamengo é finalista da Copa do Brasil”. Este áudio circulou na internet logo nos dias após o jogo e o cara foi detonado nas redes sociais. Por que? Bom, neste jogo aconteceu algo inesperado e quase inacreditável. O Atlético, empurrado pela sua torcida que gritava “Eu acredito! Eu acredito!”, fez um, dois, três e, nos últimos minutos do jogo, quatro gols, eliminando o Flamengo e conquistando a vaga de forma absolutamente brilhante. Tinha que fazer quatro. Foi lá e fez. O Flamengo, com um pé na final, acomodou-se e dançou.

    O esporte não é só muito bacana porque integra, une, diverte e desenvolve uma sociedade. O esporte também é um espaço para muitos aprendizados que devem servir de exemplo na vida pessoal e profissional. Este caso que acabo de contar é uma aula para todos nós. Uma aula clara e que mostra, na prática, que “o jogo só acaba quando termina”. Nunca, em hipótese algum e em situação alguma, devemos comemorar vitória antes do tempo. Quem acha que um jogo está ganho antes do apito final acaba como o Flamengo, chupando o dedo e se lamentando: “Nossa, mas estava tão perto”. É, estava perto, mas não estava garantido.

    Já perdi a conta de quantas situações parecidas eu vi ao longo da minha carreira. Profissionais que estavam bem próximos de atingir uma meta (de vendas, por exemplo), relaxaram por achar que “estava praticamente feito” e… morreram na praia. Desde cedo aprendi uma coisa com o meu pai e que, felizmente, uso diariamente na minha vida: “Nunca perca a concentração, mesmo que o objetivo esteja bem próximo”.

    Fica aqui, com esta história real e bastante didática, a minha dica de hoje. Por mais próximo que você esteja de um objetivo, seja ele qual for, nunca ache que ele está garantido. Não está. Um descuido seu e ele poderá ir para o ralo e você morrerá na praia, como o Flamengo na semifinal da Copa do Brasil. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • A equipe é realmente o reflexo do líder.

    A equipe é realmente o reflexo do líder.

     

    Certa vez resolvi almoçar em um restaurante próximo ao meu escritório. Tinha apenas uma hora disponível e não queria me deslocar muito. Procurei chegar antes do horário de pico, e deu certo. Não havia sequer um terço das mesas ocupadas.

    Aí coisas surpreendentes começaram a acontecer. Em primeiro lugar, não conseguia a atenção do único garçom disponível. Ele estava concentrado nas reportagens de futebol que a televisão apresentava. Levantei-me e interrompi seu momento hipnótico-esportivo. Ele me atendeu cordialmente, anotou meu pedido, e saiu para completar sua missão.

    Há quem diga que meu estado vibracional, quântico, ou algo assim possa ter atraído tudo isso. Mas o fato é que, depois de uma longa espera, o pedido veio errado. A bebida não era a que eu havia solicitado, e o prato veio frio. É de conhecimento popular que não é sensato fazer qualquer reclamação antes de se consumir em um restaurante. Segui a regra.

    Ao final do almoço pedi que fechassem a conta, que, como era de se esperar, veio incorreta. Valor acima do pedido… Tiveram que corrigi-la.

    Não me lembro de ter tido tantos contratempos juntos em um mesmo lugar. Ao final dessa notável experiência, pedi ao garçom que me indicasse o gerente. Foi fácil. Ele se encontrava no caixa do restaurante, próximo à entrada. Fui pagar minha conta e aproveitei para comentar o caso todo. O diálogo seguiu mais ou menos assim:

    Gerente: Entendo o transtorno… Mas isso tudo aconteceu porque tivemos muitos clientes.

    Eu: Na verdade quando cheguei não havia sequer um terço da ocupação. E o garçom estava assistindo televisão.

    Gerente: Olhe, eu estou ao lado da entrada, e posso assegurar que o nosso problema foi que chegaram muitos clientes.

    Eu: Vou lhe dizer uma coisa que pode te ajudar. O senhor está no ramo ERRADO. ‘Clientes chegando’ NÃO é problema. É bom. O problema talvez seja a INCAPACIDADE de atender aos clientes que chegam. Do contrário, para acabar com o problema bastaria fechar a porta.

    Gerente (pasmo): … !

    Eu: Ainda assim vou ajuda-lo. Não venho mais. É um problema a menos chegando.

    Realmente não voltei mais. Entretanto, o diálogo com o gerente foi esclarecedor. Toda a equipe do restaurante trabalhava alinhada ao discurso do líder, e agiam como se os clientes fossem problemas. E toda vez que observo a atuação de uma equipe, começo a vislumbrar o perfil do líder.

    Abraço, e sucesso!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • Uso de celular e internet no trabalho

    Uso de celular e internet no trabalho

     

    “Bom senso e bons resultados. O resto é perfumaria” 

    Tenho recebido diversas sugestões de temas por parte de leitores assíduos, aos quais agradeço publicamente pelas dicas de assuntos. Hoje quero tratar de um deles, tema relativamente polêmico e que causa muitos atritos, desgostos e até demissões nas empresas – o uso de celular e internet no ambiente de trabalho.

    É óbvio e simples de entender que, no horário de trabalho, devemos trabalhar. Mas sabemos que ninguém, absolutamente ninguém, produz com qualidade continuamente durante horas. Todos nós precisamos de algumas pausas, até porque precisamos beber água, ir ao banheiro, tomar um café etc. Nestas pausas, todos aproveitam para checar algo na internet, ler emails pessoais, retornar uma ligação, resolver um problema pessoal por telefone ou checar as redes sociais. Nada de errado, concorda?

    Além disso, tenho sempre feito uma grande provocação aos gestores no seguinte sentido: Quem garante que alguém que esteja sentado na frente de um computador, com cara séria e concentrada, está produzindo algo? Aliás, ouço muitas histórias de pessoas que produzem muito pouco no horário regular e depois ficam solicitando horas extras para concluírem o trabalho. Da mesma forma, quem garante que alguém que esteja olhando para o celular está no facebook e não em um site checando algo relacionado ao trabalho? É difícil avaliar e julgar estas dimensões. Nem sempre as coisas são o que parecem. Por isso tenho sido um franco defensor de que precisamos olhar mais para o resultado e menos para o processo, principalmente quando estivermos avaliando profissionais de áreas administrativas. Em linhas de produção de fábricas, até concordo que esta regra possa não valer tanto, mas em outras áreas não tenho a menor dúvida.

    Quem trabalha comigo sabe que não fico controlando horário de ninguém, checando se está na frente do computador com cara de inteligente ou no café da empresa. Isso não me interessa. Quero que estejam presentes e pontuais nos compromissos que temos (reuniões, eventos etc) e ponto final. Fora isso, quero resultados. Tenho muita clareza e compreensão de que algumas pessoas produzem mais e melhor pela manhã, outras à tarde e outras à noite. Portanto não creio ser inteligente da minha parte ficar querendo enquadrar pessoas diferentes em padrões iguais. Isso é uma tolice.

    Por outro lado, entendo perfeitamente que há pessoas que abusam quando têm essa liberdade. Ficam muito tempo no celular, fazem muitas pausas desnecessárias, saem muito do ambiente de trabalho e passam muito tempo na internet claramente cuidando de assuntos pessoais. Isso transmite uma mensagem ruim para a equipe e causa sempre atritos, fofocas e comentários.

    Qual é a (única) solução para esta questão? Ao meu ver, todos, líderes e liderados, devem ter sempre em mente duas coisas: Bom senso e bons resultados. Acho até que uma equipe possa estabelecer alguns padrões e regras de conduta em relação ao tema, desde que estas permitam que as pessoas tenham um pouco de liberdade para usarem o tempo da forma como melhor se sentirem e que os resultados estejam sempre acima de qualquer coisa. Com isso, acredito que seja possível construir um ambiente produtivo e, ao mesmo tempo, leve, descontraído e sem a contabilidade burra de quanto tempo a pessoa passa efetivamente “trabalhando”.

    Se você é líder e está incomodado com algumas posturas em relação a este tema, chame a sua equipe, diga isso com assertividade e negocie algumas regras junto com eles. Se você faz parte de uma equipe e não é o líder, procure usar o celular e a internet com moderação e sem atrapalhar o trabalho dos outros colegas. E, acima de tudo, entregue sempre ótimos resultados, porque quem entrega bons resultados será sempre menos questionado em relação ao uso do seu tempo. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Discurso x Ação

    Discurso x Ação

     

    “Prometeu? Cumpra!”

    As eleições acabaram. Ufa! Não foi fácil ter paz nos últimos dois meses. No final, estava até cansativo pisar e repisar a mesma calçada desse assunto. As páginas das redes sociais ficaram repletas de fatos (reais e, principalmente, inventados) e comentários sobre tudo relacionado ao tema. Mas confesso que vejo um bom legado nessas eleições. Parece-me que o envolvimento da sociedade foi bem maior do que nas anteriores. Embora não exista um termômetro do envolvimento, sinto que as pessoas debateram mais e “brigaram” mais. Se isso produzir uma postura de maior cobrança e acompanhamento da cena política daqui pra frente, terá valido a pena.

    E por falar em cobrança, vamos ao que interessa. Os dois candidatos à presidência, além de se baterem muito, fizeram o que tinham que fazer durante a campanha – apresentaram as suas propostas de ações e projetos caso fossem eleitos. Apenas um levou e, portanto, é sobre este que vou agora colocar o holofote. E tem mais um ponto relevante: Se o candidato da oposição tivesse vencido, teria que esperar até 01 de janeiro para assumir e mereceria um tempo de “paz” para que pudesse tomar pé da situação em cada uma das pastas do governo. É normal. O país é muito grande e quem chega demora um tempo para fazer esta transição. Mas, “porém, entretanto”, quem venceu foi a atual presidente. Logo, não teremos governo de transição, tempo de adaptação e trâmites do gênero. Tudo segue como está. As equipes de gestão são as mesmas, com um ou outro ajuste, os projetos em andamento seguem seu curso, os problemas estão claros e foram amplamente debatidos na eleição e por aí vai. Não fica difícil concluir que a atual presidente não tem absolutamente nenhum motivo para não começar a fazer o que prometeu imediatamente. É lógico que precisa e merece alguns dias de férias, porque imagino o quanto um processo eleitoral deve consumir de energia de uma pessoa, mas nada que alguns dias de férias não resolva. Depois disso, me apresentem algum motivo para esperar até 01 de janeiro. Alguns poderiam dizer que é prudente esperar o novo congresso tomar posse. Discordo. O novo congresso só irá se renovar em aproximadamente 20%, ou seja, 80% dos caras foram reeleitos. Logo, nenhum projeto precisa esperar porque a base já está lá e seguirá lá.

    Sendo assim, quero aqui retomar um pilar da gestão de uma carreira que mais constrói (ou destrói) a imagem de um profissional: a coerência entre o discurso e a prática. Já disse aqui diversas vezes que a falta de coerência entre discurso e prática é uma das mazelas mais democratizadas que já vi na minha vida e carreira. Perdi a conta de quantas pessoas conheci que na hora de falar são verdadeiros leões, mas na hora de agir viram gatinhos recém-nascidos que mal conseguem miar. Pessoas que entre a promessa e a execução parecem ter feito uma cirurgia de lobotomia. Simplesmente esquecem tudo o que disseram que iam fazer e começam a fazer outras coisas (ou nada). Você conhece alguém assim? Aposto que sim. Esta espécie está por aí, nas empresas, nos cargos de liderança e, principalmente, em cargos políticos. Estas pessoas fazem um mal danado a outras pessoas e às empresas. Elas criam expectativas e frustram os outros. Isso é um pecado mortal. Produzir esperança e depois matá-la é um crime. Devia dar cadeia.

    Portanto hoje reforço, mais uma vez, para você e para a presidente da república um ponto óbvio e muito importante: Faça o que fala e fale o que faça!  Prometeu, cumpra. Se não tiver certeza se vai fazer, não prometa. Não crie esperança sem antes ter convicção de que irá trabalhar por ela. As pessoas não merecem e não irão te perdoar por isso. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Como desmotivar um colaborador sem fazer esforço…

    Como desmotivar um colaborador sem fazer esforço…

    Dizem (com estatísticas e tudo mais) que pedimos demissões de nossos líderes mais do que das empresas em que trabalhamos.  Penso às vezes que uma oferta de trabalho devesse ter um descritivo mais ou menos assim: “Você trabalhará com um líder centralizador, de elevado conhecimento técnico, com pouca experiência na condução de equipes, e que exigirá de você uma dedicação e automotivação como nunca teve antes, e que, por vezes, cobrará resultados que não ficaram claros, deixará de prover alguns recursos essenciais à sua meta, e raramente lhe dará feedback. Para ter essa oportunidade você ocupará a vaga de Gerente “X”, pelo salário “Y”, com o pacote de benefícios tal e tal…”.

    Certamente a procura pela vaga iria diminuir…

    E como os “chefes” conseguem provocar tantos pedidos de demissão? Não consigo pensar em tudo o que poderiam fazer, mas quero comentar três iniciativas muito eficazes nesse sentido:

    1 – Atribua mesma posição hierárquica e mesmo salário a dois profissionais que tenham responsabilidades de grande diferença de complexidade e/ou dificuldade de realização. Um carregará o piano enquanto o outro carregará o banquinho. Isso acontece normalmente quando um profissional é notadamente superior ao outro na solução de problemas complexos ou realização trabalhos mais árduos. Na prática, o que ocorre é: aquele com maior capacidade recebe como pena um trabalho mais árduo; o de menor capacidade recebe como prêmio trabalhos mais fáceis. E, no fim das contas, salário e cargos são equivalentes. Muito desmotivador.

    2 – Deixe de promover o excelente profissional porque não há ninguém que possa substituí-lo. É uma forma interessante de penalizar alguém por ser tão bom. Conhece alguma história assim?

    3 – Não dê feedback ao colaborador experiente e de excelente desempenho. Afinal, ele sabe que é bom. Entretanto, quando houver algum desvio de resultados, deixe isso claro a ele o quanto antes. O resultado será mais ou menos o seguinte: “Quer dizer que dou o melhor de mim todos os dias alcanço excelentes resultados e não ouço sequer um parabéns? Entretanto, no momento do primeiro resultado desfavorável meu chefe está logo na minha frente para chamar a minha atenção…”.

    Certamente a lista pode continuar… Mas acredito que a combinação dessas três formas de interagir com a equipe já possa trazer prejuízo suficiente.

     

    Abraço, e sucesso!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • A maldade mora ao lado

    A maldade mora ao lado

     

    “Os fins justificam os meios” (Maquiavel)

    Há quase7 bilhões de pessoas no mundo. É normal e aceitável que, no meio de tanta gente, existam pessoas de todos os tipos. Pessoas do bem e pessoas do mal. Sempre foi assim e não seria diferente agora. Tenho certeza que você já conheceu gente de ambas as “espécies”. Ao longo da nossa vida e carreira conhecemos e convivemos com quase todo tipo de caráter que possa existir sob a face da terra. Muitas vezes sequer temos a opção de escolher as pessoas que nos cercam. Na vida pessoal é até mais fácil, mas nos ambientes profissionais quase nunca podemos escolher a dedo cada pessoa que irá conviver ou trabalhar conosco. No caso de pares e superiores, não temos nenhum poder de decisão. Em relação a subordinados, às vezes também não temos, até porque podemos assumir uma equipe que já existe e não é possível, por várias razões, trocar todos os que não nos agradam. Ou seja, na maioria das vezes não decidimos com quem trabalhamos.

    No time dos maus, há vários estilos. Não faltam estudos psicológicos com perfis mapeados de pessoas que gostam da maldade. Mas todos, ou quase todos, são movidos por um grupo relativamente pequeno de motivos. Inveja, ganância, prepotência e arrogância. Estes são alguns dos gatilhos mais comuns e que fazem surgir nas empresas verdadeiros ninhos de cobras. As pessoas deste grupo, em escalas diferentes e com métodos diferentes, se concentram em fazer o mau. Elas dedicam um tempo do seu dia para isso e os métodos são muito variáveis. Há aqueles que fazem o mal a outro sempre que têm uma oportunidade. Há outros (os piores) que planejam com riqueza de detalhes e cometem o “crime” de forma premeditada. Estudam a vítima, analisam seus pontos de vulnerabilidade e preparam um ataque onde mais possa prejudicá-la. Você conhece alguém assim? Se não conhece, lamento informar que algum dia no futuro irá conhecer e conviver com um. Ninguém está imune a isso.

    Nesta última semana presenciei um fato nesta segunda categoria. Uma pessoa extremamente competente e séria foi alvo de uma maldade premeditada e quase inacreditável, pelo nível de premeditação e planejamento que foi cometida pelo autor. Um ato pensado, planejado e com enorme poder de prejudicar o outro. Ouvi de várias pessoas que acompanharam o fato de perto a seguinte frase: “Eu não acredito que alguém é capaz de fazer uma coisa desse nível com um colega de trabalho”. A pessoa que foi alvo da maldade me disse textualmente: “Eu achava que conhecia a maldade, mas agora tenho certeza”.

    Este fato me fez pensar e escrever a respeito. Já tangenciei este assunto várias vezes neste espaço e continuo convicto de que todos nós precisamos aprender a lidar com ambientes onde cobras peçonhentas habitam ou visitam de vez em quando. Não dá para se blindar disso. Aliás, não acredito que exista uma empresa no mundo que não tenha um grupinho de pessoas do mal e que estão sempre prontas para atacar, principalmente pessoas competentes e que estão focadas em trabalho e resultado. Não existe. Se alguém conhecer, por favor, me conte.

    Se esta tese é válida, só há uma coisa a fazer – saber conviver nestes ambientes. A receita do bolo é simples. Em primeiro lugar, afaste-se dessas pessoas. Se você é do time do bem, afaste-se do time do mau. Simples assim. Até brinco com meus alunos dizendo que devemos, para cada pessoa do mau que temos na empresa, precisamos nos aliar a três pessoas do bem. E vamos combinar uma coisa – pessoas do bem existem aos montes. Aproxime-se delas. Segundo, com cobra não se brinca. Evite conversar. Evite compartilhar projetos, ideias e informações confidenciais. Coloque essa turma na geladeira. Este também é um bom antídoto. Obviamente, se você tiver o poder e o momento permitir, exclua esta pessoa da equipe. Mas se não for o caso, conviva como você conviveria  com uma cascavel. Fique perto o suficiente apenas para o que for necessário. E sempre atento, porque cobras picam. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
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