Categoria: Carreira

  • Bananas e a sua carreira

    Bananas e a sua carreira

    “Faça como o Daniel Alves. Coma a banana e siga o jogo”

     

    Esta última semana foi marcada pela resposta do lateral direito do Barcelona, o brasileiro Daniel Alves, quando torcedores racistas jogaram uma banana no campo, bem ao lado de onde ele bateria um escanteio. A cena, onde ele pega a banana no gramado, descasca, come e bate o escanteio ainda com a boca cheia, foi emblemática e marcante. Rodou o mundo e inspirou até a campanha “Somos todos macacos”, que fez um relativo sucesso nas redes sociais. Se você não viu, procure na net e assista. Vale a pena.

    Bom, mas o que isso tem a ver com a sua carreira? Na minha visão, você pode tirar muitas lições deste fato para a sua carreira. Para explicar, vamos voltar um pouco no tempo… Casos de racismo no futebol não são raros e muito menos recentes. Há times sendo punidos quase que mensalmente por causa de atitudes como esta por parte dos seus torcedores. As vitimas, jogadores negros, sempre reagiram com indignação. Alguns deles, como o atacante Eto´o (do mesmo Barcelona na época), chegaram a sair de campo chorando ao serem chamados de macacos. Não os condeno por terem feito isso. Eu mesmo nem sei como reagiria em uma situação como esta. Mas precisamos refletir aqui sobre o que desperta e o que realimenta atitudes racistas, bem como várias outras na dimensão pessoal e profissional. Na minha visão, um dos ingredientes básicos é a importância que lhes é dada. É como apelido na escola. Um tio meu uma vez me falou. – Quando te colocarem um apelido e você não gostar, ria com eles e não dê importância. Nunca fique bravo ou demonstre estar incomodado. Se fizer isso, aí que vai pegar. Batata! É exatamente isso que acontece.

    No caso do Daniel Alves, a resposta foi, genuinamente: – Danem-se! Isso não me atinge! É lógico que ele não ficou feliz. É lógico que isso é um insulto, um absurdo e que merece ser punido duramente. Mas este tipo de resposta, aliada a uma atitude posterior de foco no que realmente importa, é fantástica. Além disso, ela calou a boca do “agressor” de uma forma tão sutil e inteligente que encanta.  Veja, não estou dizendo que não devamos nos indignar com determinadas coisas. O que estou dizendo é que, às vezes, a melhor resposta chama-se “indiferença”. Este tipo de gente se alimenta da indignação e da tristeza dos outros. Quando respondemos com indiferença, é uma tapa na cara e uma decepção enorme para quem ofendeu. Acredite, a indiferença machuca muito.

    No ambiente de trabalho e ao longo da nossa carreira, por várias vezes somos subjugados ou ofendidos pela manada de incompetentes e pessimistas de plantão. Este tipo de gente existe em todos os lugares e em todas as empresas. E, quando miram a sua maldade para o nosso lado, elas querem exatamente nos tirar a paz, o foco e a nossa determinação, às vezes simplesmente por inveja. Na maioria dos casos, se dermos bola, como no caso do apelido na escola, elas ganham força e motivação para continuarem nos enchendo de maldades. Se, ao contrário, ignorarmos e usarmos esta raiva para produzir ainda mais e brilhar ainda mais, estas cobras peçonhentas vão sumindo do mapa e da nossa vida. Parece louco, mas é a pura verdade. A melhor resposta para quem nos joga uma banana é comer a banana.

    Pense nisso durante esta semana. Tente rever as suas posturas em relação àqueles que te querem o mal e que não perdem uma chance de tentar te jogar para baixo. Na vida pessoal, você tem a opção clara de deletar esta pessoa da sua vida. Na vida profissional, nem sempre isso é possível. Então o melhor é transformar estas pessoas em paisagens. Fingir que elas não existem e seguir o seu caminho, focado no seu trabalho e nos resultados que precisa produzir. Se a ofensa causar raiva em você, canalize-a para produzir ainda mais e depois calar a boca dessa turma com o que realmente interessa, resultados. Portanto lembre-se sempre: Quer matar de raiva uma pessoa do mal? Ignore-a! Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • O bom é inimigo do ótimo

    O bom é inimigo do ótimo

    “Não exagere nas análises. Chegou numa encruzilhada, escolha a direção e vire”

     

    Nesta semana que passou tive três encontros com ex-alunos meus de MBA. Coincidentemente recebi três convites para um café na mesma semana e a agenda me permitiu aceitar os três. Sempre gosto de reencontrar ex-alunos e saber sobre suas carreiras e desafios. Além de um bom papo, estas conversas me “alimentam” de informações sobre o mercado e as angústias que perseguem as pessoas nas diferentes fases da carreira. Nestes casos, se eu tivesse gravado as três conversas, você se assustaria com o resultado. Todas absolutamente iguais, em forma e conteúdo. Em cada caso, um profissional entre 30 e 40 anos, com boa formação acadêmica, um MBA no currículo, um bom cargo e um bom salário. Porém todos com as mesmas queixas. – Estou desmotivado e sem perspectivas na empresa. – Acho que o meu ciclo se encerrou nesta empresa e preciso de novos desafios. – Preciso dar um rumo mais sólido para a minha carreira, mas não sei por onde começar. 

    Conversando com um amigo após estes encontros, fiz até uma analogia com a chamada crise que (diz a lenda) as mulheres vivem aos 30 anos, onde precisam decidir coisas rapidamente (casamento, filhos etc) porque parece que o tempo vai se esgotar. Sabe aquela pressão psicológica em relação a tempo que nos rouba horas sagradas de sono? Sei lá, a analogia pode não ser das melhores, até porque não podemos nunca generalizar nada, mas parece que homens e mulheres, de uma maneira geral, se cobram muito em algumas idades em relação a pontos muito específicos ligados à vida ou à carreira.

    Nestes casos citados, o que mais me chamou a atenção (e me incomodou) foi uma preocupação excessiva com a questão de “por onde começar?”. Em um deles, a pessoa tem plena consciência de que precisa turbinar o inglês para poder concorrer a posições mais ousadas. E a dúvida é se passa um período fora do Brasil só estudando inglês ou se investe e mum curso aqui mesmo, em regime de urgência. Em outro caso, a dúvida cruel era se espera uma oportunidade de promoção na empresa atual (já sinalizada pelo chefe, mas que não acontece de fato) ou se começa já a se mexer. Já em outro, a dúvida é se faz outro investimento na formação (outro MBA) ou se começa um Coach de carreira.

    São dúvidas bem pertinentes. Todas elas. Porém, vi em todos um certo sofrimento excessivo em relação a cada decisão. Como se estivessem parados em uma encruzilhada há um bom tempo, sem decidirem para que lado virar. Não tardei a perguntar (a todos) durante quanto tempo estas questão estão os martirizando. A resposta é assustadora. Muito tempo. Meses.

    Decidir nem sempre é fácil. Confesso que já passei por tantas noites mal dormidas em função de decisões que tinha que tomar e que me sentia travado, que perdi a conta. Mas de um (bom) tempo pra cá concluí que não há equação no mundo que consiga prever resultados de decisões. Tudo tem o seu risco. Tudo tem o seu ônus e o seu bônus. Mas uma coisa eu concluí e venho defendendo com muita ênfase nas minhas aulas e conversas com quem pede a minha opinião: O preço de não decidir é sempre o mais alto de todos. O muro é o pior lugar para estar. A velocidade com que as coisas acontecem no mundo atual tem penalizado muito quem fica querendo checar tudo antes de decidir, como se quanto mais tempo levar para decidir, melhor será a decisão e menor será o risco. Pura ilusão.

    No final das minhas três conversas com meus ex-alunos, disse a todos a mesma coisa: – O fato de você estar incomodado já é louvável. O incômodo com o status atual é o primeiro passo para grandes mudanças. Mas pare de pensar demais e comece a agir. Escolha, decida e não olhe para trás. Se der certo, comemore. Se der errado, chore, contabilize o prejuízo e decida de novo, rapidamente.

    Este é o meu recado desta semana. Quantas decisões você não está empurrando com barriga, na esperança de que uma luz vai surgir e te mostrar o melhor caminho? Não vai. Esta decisão é sua. Não se esquive e nem terceirize. E, acima de tudo, não postergue demais. A vida e a carreira precisam ser vividas com intensidade e determinação. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
  • Escolhas x Renúncias

    Escolhas x Renúncias

    “Quem não aprender a dizer NÃO terá sérios problemas nesta década”

     

    Tenho escrito e falado tanto sobre “foco” que esta palavra às vezes me cansa. Mas parece que quanto mais falo (ou escrevo) sobre ela, mais pessoas aparecem ignorando-a e me deixando com mais vontade ainda de colocá-la no palco. Só que desta vez quero tratar deste tema com outro olhar. Por um outro ângulo. Assim, quem sabe consigo convencer mais algumas pessoas de que este século premiará mais quem souber dizer não e fazer as escolhas certas.

    O pano de fundo é um só: O momento histórico atual, como raramente visto na história da humanidade, está repleto de oportunidades. Oportunidades para quem quer trocar de emprego, para quem quer abrir o seu negócio, para quem quer explorar outros mercados, para quem quer verticalizar seus negócios, para quem quer se internacionalizar, para quem quer qualquer coisa. Uma verdadeira overdose de oportunidades. É tentador viver em um mundo assim. Já perdi a conta de quantas pessoas ou empresas bateram à minha porta para propor projetos a mim e ao meu sócio. Novos mercados, novos segmentos, novos produtos, parcerias, sociedades etc.

    Por outro lado, estamos com 7 bilhões de pessoas no mundo, cada vez mais gente entrando no mercado de trabalho e cada vez mais pessoas querendo abrir o seu negócio. Ou seja, uma competitividade também sem precedentes. Com as fronteiras comerciais cada vez mais tênues, a competividade global tem sido impiedosa com as empresas e profissionais amadores. Nunca foi tão crítico ser profissional e muito bom no que se faz. Não dá mais para esconder ineficiências. Nem as empresas nem, muito menos, os profissionais. A competividade está tão grande que hoje o termo “excelência no que se faz” é um imperativo. E é exatamente este nó que quero puxar.  Pense um pouco e responda: Quem (em tese) tem mais chances de se tornar o melhor pianista do mundo? Alguém que se dedica 100% do tempo a tocar piano ou alguém que divide seu tempo (e sua energia) em aulas de três instrumentos (ex: Piano, violão e saxofone)? A resposta é quase matemática. E este exemplo está aí, a olhos nus, para quem quiser ver, no mercado em geral. Este mal, de querer fazer tudo e no final não conseguir fazer nada bem feito, atinge uma população que nem sei dimensionar o tamanho. A tentação de nunca dizer não a uma oportunidade nova é, ao mesmo tempo, boa e ruim, que pode se transformar em uma armadilha muito perigosa e que tem “matado” muita gente e muita empresa por aí.

    Tenho visto tanta, mas tanta gente e tanta empresa caindo nessa armadilha, que até escrevi uma frase que tenho usado em quase todas as minhas aulas e palestras. “O sucesso hoje e no futuro estará mais associado à nossa capacidade de fazer renúncias do que de fazer escolhas”.

    Pense, analise e forme a sua opinião. A minha está formada e duvido que alguém me convença a mudar. Só acredito que terá sucesso, em qualquer coisa que for fazer na vida, alguém de se dedicar com prioridade absoluta a esta “causa”. Este século está sendo, e será ainda mais, cruel com quem não tiver foco. E para se ter foco, é preciso aprender a dizer NÃO. Temos que ter muito claros quais são nossos objetivos e tirar da frente tudo o que estiver no caminho, principalmente as tentações que vão aparecendo diariamente e que nos convidam para “novas oportunidades” e que, na visão de muitos, podem ser conciliadas com os desafios atuais. Não podem! Acredite nisso, não podem! E quem achar que sempre dá para fazer mais alguma coisa, entrar algum outro negócio ou começar uma outra batalha paralela profissionalmente, lamento informar, mas vai se dar mal, muito mal. Escolha algo que goste de fazer, que lhe der prazer e se dedique a isso. Procure ser o melhor ou estar entre os melhores. Ao resto, diga NÃO. Isso vale para tudo, até para as suas escolhas pessoais, como seus amigos e a pessoa com quem você quer construir uma família. Dedique-se a uma única causa, seja ela qual for. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Taça de cristal

    Taça de cristal

    “Cuide bem da sua taça de cristal”

     

    O tema não é novo. Tenho tratado dele, mesmo que indiretamente, em vários momentos aqui neste espaço. Falei dele quando tratei de Etiqueta empresarial, Gestão de pessoas, Liderança de equipes, entre outros. Na verdade, ele é pano de fundo para quase tudo relacionado à gestão de carreiras. Mas hoje resolvi dedicar uma reflexão inteira sobre um assunto que andou me rodeando nas últimas semanas. Refiro-me aos fenômenos da construção e da destruição.

    Destruir é muito fácil. Construir, muito difícil. Para construir são necessários dias, meses ou até anos. Para destruir bastam segundos. Para construir, precisamos de “ferramentas”, energia, tempo, dedicação, paciência e comprometimento. Para destruir, às vezes uma palavra ou um gesto bastam.

    Com um fósforo em um pouco de álcool, destruo em segundos um quadro de Leonardo da Vinci. Com alguns Kg de dinamite, faço virar pó em segundos um prédio de dezenas de andares. Com um chute, transformo em cacos uma peça de cristal. Com um balde de água, destruo um belo castelo de areia edificado na praia por um artista durante horas. No campo das relações pessoais e profissionais, da imagem pessoal e profissional, a regra é rigorosamente a mesma. Levamos anos para construir amizades, relações profissionais sólidas e para termos um reconhecimento por uma ou mais competências. Mas, assim como nos exemplos citados acima, em segundos tudo isso pode virar pó, dependendo de como gerenciamentos estes ativos construídos ao longo do tempo.

    Nesta semana tenho pensado muito neste tema. Em uma conversa recente com um amigo, discutíamos o caso de uma empresa que, ao longo muitos anos construiu uma imagem no mercado fantástica e uma reputação inquestionável, às custas de muito trabalho, muita dedicação e muito foco por parte de uma equipe competente e comprometida. Mas que, por razões que nem vêm ao caso, iniciou um processo de destruição de todo este ativo a tal ponto que chega a assustar. O foco principal da minha conversa se resumia em uma frase: Nossa, como levou tempo para construir e como a destruição está sendo rápida.

    Casos como este não são raros, nem também somente no âmbito empresarial. Diariamente pessoas, às vezes desavisadamente, transformam em pó um ativo que possuem e que levaram anos para construir, seja uma relação pessoal, profissional ou uma imagem própria de alto valor. Creio que isso acontece por duas razões: Primeiro porque nem todas as pessoas têm a noção de que algumas coisas são irreversíveis. Como disse Millôr Fernandes, “Viver é desenhar sem borracha”. Ou seja, fez está feito. Falou está falado. Não tem volta. Segundo, na minha humilde visão, esta consciência de que não se deve brincar com coisas que levaram anos para serem construídas, também não foi muito democratizada. E como se algumas pessoas adorassem fazer malabarismo com taças de cristais, achando que não vão cair nunca. E, em um belo dia, uma cai.

    Esta é a minha síntese. Sei que estou chovendo no molhado, mas quero mais uma vez recomendar que você preste mais atenção nas suas taças de cristal e cuide bem delas. Uma boa imagem demora anos para ser construída e segundos para virar pó. Não corra esse risco. Tenha sempre muita atenção e concentração ao lidar com questões que possam arranhar a sua imagem pessoal e profissional, pois este é o seu maior ativo. Esse é o único caminho – concentração. Porque depois que a destruição começa, não tem mais volta. Taça de cristal quebrada não tem solução. Cuide bem da sua. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
  • Para que serve um currículo?

    Para que serve um currículo?

    “Você sabe qual é a principal função de um currículo?”

     

    Recentemente postei duas vagas na minha página do facebook. Uma para a área comercial da minha empresa e outra para uma vaga em SP, a pedido de uma amiga que estava em busca de um gerente de marketing. Duas vagas legais, com salários legais e ótimas oportunidades de crescimento. Nos posts havia todas as informações relativas às mesmas, deixando bem claras quais eram as competências requeridas, área de atuação, responsabilidades, salário etc. Em cada posthavia um endereço de email para que os interessados enviassem seus currículos. No caso da nossa vaga, já escolheríamos diretamente quem iríamos chamar para a entrevista. No outro, combinei com a minha amiga que faria uma triagem inicial e enviaria para ela apenas os currículos que estivessem alinhados com o perfil da vaga.

    Bom, confesso que fiquei surpreso ao imprimir e analisar todos os currículos. Mais da metade sequer preenchia os requisitos mínimos das vagas, mas estavam ali. Alguns, para minha perplexidade, pareciam nem ter lido as especificações. Um deles enviou, para a vaga comercial, o seu currículo cujo objetivo era, textualmente, “atuar na área de produção e controle de qualidade”. Juro, quase liguei para o cidadão para perguntar por que ele me enviou o seu currículo. Nem perdi meu tempo, mas que deu vontade, deu.

    Depois de excluir estes desavisados, fomos analisar os que estavam minimamente perto do perfil. A decepção continuou grande. Erros grotescos de português, formatações estranhas, informações incompletas etc. Em um deles havia inclusive a foto da pessoa. Nada contra fotos em currículos, embora não recomende, mas a escolha neste caso não poderia ter sido pior. Recuso-me a descrever…

    Já escrevi dois artigos sobre elaboração de currículos (parte I e II) aqui neste espaço. Caso não tenha lido, posso enviar por email. É só me escrever. Nestes textos, oriento na elaboração de um currículo para que ele fique minimamente vendedor e completo. Agora tenho uma pergunta: Por que você acha que usei o termo “vendedor” na frase anterior? Pense um pouco….

    A resposta a esta pergunta responde automaticamente a esta: “Você sabe qual é a principal função de um currículo?”. A minha resposta: “Para fazer com que a pessoa que leia tenha vontade de me convidar para uma entrevista”. Só isso. Currículo serve, fundamentalmente, para despertar o interesse em conhecer pessoalmente o candidato. Portanto as informações que ali estão devem ser colocadas, em termos de conteúdo e estética, de forma a despertar interesse. É na entrevista que as pessoas são contratadas. É na entrevista que as pessoas conseguem, olho no olho, mostrar suas competências, falar das suas conquistas, suas experiências e seus potenciais. Currículo não emprega ninguém, mas é ele que abre a porta. Ele ó ticket para entrar no jogo.

    Portanto muito cuidado e muito zelo ao elaborar e também ao enviar o currículo para alguém. Currículos mal elaborados têm endereço definido – lixo. Currículos que não atendem aos requisitos de uma vaga, não devem ser enviados. Se a vaga está muito aberta, tudo bem. Há empresas que deixam o perfil mais genérico exatamente para conhecer pessoas com conhecimento e experiências mais amplas. Mas há empresas e situações em que o perfil está bem definido e claro. Nestes casos, enviar o currículo só para constar é perda de tempo. E digo mais, acho que antes de enviar um currículo para uma vaga, a pessoa deve reler e fazer ajustes no texto, buscando utilizar palavras-chave que façam referência àquela vaga. Isso lhe dá mais chances de ser lido e considerado. Li uma pesquisa recente que mostra que os recrutadores levam em torno de 6 segundos por currículo nesta fase de triagem. Ou seja, é muito pouco tempo para que o seu currículo mostre que vale a pena ser lido e considerado, concorda?

    É isso por hoje. Releia o seu currículo com frequência. Mantenha-o atualizado. Ele é o seu cartão de visitas. Lembre-se, ele serve para abrir portas, não para fechá-las. Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
  • Agradecer

    Agradecer

    obrigado

    “Um gesto simples, educado e inteligente”

     

    Há quatro meses uma ex-aluna me ligou perguntando se eu poderia escrever uma carta de recomendação para ela concorrer a uma vaga em uma universidade nos EUA. Logo me prontifiquei e escrevi a carta. Assinei, deixei no meu escritório e ela veio buscar. Não nos encontramos mais. Pra falar a verdade, nem me lembrava mais disso, tamanha a correria em que me encontro nos últimos meses. Mas esta semana recebi uma ligação dela. As palavras foram simplesmente estas: “Oi, tudo bem? Liguei para te contar que fui aceita na faculdade nos EUA, que viajo em dois meses para começar o curso e para te agradecer imensamente pela carta de recomendação que você fez. Com certeza ela me ajudou a conquistar a vaga”. Respondi que não precisava agradecer, dei os parabéns, desejei boa sorte e pronto. A ligação durou menos de 3 minutos.

    Logo após desligar, parei um pouco e pensei em como algo tão simples de ser feito e tão gentil é negligenciado por tantas pessoas. Fiquei neste momento tentando lembrar e fiz uma lista enorme de pessoas que, nos últimos seis meses, poderiam (ou deveriam?) ter me ligado ou enviado um email simplesmente para dizer obrigado. Não que eu tenha feito inúmeras cartas de recomendação, mas falo de coisas simples como repassar um contato, apresentar uma pessoa, indicar para uma vaga etc.

    Não sou especialista em comportamento humano, mas vejo que a gratidão foi bem menos democratizada na humanidade do que a capacidade de pedir. Há pessoas que pedem com uma competência enorme e agradecem (quando agradecem) com um amadorismo de jogo de várzea. Parece que quem ajudou não fez mais do que uma obrigação, quando na verdade dedicou uma parte do seu tempo para fazer algo que não tinha a menor obrigação de fazer. É como se após receber o favor, o favorecido sofresse uma lobotomia e esquecesse que foi ajudado. Louco, né? Já ouvi algumas teses que tentam explicar este fenômeno, mas para mim só existe uma válida: falta de educação.

    Pois é, hoje dediquei um tempo a pensar nisso. Confesso que fiquei feliz com a ligação de 3 minutos da minha ex-aluna, que simplesmente serviu para me agradecer por algo que, embora simples, fiz e a ajudei de alguma forma. Senti-me bem, valorizado, feliz. Creio que você também se sentiria. É bom ter um esforço reconhecido, mesmo que apenas com um “obrigado”.

    Vou tentar ficar mais atento a este ponto. Será que estou me lembrando de agradecer àqueles que me ajudam em coisas simples do meu dia a dia? Será que não estou sendo “profissional” ao pedir e “amador” ao agradecer? Quantos “Muito obrigado” deixei passar em branco recentemente?

    E você? Pare agora e tente se lembrar dos últimos favores ou ajudas que pediu? Faça uma lista, mesmo que mentalmente. Agora me diga. Você agradeceu? Se sim, parabéns e nunca perca este hábito. Se não, faça o quanto antes, mesmo que tardiamente. E daqui pra frente, não cometa mais este erro. Além de deselegante, isso cria uma imagem de pessoa que só sabe pedir. E isso não é bom, nem para a imagem pessoal, nem muito menos para a profissional. Com o tempo, esta imagem de pessoa que só sabe pedir fecha portas e afasta bons contatos e potenciais amigos. Ou seja, um erro simples de ser corrigido, mas que pode causar impactos bem grandes na carreira e na vida.

    É isso, vamos todos ficar mais atentos e usar a palavra “Obrigado” sem economias. Pode ter certeza que as pessoas que receberem a sua gratidão vão ficar felizes e predispostas a lhe ajudar de novo no futuro. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS

     

     

  • A cobra e o vagalume

    A cobra e o vagalume

    vagalume

    “Não queira na sua equipe cobras que gostam de comer vagalumes”

     

    Era uma vez uma cobra e um vagalume. Certo dia, este vagalume percebeu que a cobra olhou para ele diferente. Quando menos esperou, a cobra estava “correndo” em sua direção. Na dúvida, o vagalume fugiu. Mas a cobra continuou atrás dele impiedosamente. Depois de tentar escapar por diversos caminhos e sem sucesso, tamanha a ira da cobra em lhe alcançar, o vagalume cansou e ficou acuado em um canto. A cobra, já com a boca aberta e o veneno pingando, estava pronta para dar cabo à vida do pobre vagalume, quando este falou: – Dona cobra, antes de me matar, posso lhe fazer três perguntas? – Não vejo razão, mas pode sim, respondeu a cobra. – Muito obrigado. A primeira pergunta é: Eu faço parte da sua cadeia alimentar? – Não, respondeu a cobra. – Eu fiz algo de ruim para você ou um dos seus? – Não, respondeu novamente a cobra. – Então por que você quer me matar? Após um olhar pensativo, a cobra respondeu: – Porque eu odeio o seu brilho.

    Quando ouvi essa história, passou um filme na minha cabeça. Nos meus quase 20 anos de carreira, sem contar o tempo de faculdade, quando também trabalhei, conheci muitas cobras e muitos vagalumes. Perdi a conta. Vi muitas pessoas sendo detonadas ou boicotadas por outras só porque eram competentes e faziam diferente no seu trabalho. É incrível como tem gente nas empresas que, por não terem competência para produzirem grandes feitos, ficam à caça dos bons, com um veneno na boca e prontos para apagarem as luzes daqueles que estão focados no seu trabalho e entregando bons resultados. Você já viu este filme? Quantas cobras que gostam de comer vagalumes existem na sua empresa ou na sua área?

    Quando me formei e comecei a minha trajetória profissional, confesso que tinha uma visão muito romântica das relações pessoais nas organizações. Achava que todos em uma empresa estavam ali para fazerem a empresa crescer. Afinal, todos são pagos para isso, correto? Em teoria sim, mas na prática, logo vi que a coisa não era tão linear. Muita gente está ali muito mais para pensar em si do que na empresa ou na equipe. Muita gente é capaz de ferrar os resultados da empresa para se dar bem. Muitos são capazes de pisar na cabeça de quem tiver que pisar para crescer na hierarquia. E este tipo de gente, quando encontra um vagalume brilhando, se transforma na cobra mais peçonhenta e vai atrás da estrela para apagá-la, como na história acima. E quem perde? A resposta é simples.

    Este é um fato e ponto. Existem pessoas que não conseguem conviver com gente competente e que “brilha”. A questão é: O que fazer? A resposta depende do perfil de quem vai responder e da sua posição na empresa. Falo do perfil porque um monte de líderes de equipes são cobras que gostam de vagalume também. Aliás, tem líder que adora parir e criar novas cobrinhas, tal qual o pai (ou a mãe). Nestes casos, nem manicômio resolve. E se o “dono” da empresa não perceber e agir, daqui a pouco tem uma população desses bichos destruindo o resultado da empresa. Mas se este não for o caso e os líderes da empresa não queiram pactuar com este genocídio de vagalumes, a única coisa a fazer é demitir todas as cobras. Não há outra saída. Pessoas invejosas só servem para uma coisa: destruir.

    Na minha empresa, eu e meu sócio temos um pacto. Não queremos ouvir fofocas e não alimentamos intriguinhas. Todos os que trabalham com a gente sabem que queremos foco no trabalho. Premiamos a meritocracia e não queremos ninguém focado em outra coisa que não seja o trabalho e os nossos objetivos. Em empresas maiores, isso é mais difícil, mas esta cultura é possível de ser construída em qualquer empresa, desde que quem esteja no comando queira.

    Infelizmente ouço casos dessa natureza com uma frequência enorme. E sempre que tenho a oportunidade de conhecer alguém brilhante e com muito potencial, aviso: – Cuidado com cobras que gostam de comer vagalumes! Afaste-se delas!  Até o próximo.

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Coaching de Agenda

    Coaching de Agenda

    tempo

    Uma das grandes demandas no trabalho com o coaching é atuar com a Gestão do Tempo dos coachees (clientes), o chamado Coaching de Agenda. É muito comum altos executivos não ter mais tempo para nada no cenário corporativo. Mesmo tendo uma secretária, que fica responsável por administrar seus compromissos, torna-se tarefa árdua buscar um espaço para uma reunião, e quando o encontra, ele se restringe a poucos minutos, que requer objetividade e clareza em sua utilização.

    Brigar contra o tempo já não tem sido mais tarefa exclusiva dos altos executivos. Quantas pessoas que você conhece que não tem a habilidade de gerir seu próprio tempo em suas atividades de vida pessoal e profissional? Chegar atrasado ao trabalho, deixar o cliente esperando pelo início da reunião, não entregar os serviços dentro do prazo ou ter que ficar trabalhando um período extra por não dar conta de terminar todas as demandas no tempo hábil. Você já se deparou com alguma dessas situações? Parece inevitável não vivenciar um desses episódios, quando se aceita viver neste ambiente organizacional. Vivemos em uma época multitasking, onde todos são cobrados a fazer várias coisas ao mesmo tempo: atender um telefone, enviar um e-mail, entregar um relatório, falar com o chefe, atender o cliente, enviar um torpedo. Quem não tiver a competência de dominar estas tarefas simultaneamente, já ficam para trás no processo seletivo.

    Então, como o Coaching pode me ajudar a ter uma melhor organização?  A premissa inicial é que você passe pelo processo de conscientização de que só você é responsável pela mudança. Certamente você pode me responder que outras pessoas participam do seu dia e que você depende de alguns processos e pessoas para desenvolver suas atividades. Sim, também concordo que suas atividades se desenvolvem de forma interacionista, mas vamos tratar aqui o que só você pode fazer e se fizer bem feito você pode inclusive apresentar o seu diferencial competitivo. Assumindo a responsabilidade pela mudança e identificando as atividades que só você pode desenvolver, escolha o seu objetivo: para que você quer mudar? Qual o seu foco de mudança? O que precisa impactar? Quais os resultados esperados? Se posicione mentalmente em seu objetivo e estabeleça uma data específica para alcança-lo. Feito isso, busque evidências que comprovariam que seu objetivo foi alcançado. A próxima etapa é descrever suas atividades do dia, sua rotina. Você pode começar descrevendo com intervalo de uma hora, desde o momento que você acorda, até a hora de ir dormir. Após concluir o descritivo de sua agenda, vamos fazer o ABCDE. Ao lado de cada atividade, você vai colocar: A – Atividades que geram alto impacto, em relação ao seu objetivo; B – Atividades que geram médio impacto; C – Atividades que geram baixo impacto; D – As atividades que são delegáveis. A quem você pode delegar esta tarefa? Aqui inclui não só pessoas, mas você pode delegar suas atividades para sistemas operacionais (Google Agenda, por exemplo); E – Atividades que são elimináveis. Agora você pode riscar as atividades das categorias C; D e E. Quanto tempo livre você encontrou em seu dia? Agora você pode substituir esse tempo livre com atividades que gerem alto e médio impacto.

    A princípio parece simples, mas desenvolvendo essas etapas você terá em mãos um planejamento estratégico para melhoria do seu tempo. Agora tudo dependerá de você! Agir com foco, disciplina e ação te ajudará a obter excelentes ganhos.

    Compartilhe sua dúvida ou comentário por e-mail: filipe@lopesrh.com.br

     

    Filipe Lopes

    Executive Coaching

    FilipeLopes_II

    Psicólogo

    www.lopesrh.com.br