Categoria: Carreira

  • Fuja do muro

    Fuja do muro

     

    “O muro é sempre o pior lugar para se ficar”

    Um dos assuntos que mais movimentou a mídia nestas últimas duas semanas foi a questão dos apoios eleitorais de quem não foi para o segundo turno das eleições. No caso das eleições presidenciais, o clima foi tenso. Embora já esteja comprovado que não se transfere 100% dos votos de um candidato para outro, os apoios podem decidir a eleição. No caso de Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial, o seu apoio poderá ter forte impacto no resultado final. A sua coligação, com vários partidos, se movimentou na semana seguinte à eleição e todos se posicionaram a favor de um, do outro, ou da neutralidade. Esperava-se que ela se decidisse até o dia 09 de outubro e fizesse, conforme prometido, um anúncio oficial. Na hora “H”, cancelou o pronunciamento e continuou, tecnicamente, em cima do muro. Finalmente, no domingo seguinte, foi ao ar e se posicionou definitivamente. Na visão de alguns, este atraso foi justificável. Na de outros, ela deveria ter se posicionado bem antes e não havia motivo para tanta demora.

    Entendo as razões e sei que um apoio formal de um político a alguém que acabara de ser seu adversário é delicado. Pode comprometer o seu futuro e seus planos nas próximas eleições. Porém, prometer se pronunciar em uma data e não o fazer é bem pior. Tanto é que não bastou um único dia para começarem as piadas. “Marina tomou uma decisão – Não decidir”. Três dias depois de prometer e não cumprir, ela convocou a imprensa e anunciou a sua decisão de apoio a um candidato. O dano foi pequeno, mas poderia ter sido pior. Até porque na eleição anterior, quando ficou também em terceiro lugar, ela decidiu não apoiar ninguém. Desta vez, se ficasse em cima do muro de novo, apanharia muito e teria a sua imagem bem desgastada.

    Trouxe este tema atual para este espaço para, mais uma vez, reforçar algo que venho defendendo há anos e constantemente aqui no nosso espaço – o muro é sempre o pior lugar para se estar. O mundo atual tem mais punido do que premiado quem não decide, quem não se compromete e com quem quer ficar bem com todos. Esta postura de não decidir e de permanecer em cima do muro é a pior de todas, na minha visão. Já usei aqui várias vezes o mesmo termo: “No mundo dos adultos, decide-se e ponto. Colhe-se o bônus e paga-se o ônus”. Mas o que não pode é não decidir. A indecisão é a pior decisão, sempre.

    Ao longo da nossa carreira, as encruzilhadas são muitas. Decisões sobre trocar de emprego, aceitar ou não um convite para um novo projeto ou uma nova função, concordar ou não com opiniões alheias sobre um determinado assunto etc. A lista de situações onde temos que escolher entre A ou B é infindável. E muitos, muitos mesmo, cedem à tentação de não se comprometer, hora por medo de errar na escolha, hora por achar que é possível se colocar em uma situação onde vai agradar a todos. Em ambos os casos, pura ilusão. Estes, aos permanecerem em cima do muro, perdem muitos pontos e arranham a sua imagem de forma muito profunda, porque pessoas que não decidem não inspiram confiança. Pessoas que não decidem não são vistas como potenciais líderes. Líder decide. Às vezes erra, à vezes acerta. Os bons acertam mais do que erram, mas decidem. Colhem as informações que precisam, avaliam riscos e impactos e decidem. Ponto. Isso é o que se espera de pessoas fortes e preparadas para a liderança – capacidade de decisão. Nunca omissão. Aliás, a omissão também é uma decisão, mas a pior de todas.

    Marina Silva decidiu, talvez demoradamente, mas decidiu. E você? Tem algum assunto que aguarda a sua decisão? Se a resposta for sim, decida. Pare de empurrar com a barriga. Coloque data para decidir e decida. Se acertar, parabéns. Se errar, contabilize o erro, levante-se e siga para a próxima decisão. Mas nunca sente-se no muro e fique lá. Esse lugar é perigoso, muito perigoso, além de péssimo para a imagem que formarão de você na carreira e na vida. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Quem consegue prever o futuro?

    Quem consegue prever o futuro?

     

    Uma vez conheci uma jovem profissional que havia vivenciado um grande impasse em sua carreira. Ana era analista de compras em uma multinacional, e após um processo de seleção interna recebeu uma proposta para trabalhar por um ano em outra unidade da organização, na Ásia.

    Dominava fluentemente Inglês, Francês e Alemão, e essa seria sua primeira chance de trabalhar no exterior. Consultou seu gerente a respeito, e ele lhe disse que em um ano ele mesmo cuidaria para que ela trabalhasse na unidade matriz da empresa, na Europa, e que, portanto, poderia continuar no Brasil apoiando-o nos desafios que sua área estava enfrentando.

    Ana ficou em dúvida em relação ao que fazer… Poderia confiar em seu chefe? Será que ele ficaria desapontado se ela aceitasse a oportunidade da Ásia? O que fazer?

    Pensando bem, a resposta pode não ser tão difícil de se encontrar. Lembre-se que, quanto à sua carreira, a decisão é só sua. Ninguém, além de você mesmo, gerencia sua carreira. Posso lhe dizer algo que a experiência tem me mostrado: por mais boa vontade que qualquer líder tenha, ele é incapaz de prever o futuro. Isso também acontece com a pessoa a quem você se reporte.

    Qual líder pode assegurar que você terá chances no futuro próximo? Ele mesmo sequer sabe se continuará na empresa…  Ele tem autoridade formal para decidir e aprovar sozinho suas mudanças de carreira? Há muitas variáveis não controladas por ele, e isso deve ser levado em consideração.

    Não estou dizendo que um líder não tenha a intenção de alavancar sua carreira, mas afirmo que há várias fontes de incerteza… Já vi muitas promessas não cumpridas em função disso. Talvez você tome decisões que não agradem a seu superior imediatamente. Talvez não.

    O mais importante é você considerar os riscos envolvidos em cada alternativa, observar seus objetivos profissionais e tomar a decisão.

    A propósito, quanto ao caso da Ana, o desfecho foi o seguinte: ela decidiu ficar no Brasil, perdeu a chance da Ásia, seu gerente foi transferido para os Estados Unidos depois de alguns meses, e o novo gerente não tinha menor compromisso com a promessa feita pelo antecessor.

    Aí a conclusão é sua.

    Abraço, e sucesso!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • Amor pelo que faz – O principal ingrediente do sucesso

    Amor pelo que faz – O principal ingrediente do sucesso

     

    “Sem amor genuíno, nada atinge a excelência”

    Depois de tantos anos estudando planejamento de carreira e desenvolvimento de competências, às vezes me pego pensando que este tema, aparentemente complexo, pode ser entendido e resumido com coisas tão simples. Em todas as minhas falas hoje sobre o tema, faço questão de dizer que a maioria dos problemas complexos possuem soluções muito simples. Nós é que, às vezes, complicamos o que não tem nada de complicado.

    Uma dessas facetas ligadas à gestão da nossa vida profissional é a compreensão do que realmente faz uma carreira decolar. Muitos me perguntam, com frequência, qual é o segredo do sucesso profissional. As pessoas querem sínteses, caminhos, ideias do que fazer, e estas perguntas “totalitárias” sempre me provocam muito. “Qual é o segredo de uma carreira de sucesso?”.

    Quem me conhece e acompanha meus estudos e conclusões há anos, sabe que tenho uma convicção quase religiosa de que o sucesso é mais fruto de transpiração do que de inspiração. A prática incansável leva à excelência. Dedicação, esforço, desenvolvimento das competências mais valorizadas pelo mercado, investimento contínuo em educação continuada, atualização constante sobre as tendências na sua área de atuação e por aí vai… Estes são os verdadeiros ingredientes do sucesso profissional.

    Mas confesso que na última vez que me fizeram esta pergunta me veio à cabeça uma questão secundária: “Como conseguir se dedicar de forma constante e incansável ao desenvolvimento da carreira em uma determinada área, sem perder a pegada ao longo do tempo?”. A resposta, ao meu ver, é única – Amor pelo que se faz. Não consigo imaginar ninguém que consiga colecionar tanto tempo e tanto esforço se desenvolvendo em uma área sem estar constantemente apaixonado pelo que faz. Não dá. Sem amor, fica difícil. Acho até que essa máxima vale para quase tudo na vida. Quando há amor, genuíno, fazemos tudo o que for preciso e somos capazes até de dar a nossa própria vida por uma causa ou por alguém. Eu trocaria a minha vida pela da minha filha sem pensar 1 segundo. Tenho certeza que você seria capaz de trocar a sua pela de alguém também, caso fosse preciso. Mas quando o amor acaba, congela tudo. A capacidade de se doar vai pro espaço e tudo parece uma tortura. Quando isso acontece, fazemos o que dá para ser feito e ponto. Fazemos o básico, apenas o necessário para cumprir com os requisitos mínimos. E aí, quando o assunto é carreira, não tem o menor perigo de termos a pegada forte e contínua de desenvolvimento, dedicação e busca da excelência. O resultado, portanto, é um só – a carreira segue em ritmo de uma tartaruga e com gosto de picolé de chuchu. Não tem jeito, é assim mesmo. Quando não se ama o que se faz, é exatamente o que ocorre.

    Isso acontece, infelizmente, com muitas pessoas. Existe hoje uma legião de pessoas infelizes nos seus empregos. Parte porque está infeliz com seus chefes ou com os rumos da empresa. Mas uma grande parte porque simplesmente não estão trabalhando naquilo que deveriam, ou seja, não descobriram ainda a sua real vocação.

    Quando trabalho o tema “gestão de carreira” nas minhas aulas tenho procurado motivar os alunos a fazerem um grande investimento de tempo e de energia na busca dessa resposta – “O que realmente gosto de fazer e faria, pelo resto da minha vida, com um prazer enorme?”. Este investimento em autoconhecimento é, na minha visão, um dos mais inteligentes que alguém pode fazer hoje. Ferramentas existem. Basta querer e estar convencido de que este é o único caminho para uma carreira de sucesso. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS

     

  • Pimenta nos olhos dos outros não dói

    Pimenta nos olhos dos outros não dói

    “Não questione um dano causado ao outro. Desculpe-se e ponto”

    Sabe aquele período onde um tema impera e parece te perseguir? Pois bem, nesta última semana houve um desses na minha vida. Cinco situações que presenciei, em menos de sete dias, onde o pano de fundo era rigorosamente o mesmo. Alguém faz (ou diz) algo que magoa muito outra pessoa, ou faz comentários rasos e equivocados sobre o trabalho de outro. Esta segunda pessoa, a vitima, fica triste, manifesta a sua insatisfação/decepção e ainda tem que ouvir: “Nossa, não achei que isso fosse te magoar tanto. Você não acha que está exagerando?”.  

    Conhece histórias semelhantes? Provavelmente até já passou por isso. Pois bem, vamos analisar o fenômeno em linhas gerais, sem entrar em detalhes em nenhum caso específico. Para alguém magoar outra pessoa e ainda fazer esta pergunta, responda-me: O que está lhe faltando e que representa um erro gravíssimo? Pare um pouco e pense.

    A melhor forma de responder é a seguinte: Você pega um vidro de pimenta, joga no olho de alguém e fica se perguntando o porquê do grito ou da dor. Entendeu? Esta metáfora resume tudo. O único detalhe (sórdido) que explica a pergunta absurda é que os olhos não são os seus. Se fossem, a conversa seria um pouquinho diferente, não acha? De fato, pimenta nos olhos dos outros não dói nos meus.

    Tenho escrito muito sobre esta palavra mágica chamada EMPATIA, que é pouco conhecida, compreendida e usada. Esta é a palavra que vejo ser usada com muita economia, quando na verdade deveria ser usada sem economias. Tenho até dito para algumas pessoas próximas que acredito tanto na força desse termo que se 10% da população mundial aplicasse diariamente, metade dos problemas da humanidade seriam resolvidos. Mais uma vez, chovendo no molhado, empatia significa você pegar os seus pés e colocar no sapato do outro. Ao fazer isso, você saberá exatamente onde dói. Empatia é se colocar no lugar do outro, sentir a dor do outro, avaliar as coisas com os olhos e com os sentimentos do outro. Não é fácil, mas é o (único) caminho para se construir relacionamentos duradouros, sejam eles profissionais ou pessoais. Quem não desenvolve esta habilidade, vive pisando na bola, vive magoando outras pessoas. Muitas das vezes, sem perceber e sem maldade, mas quando vê, pimba! Deu uma bola fora e perdeu pontos com alguém. E isso, como prática corrente, acaba minando várias coisas ao longo do tempo, dentre elas a confiança.

    O grande desafio é, além de entender claramente que as pessoas são diferentes e possuem sentimentos diferentes, estar sempre 100% concentrado para não cometer deslizes dessa natureza. É preciso sempre se perguntar “Como eu me sentiria se fizessem isso comigo?”. Este já é um bom começo. Se as pessoas se fizessem essa pergunta várias vezes ao dia, garanto que não fariam ou falariam várias coisas que geram desgosto e decepção em outras. Não é difícil, mas dá trabalho. Exige atenção e concentração, coisas que poucos estão dispostos a ter.

    Minha dica dessa semana é esta. Fique atento. Liste e escreva as 10 coisas que mais te magoariam se fizessem com você. Comece por aí e concentre-se para não fazer o mesmo com outros. O segundo passo é listar as pessoas mais importantes da sua vida pessoal e profissional e escrever as mesmas 10 coisas que mais as magoariam ou as decepcionariam. De novo, concentre-se e nunca faça ou diga estas coisas. Não é difícil. Conhecimento, atenção e concentração. Estes são os ingredientes para se ter empatia. Quem tem, vai longe e sempre ganha pontos. Quem não tem, vive dando bola fora e acumulando saldo negativo na conta corrente dos relacionamentos.

    E se algum dia, por falta de concentração ou outra infelicidade qualquer, você pisar na bola com alguém, não faça outra coisa a não ser pedir desculpas. Pelo amor de Deus, nunca queira minimizar o dano ou pergunte se a pessoa não está exagerando. Por favor, não faça isso. Afinal, a pimenta não caiu nos seus olhos. Entendeu? Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Bom hoje x Ótimo amanhã

    Bom hoje x Ótimo amanhã

     

    “Melhor um bom começo do que começo nenhum”

    O que é melhor, fazer algo bom hoje ou ótimo amanhã? O que faz uma carreira decolar mais rapidamente, projetos bons hoje ou projetos ótimos amanhã? O velho ditado que diz que “a pressa é inimiga da perfeição” quer dizer o quê? Devemos buscar, como padrão na nossa carreira, a rapidez imperfeita, a perfeição demorada ou um equilíbrio entre as duas? O que você acha?

    Este tema tem sido um causador de insônia em muita gente que conheço. Esta pergunta é feita a mim com muita frequência, direta ou indiretamente, em minhas aulas e palestras sobre planejamento de carreira. Sempre gosto de tratar deste tema com meus alunos porque entendo que todos devam analisar, refletir e se posicionar em relação a ele. É uma escolha difícil, na maioria dos casos, mas tenho a minha opinião convicta há anos e nada me fez mudá-la até hoje.

    Antes de dizer qual é e dar as minhas dicas, quero que você reflita sobre um ponto. Escolha umas dez pessoas do seu ciclo (pessoal ou profissional) e faça a seguinte pergunta: – O que você gostaria de ter em maior quantidade hoje? Obviamente muitos vão responder “dinheiro”, mas você se surpreenderá com a quantidade de respostas que mencionarão “tempo”. Pode observar que, a maioria que parar para pensar antes de responder, escolherá o “tempo”. Este hoje é, sem sombra de dúvidas, o recurso mais escasso e mais perecível que nós temos. Não só porque ponteiro de relógio não anda para trás, mas principalmente porque este século está cheio de oportunidades e mudanças tão rápidas que a dimensão do tempo não acompanha. O relógio anda na mesma velocidade desde sempre, mas o mundo está mais rápido a cada dia e faltam horas para darmos contra de tudo. A gestão do tempo hoje é algo tão complexo, mas tão complexo, que a maioria das pessoas que conheço se perde na avalanche de oportunidades e acaba não aproveitando quase nenhuma. Isso porque, na minha visão, lhes falta uma única coisa: coragem de embarcar nesse trem chamado “século XXI”. Um trem-bala que anda numa velocidade que poucos conseguem acompanhar.

    Pois bem, a minha opinião está dada. Sou fã da velocidade. Acredito que, na imensa maioria dos casos, o bom hoje é melhor, muito melhor, do que o ótimo amanhã. O bom hoje dá resultado hoje. O ótimo amanhã já chega atrasado e talvez nem dê resultado algum, dependendo do caso. E mesmo que o resultado seja melhor amanhã, perdeu o pioneirismo, tão importante em um mundo rápido como o de hoje. E tem mais, escolher pelo bom hoje não significa que não podemos melhorá-lo amanhã ou ao longo da jornada. Podemos sim. E esta sempre foi a minha pegada ao longo de toda a minha carreira. Tenho algo bom e que se sustenta? Então quero colocar o bloco na rua hoje, sem delongas. O ótimo, buscamos ao longo da implementação do que já é bom. Mas não perco uma oportunidade sequer de fazer as coisas rapidamente. O mundo atual tem premiado mais os mais rápidos e punido os lentos. Disso não tenho nenhuma dúvida. Acompanho a carreira de muitos alunos e ex-alunos. Os mais rápidos estão sempre na frente nessa maratona chamada carreira. Repito: Este século está sendo impiedoso com os lentos e com os que só querem entrar no jogo quando o time estiver perfeito. Desculpem-me estes, mas time perfeito não existe. E se for esperar até ele chegar, o mundo acaba e você vai morrer sem um troféu de campeão.

    Reflita, forme a sua opinião e escolha um lado do muro. Não vou ficar bravo se você escolher o outro lado, mas alerto: Se for optar por essa pegada de só colocar uma ideia em prática quando ela estiver 100% perfeita, não se assuste se alguém sair na frente com algo simplesmente bom e matar o seu projeto ou a sua ideia. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • A Lei da Compensação

    A Lei da Compensação

     

    Certa vez um jovem executivo, amigo meu, contou-me que alguns de seus colaboradores estavam insatisfeitos com seus salários. O discurso corrente era algo como “O que eu ganho se eu tiver um desempenho superior no que eu faço hoje?”.  Em termos práticos, acontecia, por exemplo, que o comprador não via razões para se empenhar mais em realizar compras com descontos fantásticos para a empresa, pois, afinal de contas, o que ganharia com isso? Melhor era ter um resultado simplesmente “bom” com um esforço “normal”.  E assim acontecia com diversos outros funcionários.

    Eu lhe perguntei sobre os salários… Estavam em desacordo com a prática do mercado na região? Não estavam. Havia desequilíbrio interno? Não havia. Então qual o motivo de tal postura?

    Descobri que o próprio executivo, de certa forma, concordava com eles. Quando o abordavam a respeito, sempre dizia que iria estudar a situação, que era importante ter profissionalismo, que no futuro as coisas poderiam ser diferentes, etc.

    O líder da equipe não sabia enxergar a questão de outra forma. Estava contagiado pelo discurso do seu próprio time. Procurei refletir com ele. Pedi que assumisse o papel de um colaborador e se dirigisse a mim com a questão. O diálogo seguiu mais ou menos assim:

    – Executivo: Por que eu deveria realizar meu trabalho da melhor forma possível? Por que ter um desempenho extraordinário? O que ganho com isso?

    – Eu: Se não é isso o que você vem fazer todos os dias na empresa, então o que vem fazer aqui?

    – Executivo: …

    – Eu: …

    Ele entendeu o recado. Espero que a equipe tenha entendido também. No mundo corporativo há uma espécie de “Lei da Compensação”. Primeiro nos dedicamos, alcançamos um resultado superior, e só então a recompensa vem. Se não vier, devemos saber nos colocar diante da situação e direcionarmos nossa carreira na empresa em que estamos ou em outros caminhos. Além disso, se estivermos realmente descontentes onde estamos, temos mais uma razão para realizar um trabalho extraordinário. Ganhamos visibilidade, indicações, e nossa imagem será favorável para novas oportunidades. Motivos suficientes?

    Grande abraço, e sucesso!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • Um profissional e dois empregos

    Um profissional e dois empregos

     

    “Uma atividade paralela remunerada. Vale a pena?”

    Hoje escrevo para responder a uma pergunta que o leitor assíduo, Wagner Romero, me fez por email. Ele me questiona sobre o fato de alguns profissionais que trabalham formalmente em uma empresa possuírem atividades paralelas remuneradas. A sua dúvida diz respeito à validade dessa estratégia, se isso representa um hobby ou uma renda extra, e, obviamente, se é bom ou ruim para a carreira.

    Bom, há dois pontos de vista que devem ser observados antes de você se posicionar contra, a favor ou se vai adotar ou não esta estratégia. O primeiro dele reza que é saudável ter sempre um plano B na carreira. Um dos maiores defensores dessa estratégia, inclusive, é um dos caras mais ricos do mundo – Warren Buffet. Ele escreveu cinco frases para explicar como construiu a sua fortuna, começando quase do zero. Uma delas é sobre ganhos: “Nunca dependa de uma única fonte de renda”. Nesse sentido, ter uma segunda atividade remunerada é muito bom e saudável. Não precisamos debater muito sobre as vantagens, concorda? Se você tem outra atividade remunerada, nunca ficará desempregado. Se perder uma, tem a outra. Além disso, uma segunda atividade ajuda a reforçar o orçamento, aumenta a capacidade de poupança e pode representar um belo atalho para a sua aposentadoria financeira. Eu mesmo, há 16 anos, tenho duas atividades. Compartilho as minhas atividades executivas com a minha carreira de professor. Além de ser a minha paixão maior, a carreira docente me dá alguma renda extra, muito bem-vinda. Conheço pessoas que trabalham em empresas e que possuem uma participação societária em um pequeno negócio, com um amigo ou parente. Estas relatam que participam indiretamente da gestão, normalmente em algumas noites ou partes do final de semana, e que se sentem bem ajudando a criar uma empresa e fazê-la crescer. Já ouvi de várias pessoas nesta situação que pretendem um dia se dedicar exclusivamente a este negócio.

    O outro ponto de vista é a questão do foco. Tenho escrito aqui regularmente sobre o tema. Este século está sendo impiedoso com quem não tem foco. Com quem quer fazer várias coisas e acaba não fazendo nada bem. O amadorismo tem sido punido com a morte nestes dias atuais. Neste sentido, ter duas atividades nos coloca em uma situação de risco. Estaríamos, no caso, querendo abraçar o mundo e fazendo tudo mal feito?

    Qual é a minha visão sobre o tema? Particularmente gosto da ideia de duas atividades, desde que algumas regras sejam estabelecidas e respeitadas. A primeira é que uma não prejudique a outra. Não é certo usar o tempo de trabalho na empresa para tocar assuntos que não dizem respeito ao seu trabalho, muito menos se for outro negócio. Segundo, esta outra atividade deve lhe ajudar de alguma forma a ser mais produtivo ou mais criativo na atividade principal. Em outras palavras, o ideal é que estas atividades se complementem. As minhas aulas sempre me ajudaram muito no meu trabalho principal. Este sempre foi um espaço onde me mantive atualizado sobre as novas técnicas de gestão, tendências e ferramentas. Isso sempre me ajudou muito. Mas conheço pessoas que trabalham em áreas administrativas e são sócias de um pequeno negócio sem nenhuma sinergia com sua atividade, mas que conseguem, ao participar de algumas decisões e analisarem resultados financeiros e de mercado, se tornar profissionais mais completos no seu trabalho em função de terem um “braço empresarial”.

    É isso, pense, reflita e decida sobre qual é o melhor caminho para a sua carreira. Não há certo nem errado. Só não cometa um erro básico e fatal – o de não buscar a excelência em tudo o que fizer. Se você conseguir fazer mais coisas com o seu tempo e com as suas competências, não vejo razão para não fazer. Além de um pouco mais de grana, você pode colecionar novas competências e experiências para a carreira e para a vida. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Resistência à mudança

    Resistência à mudança

     

    “Não existe história na zona de conforto”

    Pare um pouco e pense nos melhores filmes aos quais você já assistiu. Continue o exercício e pense nos melhores livros que já leu e nas pessoas mais interessantes que já conheceu. Por acaso você se apaixonou por algum filme ou livro que conta a história de alguém que viveu, do nascimento à morte, na zona de conforto? As melhores histórias se passam em quais circunstâncias? Já as pessoas mais interessantes que você conheceu, que histórias têm para contar? Que experiências viveram?  São pessoas que viveram na mesmice ou que enfrentaram desafios? Mais uma vez, pare um pouco e pense.

    Não será difícil concluir que todas as grandes façanhas e as mais belas histórias são contadas por sujeitos que superaram obstáculos enormes, compraram algumas brigas e enfrentaram as mudanças com criatividade e esforço. Aliás, estas são as pessoas mais interessantes – as que têm boas histórias para contar. Filmes, livros e histórias pessoais que relatam o trivial, o comum e o “mais do mesmo” são o pão com manteiga da crônica moderna. Histórias boas são as histórias que nos tocam, que nos desafiam, que nos inspiram. O resto não tem muita graça.

    Hoje vivemos em um castelo de cartas. A velocidade de mudanças imposta pela tecnologia e pela quebra das fronteiras culturais tem transformado o mundo no reino do imprevisível. “Tudo muda o tempo todo no mundo”, como diziam Lulu Santos e Nelson Motta. Este é o  habitat é perfeito para bichos que têm o poder de se adaptar. Ao mesmo tempo, é impiedoso com a fauna que quer sempre fazer o mesmo, que não está atento ao que vem por aí ou que se recusa a abandonar receitas do passado a fim de aprender a “cozinhar novos pratos”.

    No fundo, na minha humilde visão, trata-se de uma festa. Uma festa onde todos estão convidados a participar. Uma festa onde quem entra tem emoção garantida e, é claro, muito, muito aprendizado. Aliás, que sentido teria a vida se não aprendemos sempre? Pouco.

    Neste contexto, há aqueles que se pautam pela prudência excessiva e que calculam cada passo. Não vou dizer que este sujeito não mereça crédito, ou elogio. Merece. No entanto, não conheço ruas, praças, ou monumentos com nome  de demasiado prudentes. Entra para a história quem ousa, quem arrisca e quem está sempre em profunda transformação.

    Dito isso, convido você a uma reflexão sobre como anda encarando este ambiente de mudanças. Se a sua empresa passa por um momento de mudanças, bem-vindo ao século XXI. Não se esquive. Não fuja, até porque não para onde fugir. Não há um endereço hoje onde reina a paz e a tranquilidade. E se, por acaso, alguém lhe falar que este lugar existe, não vá para lá. Vai por mim, não vá. Primeiro porque lá você não vai crescer e não vai aprender coisas novas. Segundo, porque provavelmente este lugar sumirá do mapa em breve e você ficará na mão. Faça o que todos devem fazer. Entre na dança, acorde todo dia disposto a aprender algo novo e a jogar fora, se necessário, tudo que funcionou no passado mas que hoje não funciona mais. Abra-se para o futuro e para as novas ideias. Corte do seu vocabulário termos como “sempre foi assim”, “isso não vai funcionar”, “pra que mudar?”. Estes termos só levam para um lugar – a inércia. Venha dançar a nova música e construir novas histórias. O mundo vai acontecer no futuro, não no passado. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS