Categoria: Carreira

  • Novas posturas no ano novo

    Novas posturas no ano novo

    “Um ano diferente exige uma postura diferente” 

    Passei os últimos dias do ano na praia com família e amigos. Entre uns que chegavam e outros que partiam, mais ou menos 20 pessoas. Muitos assuntos, muitas risadas e muita diversão. Mas nos momentos mais sérios dois assuntos imperavam. Quer tentar adivinhar? Final de ano não dá outra. É hora de fazer balanços e planos. Como foi 2014 e o que se pretende fazer em 2015. Creio que em 99% das famílias o assunto é o mesmo nessa época do ano. Uns mais, outros menos, mas todos fazem esta reflexão.

    Quando tinha a palavra nas conversas, procurei fazer uma provocação, que para alguns poderia até parecer intromissão. – O que você pretende fazer de diferente em 2015? As respostas nem sempre vinham na velocidade desejada. Aliás, quase ninguém responde imediatamente. Parece que esta pergunta pega todos de surpresa. Como conheço bem todos os que estavam comigo, garanto que algumas respostas que ouvi neste ano são iguais às que ouvi no ano passado. Ou seja, promessas de novas atitudes que ficaram apenas “no papel” (ou na boca).

    O ser humano tem uma capacidade enorme de se auto enganar. Existem inúmeros estudos psicológicos que mostram a nossa capacidade de acreditar em algo que não faz sentido e seguir um caminho que, racionalmente, não é bom. Pessoas que jogam compulsivamente ou que perdem tudo em investimentos arriscados são dois bons exemplos. Mas em escala menor de irracionalidade, nesta época do ano, todos nós nos enganamos um pouco. Ao se prometer fazer coisas diferentes no ano novo e seguir fazendo exatamente mais do mesmo, de certa forma, padecemos do mesmo mal.

    Nestes dias tenho ouvido promessas muito interessantes, ditas com uma convicção quase religiosa. Promessas que, se colocadas em prática, mudariam muito a vida de quem as fez. Faça você mesmo esta conta. Tente se lembrar das promessas feitas por pessoas próximas a você no final de 2013 e faça a conta do que foi colocado em prática e do que ficou apenas no discurso. Registre o que ouviu neste final de ano e veja qual será o saldo no final de 2015. Não precisa ir longe para constatarmos que somos mais demagogos do que alguns políticos às vésperas de eleição.

    Só vejo duas formas de sair dessa vala comum e colher, de fato, os frutos das boas mudanças. Tenho aconselhado pessoas próximas a seguirem duas regras básicas. A primeira delas é do “senso de humildade”. Significa reconhecer que não somos muito bons em promover mudanças e, portanto, devemos ter poucas metas. Não adianta começar um ano se prometendo emagrecer, fazer um curso, ler 10 livros, quitar todas as dívidas, poupar dinheiro e comprar um carro. Não vai rolar. Quem começa o ano com muitas metas acaba não cumprindo nenhuma. O meu número mágico é dois. Estabeleça duas mudanças que quer promover e ponto. Quanto menos objetivos, mais foco e maior a chance de fazer acontecer.

    A segunda dica, e talvez a mais importante, é o registro. Também está provado cientificamente que o nosso cérebro registra melhor e aciona com mais eficácia os comandos de ação quando nós escrevemos aquilo que queremos fazer. Quem me conhece sabe o quanto sou fã dos registros e de uma agenda. O que não vai para a agenda não existe. O que não se transforma em processo não existe e não acontece. A forma não importa, mas recomendo que escreva as suas duas metas e monte um calendário de execução e de registro do resultado. Por exemplo, se você quer fazer atividade física três vezes por semana, monte um quadro para registrar os dias em que cumpriu e um fechamento de cada semana, mostrando os resultados atingidos. Pode parecer bobagem, mas isso muda tudo.

    É isso, poucas metas, registro e acompanhamento delas. Quem fizer isso, tem mais chances de sair dessa vala comum de pessoas que começam um ano novo cheio de promessas e, no final dele, percebem que tudo está exatamente do mesmo jeito, ou pior. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Plantar e colher

    Plantar e colher

     

    “O plantio é opcional, mas a colheita é inevitável” 

    Neste nosso último “encontro” de 2014 quero deixar uma reflexão e uma convicção que construí na minha mente ao longo de muito tempo. Não vou dar nenhum tipo de conotação religiosa nela porque não foi aí que busquei os ingredientes e não faria o menor sentido fazê-lo aqui neste espaço. Cada um, se concordar com ela e quiser buscar os referenciais teóricos na sua religião, fique à vontade. No meu caso, a fonte onde aprendi isso se chama “dia a dia”. Observando, ouvindo, pesquisando e estudando a vida e a carreira das pessoas que me cercam, pude constatar relações de causa e efeito em praticamente tudo. E é disso que quero tratar hoje.

    Não me recordo quando, pois afinal são quase quatro anos escrevendo semanalmente aqui, mas já trouxe uma reflexão sobre o que chamei de “Leis irrevogáveis”. Neste texto tratava do valor dos profissionais no mercado e explicava o porquê da concorrência insana que vivemos hoje na busca das melhores vagas no mercado. Neste artigo falei da “Lei da gravidade” e da “Lei da ação e reação” duas leis universais e que ninguém deve testá-las pois funcionam. Na sequência, para explicar a concorrência, falei da “Lei da oferta e da procura”. Quanto mais escasso, mais valor se dá a algo. Quanto mais abundante, menos valor. Lembro-me que escrevi que um quilo de ouro pode passar a valer menos do que um quilo de banana. Basta alguém achar uma mina de ouro gigante e o seu valor de mercado despenca. No caso das disputas cada vez mais acirradas, a explicação está na crescente formação de pessoas com curso superior, pós graduações, MBAs etc. Quanto mais profissionais preparados, maior o nível de cobrança. Simples.

    Pois bem, hoje quero transformar a convicção que construí em mais uma lei universal. Sei que nem todos vão comprar a ideia ou concordar 100% como concordam com as três leis que acabo de citar. Conheço e respeito a crença de alguns em relação a sorte e destino, mas já cortei estas palavras do meu dicionário há muito tempo e nem entro mais em embates em relação a elas. A minha quarta lei se resume em uma frase: “O plantio é opcional, mas a colheita é inevitável”.

    Li esta frase nestes últimos dias, corrigindo um trabalho de MBA de Mateus de Souza, meu aluno da disciplina de planejamento de carreira na Inova Business School em Campinas. Como ele não cita a autoria, não consigo dar o crédito aqui. Mas ela vai com certeza para a minha coleção de frases que guardo há anos. Representa muito bem esta relação de causa e efeito que, para mim, compõe mais uma lei universal. Com um detalhe brilhante, ela deixa claro que a decisão do que “plantar” é nossa.

    A vida é assim. Muitas encruzilhadas, muitas decisões, muitas tentações, muitas oportunidades de fazer coisas boas e muitas oportunidades de fazer coisas ruins. É como se andássemos o tempo todo com um saquinho cheio de sementes, umas do bem e outras do mal. A cada esquina, uma oportunidade de abrir os saquinhos e jogar algumas delas no chão, com a certeza de que o terreno é fértil (para o bem ou para o mal), que vai chover e que um dia voltaremos ali para colher o que plantamos.

    Na dimensão pessoal até aceito o termo “acaso”, até porque não consigo explicar a morte prematura de uma criança, por exemplo. Conheço religiões que possuem teses “completas” para explicar isso. Mas nas dimensões financeira e profissional, para mim não há acaso. Tudo é fruto do que se planta. Quem faz o bem, recebe o bem. Quem ajuda, é ajudado. Quem se dedica e se esforça, cresce. Quem estuda, aprende. Quem estabelece metas, se prepara e corre atrás, conquista. Assim foi no passado, assim é hoje e assim será sempre. Por isso digo que esta é mais uma lei universal, que dá a cada um de nós exatamente o fruto do que foi plantado. Cabe a nós escolher o caminho e as sementes que vamos jogar no chão.

    Pense nisso. Desejo que em 2015 você escolha bem as suas sementes e jogue-as no terreno mais fértil que encontrar. O que quiser para você, faça com os outros. Tenha um ano maravilhoso! Até o próximo!

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS

     

     

  • Que tipo de profissional brilhará em 2015

    Que tipo de profissional brilhará em 2015

     

    “Quem falar menos e fizer mais leva!” 

    A frase mais usada nesta época do ano é sempre a mesma: – Parece que este ano  voou! Quando ouço, tenho até vontade de dizer: – Mesmo? Nossa, nunca ouvi isso! Mas é fato: os ponteiros do relógio estão girando cada vez mais rápido. Bem – vindo ao século XXI, onde a conectividade global e a tecnologia da informação nos fazem trabalhar mais e ficar com a sensação de que o dia precisaria ter 30 horas. E por falar nisso, 2014 está nos deixando… Ufa! Nunca torci tanto para um ano acabar logo. Não foi fácil produzir com copa do mundo, eleições, escândalos de corrupção, dólar em alta, economia estagnada, inflação crescente e (quase) uma crise generalizada de confiança. O Brasil tem uma vocação enorme para atrapalhar a vida de quem quer produzir e crescer, o que é uma pena, mas que ainda acredito que um dia será diferente.

    Entretanto, sempre fui do time que olha menos para o que está fora do meu controle e mais para o que está em minhas mãos. A razão é simples: Cada minuto que eu perco lamentando ou criticando o que não controlo, é um minuto que perco para fazer o que posso fazer e que não depende de ninguém. A questão é quase matemática. Se não depende de mim, deixo de lado e vou fazer o que depende exclusivamente de mim. Confesso que às vezes faço questão até de não ler as notícias, para não correr o risco de desanimar. E posso garantir que, ao longo dos meus últimos nove anos de estudos sobre planejamento de carreira e desenvolvimento de competências, as pessoas que mais vi crescer foram aquelas que, de certa forma, fecharam os olhos para o que os outros dizem e correram atrás dos seus objetivos. Faça você mesmo um teste e converse com pessoas de sucesso que conhece. Parece que elas andam numa estrada paralela, às vezes quase sem se preocupar com o que os outros estão dizendo, ainda mais quando o mundo está pessimista. Sei que alguns podem não concordar com esta visão, mas ela é um fato inquestionável.

    Nesta fase do ano, sou muito procurado por alunos e ex-alunos que, em conversas informais, me perguntam o que deveriam fazer de diferente em suas carreiras neste novo ano que se aproxima. Embora a pergunta pareça muito genérica, não fico sem resposta e este artigo reflete a minha mais convicta opinião sobre o tema. Em 2015, brilharão aqueles profissionais que seguirem à risca o mandamento a seguir: “Fale menos e faça mais”. Já escrevi uma centena de vezes neste espaço:  o mundo é de quem faz, não de quem fala, promete ou faz lindas declarações de intenção. E nisso, 2015 não será diferente de 2014, 2013, etc. As pessoas que ficarem no blá blá blá das promessas vazias e dos discursos lindos acabarão 2015 da mesma forma que começarem o ano. Já quem arregaçar as mangas, fechar os olhos para as previsões pessimistas, se afastar de pessoas negativas e trabalhar duro, estas sim, irão brilhar não só em 2015, mas sempre.

    Portanto deixo aqui esta modesta opinião de quem estuda e acompanha a gestão de carreira de várias pessoas há anos. Aproveite este fim de ano e faça seus balanços. O que fez, o que deixou de fazer, o que poderia ter feito de diferente, o que não deveria ter feito e, acima de tudo, o que prometeu fazer e não fez. O que você prometeu a si mesmo no final de 2013, pulando as sete ondas ou se olhando no espelho e não fez? Pare e pense um pouco. Esta é a análise mais importante.  Na minha visão, o seu sucesso em 2015 dependerá muito mais da sua capacidade de execução do que de planejamento ou de fazer promessas. Um ótimo plano sem execução não produz nada. Um plano simplesmente bom e com forte dose de execução, este sim, produzir resultados. Portanto, em 2015, fale menos e faça mais! Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • As Férias dizem muito sobre sua carreira.

    As Férias dizem muito sobre sua carreira.

    Você realmente aproveita suas férias? Por incrível que pareça essa tão merecida e esperada pausa nas atividades de trabalho pode representar um grande problema para muitos profissionais.  E às vezes para sua família também.

    Certa vez ocupei a posição de Gerente de Recursos Humanos em uma empresa de médio porte. Dois meses depois de eu ter assumido o cargo uma colaboradora experiente entrou em férias. Ela disse que eu poderia acioná-la a qualquer momento em seus dias de descanso porque não iria viajar, e estaria à disposição até para ir à empresa se fosse necessário! Pelo que me contou essa era uma prática comum. Eu lhe disse para ficar tranquila que não a incomodaria. Ela continuou insistindo… Dias depois houve um grande evento de treinamento na empresa e o diretor a quem eu me reportava sugeriu fortemente que eu interrompesse as férias da colaboradora para que ela acompanhasse as atividades. Eu lhe disse que assumiria a responsabilidade por tudo, mas preferia não chama-la. Ele relutou, mas concordou. Resultado? Nada saiu errado. Estávamos preparados. Observei que interromper o descanso anual dos funcionários era um processo “cultural” bem instalado na organização. E trazia seus prejuízos.

    Normalmente, podemos enxergar em três fases as dificuldades em relação as férias:

    1) Problemas antes das férias. Uma pesquisa da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR) aponta que 41% de 745 entrevistados demonstraram resistência para tirar férias. Mais da metade deles (53%) teme que sejam tomadas decisões na empresa enquanto estiverem ausentes e 24% têm receio da demissão. Recomendações: Planeje. Delegue. Procure preparar pessoas para desempenharem as funções rotineiras principais sob sua responsabilidade; mantenha tudo organizado – lista de contatos, arquivos, documentos – para que em sua ausência encontrem com facilidade; se não houver outra solução, determine dia e horários específicos para atender o celular (e responder e-mails) no período de ausência; lembre-se que o descanso é importante para o equilíbrio de sua vida, e afeta positivamente sua carreira.

    2) Problemas durante as férias. Conheço alguns profissionais que, “em nome do progresso na carreira” interrompem suas férias constantemente. Telefonemas, conferências à distância, e-mails, relatórios, e outras ocupações de trabalho. Fazem parte do seu dia de férias. Claro que há emergências, imprevistos, situações de força maior. Entretanto, quando isso acontece ano após ano, trata-se já de um padrão. E os efeitos são contundentes. Vejamos alguns: problemas familiares são muito frequentes; o nível de estresse aumenta não só pelo trabalho contínuo, mas pela frustração em não atender a outras áreas de sua vida que necessitam de atenção; as solicitações de trabalho são cada vez mais recorrentes, pois na empresa todos já contam com a disponibilidade do colaborador; essa dedicação não proporciona necessariamente progressos na carreira.  Recomendações: Planeje. Delegue. Se a sensação é de que sem você a empresa para, então há muito que fazer em termos de planejamento e delegação. Comunique a todos que estará ausente por um período, a quem devem se dirigir nesse tempo para os casos sob sua responsabilidade, e mantenha um contato na empresa que possa acioná-lo apenas em casos de fato emergenciais e relevantes.

    3) Problemas após as férias. Parece estranho, mas após um período de descanso o profissional pode ter um efeito de “depressão pós-férias”. Isso acontece porque há uma mudança abrupta de ritmo, de tipos de atividades, e também uma sensação de ‘perda de controle’ sobre a sua vida. Segundo o International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR), cansaço, sono, preguiça, falta de concentração e de motivação, do 15º ao 30º dia após o descanso trabalhista, sinalizam a depressão pós-férias. Pesquisas do ISMA apontam que as principais causas desse tipo de depressão são a insatisfação no trabalho (93%) – quando não há perspectiva de crescimento ou aperfeiçoamento profissionais -, a hostilidade ou não-confiabilidade no ambiente corporativo (71%) e os conflitos interpessoais (49%). Recomendações: Aproveite o período de férias para se distrair, descansar. Revigore-se! Procure retornar de viagens com um pouco de antecedência: o período de um a dois dias antes de iniciar o trabalho permitem que você organize suas rotinas e adapte-se aos poucos à nova fase. Repense sua carreira. Se realmente estiver descontente com seu trabalho, vale mesmo a pena continuar? Assuma as rédeas da sua carreira.

     

    Sabemos que para tudo há exceções, mas um profissional que consegue aproveitar bem suas férias, em geral sabe como planejar seu trabalho, como delegar, como dirigir sua carreira e como equilibrar sua vida pessoal/profissional.

    Abraço, e ótimas férias!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • Sexo no escritório

    Sexo no escritório

    “Quase sempre alguém sai com a imagem destruída” 

    Vinho tinto não combina com churrasco. Peixe não combina com ketchup e pizza não combina com feijão. Por quê? Simplesmente porque não há harmonização ou um acaba roubando o sabor do outro. Assim é a vida. Algumas coisas podem conviver e outras não. Para isso, existe a palavra disciplina, e outra melhor ainda: renúncia. A capacidade de fazer uma escolha e, por consequência, abrir mão de coisas. As pessoas que não sabem fazer renúncias, ou que se desconcentram e acabam misturando coisas que não deveriam se misturar, geralmente pagam um preço bem alto.

    Recentemente uma ex-aluna me chamou para conversar. No nosso papo, confessou-me, com lágrimas nos olhos, que teve um caso com o chefe (casado, diga-se de passagem) e que agora estava com um grande problema nas mãos. Contou-me a história complicada com mais detalhes e me pediu aconselhamento. A relação começou como começam essas coisas: através de atração física, indiretas, elogios, almoços frequentes até o esperado patamar: a cama. Até aí, tudo “bem”(aspas duplas na palavra bem). O único detalhe que transforma esta história em algo bem mais difícil de se resolver é que, não se sabe como, várias pessoas da empresa ficaram sabendo. Várias mesmo. Pares e outros superiores dela. Ah, um detalhe, ela está em fase inicial da carreira e sempre fora vista com bom potencial de crescimento na corporação. Bom, A história correu de tal maneira que ela flagra no olhar das pessoas o julgamento que fazem dela e, pior: vários outros adjetivos que aqui não poderiam ser citados.

    O fato ocorreu uns seis meses antes da nossa conversa e isso se transformou em um pesadelo para ela. Segundo relatou, de lá pra cá, ela sente que a coisa mudou. As pessoas mudaram com ela. Vários projetos nos quais poderia ter sido envolvida passaram do seu lado sem dar um alô e ela percebe que os elogios profissionais (merecidos, tanto antes do fato como agora) minguaram. Em relação à sua dedicação e ao seu comprometimento, nada mudou. Ela segue com a mesma pegada forte e com seu talento sendo aplicado na empresa. Mas lhe parece que ganhou uma nuvem cinza que sempre vai à sua frente.  A sua pergunta para mim foi clara e direta, como sempre gosto: – A minha carreira nesta empresa acabou? A minha resposta não poderia fugir ao pragmatismo da pergunta (nem ao meu!): – Sim, acabou. Deixo claro que a minha resposta seria a mesma se fosse um homem.

    Eu já perdi as contas, ao longo dos meus 25 anos de estrada profissional, de quantas histórias como esta acabaram mal, ou para os dois envolvidos ou para um deles (normalmente a mulher, pois o machismo ainda impera, infelizmente). Tenho escrito muito sobre os cuidados que devemos ter com a nossa imagem profissional. Das inexoráveis festas de final de ano, que aliás estão chegando, aosposts em redes sociais, passando por fofocas ou compartilhamento de informação de fonte duvidosa, e por aí vai. A quantidade de coisas que podem manchar a nossa imagem profissional é muito grande. Tenho sempre dito que as pessoas que querem crescer e que são competentes e ambiciosas, devem redobrar a atenção, pois se estão na vitrine serão mais ainda cobradas por posturas corretas e adequadas aos ambientes profissionais. Juro que não entendo como tanta gente talentosa consegue se atolar por causa de bobagens ou aventuras tão efêmeras.

    Não sou nada, absolutamente nada, contra uma pessoa se apaixonar por outra no ambiente profissional. Isso pode acontecer e, de fato, acontece todos os dias. Se este fosse o caso, e ambos oficializassem uma relação e ponto, tudo bem? Mas aventuras sexuais definitivamente não combinam com ambiente de trabalho, muito menos com superiores diretos (e casados). Não dá. Juro que não vi até hoje um caso como este ser esquecido e a “vitima”, seja lá quem for, recuperar o seu status anterior.

    O meu conselho para ela? Trabalhe com a sua rede de contatos e busque oportunidade em outra empresa, siga a vida e lá procure acertar bastante e cometer outros erros, mas este nunca mais. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Fofoca no escritório

    Fofoca no escritório

     

    “Se fala para você, pode ter certeza que fala de você” 

    Desde o meu primeiro emprego (o qual foi como professor) uma coisa sempre me incomodou por onde passei. Refiro-me àquelas rodinhas de pessoas no café, “tricotando” e falando (geralmente mal) de outras pessoas, as chamadas rodas de fofocas. Além de uma perda de tempo enorme, porque enquanto fofocam deveriam estar produzindo para a empresa que paga seus salários, sempre achei essa postura uma total falta de caráter. Falar mal de outra pessoa pelas costas é muito pequeno. É tarefa de gente muito pequena. Mas, como pude identificar esse “vírus” existe em todas as empresas por onde passei. É terrível, mas essa prática lamentável e essas pessoas sempre existem. Parece que cada empresa tem que cumprir uma cota “social” e ter alguns fofoqueiros contratados. Como eu não tinha (nem tenho até hoje) poder ou uma fórmula mágica para sumir com essa gente, tratei de ficar longe delas, sempre e o máximo possível. Tenho uma solução simples para isso: toda vez que alguém começava a falar comigo sobre outra pessoa, com uma clara intenção de falar mal, eu me afastava. Assim, fui deixando claro que fofoca não era comigo. Quem quisesse um cliente para suas fofocas, fosse procurar outro, não a mim.

    Depois de anos aprendi uma coisa bem interessante. Cabe aqui até uma analogia sobre as discussões a respeito do comércio de drogas ou de produtos piratas. Se alguém vende, é porque alguém compra. Simples assim. Se não houvesse consumidores para produtos piratas, não haveria produtos piratas. Esta analogia vale para as fofocas. Se elas existem, é porque alguém quer ouvi-las, concorda? Creio que sim. Portanto, a fofoca tem “mercado”, ou seja, existe um grupo de pessoas que dá ouvidos e que, portanto, alimenta o apetite dessa gente que não tem coisa melhor para fazer.

    Partindo desse pressuposto, sempre que assumi uma equipe, fiz questão de deixar claro que não gosto de fofocas, não quero saber de fofocas e que toda comunicação deve ser pessoal e direta, principalmente quando o assunto for relações no trabalho. De uma certa forma, creio que consegui, com esta clareza e assertividade, criar ambientes onde as pessoas estivessem focadas no trabalho e se apoiando mutuamente. Quem já trabalhou comigo pode atestar que fofoqueiros não duravam muito ao meu lado. Por mais competentes que fossem, acabam fora.

    Hoje trago este tema porque a falsidade tem se mostrado um grande mal, nas relações pessoais e, principalmente, nas relações profissionais. Fico impressionado com algumas situações que me descrevem ou vejo. Exemplo, uma pessoa desliga o telefone após uma conversa com um colega de trabalho e comenta algo maldoso com o colega do lado: – Não suporto gente burra! Olha o que fulano disse… E faz isso com tanta naturalidade que nem percebe o tamanho do erro que está cometendo.

    Hoje tenho um grande desafio profissional. Algo que me motiva muito, até porque para alguns é uma missão impossível neste mundo tão competitivo. Quero desenvolver na minha equipe uma cultura de companheirismo. Quero que a falsidade, as tentativas de “puxada de tapete”, a maledicência e a competição insana sejam substituídas pela reciprocidade, pelo apoio mútuo, pelo desejo genuíno que o outro tenha sucesso, pela amizade e construção coletiva.

    Quero isso por várias razões. Porque acredito que os resultados serão melhores, os processos mais eficientes, mas, principalmente, porque as pessoas trabalharão melhor e serão mais felizes. Pretendo fomentar este ambiente de forma muito intensa, principalmente dando o exemplo. Quero que as pessoas saibam que ninguém cresce sem apoio e sem relações ganha-ganha. Não é sinal de fraqueza pedir ajuda ou aceitar ajuda. “Compaixão é fortaleza”, como dizia Renato Russo.

    Recomendo que você pense um pouco a respeito deste tema e forme a sua opinião. Como dica inicial, recomendo que comece se afastando de pessoas fofoqueiras e, é claro, não sendo uma delas. Fique longe dessa gente, até porque é importante você saber de uma coisa: Se falam de outras pessoas para você, pode ter certeza que falam de você também. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • “Algumas recomendações para comemorações de fim de ano no trabalho”.

    “Algumas recomendações para comemorações de fim de ano no trabalho”.

    Cuidados para não destruir seu ‘marketing pessoal’ em poucas horas…

    ou, em outras palavras,

     “Algumas recomendações para comemorações de fim de ano no trabalho”.

     

    Há alguns anos presenciei uma cena que me marcou bastante. Eu estava em uma festa de final de ano na empresa de um cliente, e conversava com um dos sócios da organização. A certa altura ele apontou um engenheiro sênior e me disse: “Você vê esse profissional? Eu não tenho menor intenção de promovê-lo a gerente da engenharia. Ele é muito competente, tem ótimo relacionamento com a equipe, mas não tem postura social. Veja como ele bebe excessivamente e como se comporta de forma inconveniente. Não quero que ele ocupe um cargo que faça a imagem da empresa ser prejudicada em eventos com nossos clientes”. É preciso dizer algo mais? Mesmo profissionais experientes estão sujeitos a isso.

    Quero deixar aqui algumas recomendações para serem compartilhadas principalmente com aqueles que estão iniciando sua carreira profissional:

    1) Eventos sociais da empresa são uma extensão do trabalho. Considerar que aquela festa descontraída de fim de ano é apenas um evento social qualquer é um erro. Seu comportamento continua a deixar impressões profissionais nessas ocasiões, e será notado.

    2) Descontração na medida certa. A cultura da empresa diz muito a respeito de como se deve se comportar em ocasiões festivas. Não é necessário ser formal em um momento de descontração. Entretanto, a forma de se vestir, as maneiras à mesa, o consumo de álcool, etc. devem estar alinhados à cultura da organização.

    3) Especificamente, moderação no consumo de álcool é a regra. Várias são as razões, mas posso destacar que isso evitará uma série de comportamentos inconvenientes que todos conhecemos. E hoje, esses comportamentos são registrados nas mais variadas formas, e estarão nas redes sociais em segundos.

    4) Cuidados na forma de se vestir. Erros nesse quesito afetarão negativamente sua imagem profissional, e por um bom tempo.  Quer uma referência? Espelhe-se em executivo(a)s de sucesso do mercado e também da sua organização. Mesmo em ocasiões festivas não se vestem de forma vulgar ou desleixada. Pense nisso.

    5) Compareça sempre às comemorações da organização, a menos que tenha uma boa razão para não ir. Trata-se de uma oportunidade de celebrar conquistas do ano, fortificar o senso de equipe, permitir aproximação entre colegas em um ambiente mais informal, ampliar a rede de contatos, etc. Muitas vezes as comemorações são agendadas com bastante antecedência, e é possível se programar para comparecer. E, se não desejar mesmo assim participar, é melhor fazer uma reflexão interna e descobrir o porquê…

    6) Nada de flertar com colegas ou convidados de colegas nas festas. Esse comportamento pode ser ainda mais prejudicial se combinado com o excesso no consumo de álcool. Já vi situações em que subordinados acusaram seus superiores de assédio sexual por comportamentos desse tipo, por exemplo.

    7) Fofocas, piadas com palavreado grosseiro, discussões (seja sobre o que for) e comportamentos afins deixam uma péssima impressão profissional.  Quem deseja isso?

    8) Se levar convidados (nos casos em que isso seja claramente permitido), essas recomendações se estendem naturalmente a eles.

    9) E lembre-se: trata-se de uma festa. Comemore, participe, divirta-se!! 😉

     

    Abraços, e sucesso!

    Adriano Pedro Bom

    Foto Adriano Pedro Bom

    Adriano Pedro Bom é consultor, docente universitário e palestrante nas áreas de Gestão de Pessoas. 

    www.propterdg.com.br

  • Nada é para sempre – parte II

    Nada é para sempre – parte II

     

    “Ah, você precisa apenas de um empurrãozinho? Então aí vai!” 

    Depois de quase 200 semanas contínuas escrevendo neste espaço, já consigo avaliar quais temas serão mais quentes, provocativos e, também, inspiradores. Eu sabia que falar de “fins de ciclos” iria tocar a mente e o coração de muitos leitores, mas não imaginava que fosse causar tanto “estrago”. Muitas pessoas compartilharam o texto, me escreveram e conversaram comigo nesta última semana, o que me motivou a retomar o assunto hoje novamente. O interessante é que quase 100% do que li e ouvi de comentários ia numa mesma direção, que pode ser resumida em uma frase: “Admiro a sua capacidade de mudar, mas confesso que é muito difícil e o medo da mudança, na maioria das vezes, vence e ficamos onde estamos”. Entendo perfeitamente essa estatística e essa enorme barreira que prende muitas pessoas a uma vida e carreira infelizes. Aliás, deixei bem claro que não nasci com este “chip da capacidade de mudar”. Sofri muito, apanhei muito e errei algumas vezes. Mudar dá um medo danado. E se der errado? Não é melhor garantir o que se tem, mesmo que seja ruim? Pra que correr tantos riscos? E se ficar pior do que está?

    Já que falei em estatística, deixe-me apresentar uma que talvez lhe faça mudar de ideia, caso você se inclua nessa lista de pessoas que preferem carregar algumas âncoras a correr o risco de mudar. Das pessoas que conheço e que, mesmo depois de muito tempo presas a uma situação ruim, decidiram mudar, seguramente mais de 90% me disseram, após um tempo, que só se arrependeram de uma coisa – de não ter feito antes. Isso mesmo! Quem muda e sai de relações ruins, depois de um tempo, se culpam por não ter promovido a mudança antes. Pessoas que acabam relacionamentos fracassados e que não têm a menor perspectiva de melhora só dizem uma coisa após algum tempo: “Por que demorei tanto?”. Quase a totalidade de quem pediu demissão de um emprego que só lhe trazia insatisfação e foi em busca de novos ares diz o mesmo. Em outras palavras, afirmo categoricamente que o custo da mudança é, na imensa maioria das vezes, compensador. É quase como se dizer “Pior do que está não vai ficar e vai melhorar. Portanto, mude!”.

    Que tal você mesmo ratificar (ou não) esta minha estatística? Vamos lá! Faça você mesmo o teste. Procure 10 pessoas do seu círculo pessoal e profissional, que tenham realizado uma grande mudança na sua vida e faça esta pergunta: – Você se arrepende de ter mudado? Sou capaz de apostar (em dólar, que está em alta) que você ficará de boca aberta e surpreso com a maioria das respostas. Só tenho uma ressalva a fazer: Busque pessoas que fizeram mudanças radicais e que o fizeram porque o estado anterior estava realmente o consumindo e onde uma mudança representava um risco grande ou um forte questionamento social (família, amigos etc). Aí sim você poderá tirar conclusões mais apuradas.

    O fim de ciclos é uma condição natural da vida. Nada é mais certo do que isso. Nada é para sempre. “O pra sempre sempre acaba”, como diz a música cantada por Cássia Eller. Aliás, deve ser muito chato não ter histórias de mudanças e recomeços para contar. As pessoas mais interessantes são aquelas que têm boas histórias para contar, principalmente histórias que envolvam grandes experiências novas.

    Digo e repito, a vida é muito curta para carregarmos âncoras. O tempo é um recurso escasso e não merece ser mal usado. Pode parecer egoísta, mas não quero ao meu lado pessoas, coisas ou empresas que me afundem ou que me tirem o sono. Dessas âncoras, quero distância. Prefiro correr o risco de errar do que me resignar na infelicidade. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS