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  • Agradecer

    Agradecer

    obrigado

    “Um gesto simples, educado e inteligente”

     

    Há quatro meses uma ex-aluna me ligou perguntando se eu poderia escrever uma carta de recomendação para ela concorrer a uma vaga em uma universidade nos EUA. Logo me prontifiquei e escrevi a carta. Assinei, deixei no meu escritório e ela veio buscar. Não nos encontramos mais. Pra falar a verdade, nem me lembrava mais disso, tamanha a correria em que me encontro nos últimos meses. Mas esta semana recebi uma ligação dela. As palavras foram simplesmente estas: “Oi, tudo bem? Liguei para te contar que fui aceita na faculdade nos EUA, que viajo em dois meses para começar o curso e para te agradecer imensamente pela carta de recomendação que você fez. Com certeza ela me ajudou a conquistar a vaga”. Respondi que não precisava agradecer, dei os parabéns, desejei boa sorte e pronto. A ligação durou menos de 3 minutos.

    Logo após desligar, parei um pouco e pensei em como algo tão simples de ser feito e tão gentil é negligenciado por tantas pessoas. Fiquei neste momento tentando lembrar e fiz uma lista enorme de pessoas que, nos últimos seis meses, poderiam (ou deveriam?) ter me ligado ou enviado um email simplesmente para dizer obrigado. Não que eu tenha feito inúmeras cartas de recomendação, mas falo de coisas simples como repassar um contato, apresentar uma pessoa, indicar para uma vaga etc.

    Não sou especialista em comportamento humano, mas vejo que a gratidão foi bem menos democratizada na humanidade do que a capacidade de pedir. Há pessoas que pedem com uma competência enorme e agradecem (quando agradecem) com um amadorismo de jogo de várzea. Parece que quem ajudou não fez mais do que uma obrigação, quando na verdade dedicou uma parte do seu tempo para fazer algo que não tinha a menor obrigação de fazer. É como se após receber o favor, o favorecido sofresse uma lobotomia e esquecesse que foi ajudado. Louco, né? Já ouvi algumas teses que tentam explicar este fenômeno, mas para mim só existe uma válida: falta de educação.

    Pois é, hoje dediquei um tempo a pensar nisso. Confesso que fiquei feliz com a ligação de 3 minutos da minha ex-aluna, que simplesmente serviu para me agradecer por algo que, embora simples, fiz e a ajudei de alguma forma. Senti-me bem, valorizado, feliz. Creio que você também se sentiria. É bom ter um esforço reconhecido, mesmo que apenas com um “obrigado”.

    Vou tentar ficar mais atento a este ponto. Será que estou me lembrando de agradecer àqueles que me ajudam em coisas simples do meu dia a dia? Será que não estou sendo “profissional” ao pedir e “amador” ao agradecer? Quantos “Muito obrigado” deixei passar em branco recentemente?

    E você? Pare agora e tente se lembrar dos últimos favores ou ajudas que pediu? Faça uma lista, mesmo que mentalmente. Agora me diga. Você agradeceu? Se sim, parabéns e nunca perca este hábito. Se não, faça o quanto antes, mesmo que tardiamente. E daqui pra frente, não cometa mais este erro. Além de deselegante, isso cria uma imagem de pessoa que só sabe pedir. E isso não é bom, nem para a imagem pessoal, nem muito menos para a profissional. Com o tempo, esta imagem de pessoa que só sabe pedir fecha portas e afasta bons contatos e potenciais amigos. Ou seja, um erro simples de ser corrigido, mas que pode causar impactos bem grandes na carreira e na vida.

    É isso, vamos todos ficar mais atentos e usar a palavra “Obrigado” sem economias. Pode ter certeza que as pessoas que receberem a sua gratidão vão ficar felizes e predispostas a lhe ajudar de novo no futuro. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS

     

     

  • Empregada receberá integralmente intervalo intrajornada usufruído parcialmente

    Empregada receberá integralmente intervalo intrajornada usufruído parcialmente

    intrajornada

    Um empregada terceirizada da Caixa Economica Federal receberá integralmente o intervalo intrajornada gozado parcialmente.

    Tal intervalo se refere ao período previsto em lei para que os empregados descansem e se alimentem. Cabe destacar que o objetivo na concessão de referido intervalo é para que o empregado, além de se alimentar, possa restabelecer-se do cansaço na primeira etapa do trabalho a fim de que possa seguir para a segunda etapa.

    A empregada recorreu ao TST pois a decisão do Tribunal Regional manteve a sentença de primeiro grau que obrigou a Caixa Econômica e a empresa terceirizada a lhe pagarem como trabalho extraordinário apenas o período não gozado.

    Para os ministros do TST a decisão deveria ser reformada, pois a Súmula 437 dispõe que a concessão parcial do intervalo intrajornada acarreta o pagamento integral do período como de trabalho extraordinário.

    Assim, o ministro relator acrescentou à condenação inicial o pagamento de uma hora extra por dia com o devido acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal referente ao intervalo intrajornada gozado de forma parcial.

     

    Depto. Trabalhista

    Barini De Santis Advogados

  • Empresa é condenada por dar carta de referência com informações depreciativas

    Empresa é condenada por dar carta de referência com informações depreciativas

    referência

    O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que uma empresa ferroviária de Diadema/SP indenize moralmente um ex-empregado por fornecer carta de referência na qual dizia que o mesmo não se interessava pelo trabalho.

    A decisão arbitrou o valor da indenização foi arbitrado em R$10 mil e reformou a decisão do Tribunal Regional que a tinha negado.

    Em recurso ao TST o empregado afirmou que a carta havia lhe causado inúmeros constrangimentos e humilhações, além de ter sido barrado em diversos processos seletivos. Além disso, afirmou que o documento continha informações inverídicas e depreciativas.

    O TRT, que negou o pedido de indenização, afirmou que o ex-empregado deveria ter mais cuidado com o documento, pois o fato de ele mesmo ter o exibido a terceiros denota que a empresa não teve participação em eventual ofensa à sua honra.

    Já no julgamento do recurso interposto perante o TST, os ministros afirmaram que a carta continha conteúdo impróprio, pois se a empresa entendia que o empregado não tinha qualidades, deveria ter se recusado a emitir a carta.

    Cabe destacar que os entendimentos do TST são semelhantes quando se trata de anotações depreciativas na carteira de trabalho do empregado, como por exemplo, quando a empresa faz constar que tal anotação se deu por determinação de sentença judicial.

     

    Depto. Trabalhista

    Barini De Santis Advogados

  • A cobra e o vagalume

    A cobra e o vagalume

    vagalume

    “Não queira na sua equipe cobras que gostam de comer vagalumes”

     

    Era uma vez uma cobra e um vagalume. Certo dia, este vagalume percebeu que a cobra olhou para ele diferente. Quando menos esperou, a cobra estava “correndo” em sua direção. Na dúvida, o vagalume fugiu. Mas a cobra continuou atrás dele impiedosamente. Depois de tentar escapar por diversos caminhos e sem sucesso, tamanha a ira da cobra em lhe alcançar, o vagalume cansou e ficou acuado em um canto. A cobra, já com a boca aberta e o veneno pingando, estava pronta para dar cabo à vida do pobre vagalume, quando este falou: – Dona cobra, antes de me matar, posso lhe fazer três perguntas? – Não vejo razão, mas pode sim, respondeu a cobra. – Muito obrigado. A primeira pergunta é: Eu faço parte da sua cadeia alimentar? – Não, respondeu a cobra. – Eu fiz algo de ruim para você ou um dos seus? – Não, respondeu novamente a cobra. – Então por que você quer me matar? Após um olhar pensativo, a cobra respondeu: – Porque eu odeio o seu brilho.

    Quando ouvi essa história, passou um filme na minha cabeça. Nos meus quase 20 anos de carreira, sem contar o tempo de faculdade, quando também trabalhei, conheci muitas cobras e muitos vagalumes. Perdi a conta. Vi muitas pessoas sendo detonadas ou boicotadas por outras só porque eram competentes e faziam diferente no seu trabalho. É incrível como tem gente nas empresas que, por não terem competência para produzirem grandes feitos, ficam à caça dos bons, com um veneno na boca e prontos para apagarem as luzes daqueles que estão focados no seu trabalho e entregando bons resultados. Você já viu este filme? Quantas cobras que gostam de comer vagalumes existem na sua empresa ou na sua área?

    Quando me formei e comecei a minha trajetória profissional, confesso que tinha uma visão muito romântica das relações pessoais nas organizações. Achava que todos em uma empresa estavam ali para fazerem a empresa crescer. Afinal, todos são pagos para isso, correto? Em teoria sim, mas na prática, logo vi que a coisa não era tão linear. Muita gente está ali muito mais para pensar em si do que na empresa ou na equipe. Muita gente é capaz de ferrar os resultados da empresa para se dar bem. Muitos são capazes de pisar na cabeça de quem tiver que pisar para crescer na hierarquia. E este tipo de gente, quando encontra um vagalume brilhando, se transforma na cobra mais peçonhenta e vai atrás da estrela para apagá-la, como na história acima. E quem perde? A resposta é simples.

    Este é um fato e ponto. Existem pessoas que não conseguem conviver com gente competente e que “brilha”. A questão é: O que fazer? A resposta depende do perfil de quem vai responder e da sua posição na empresa. Falo do perfil porque um monte de líderes de equipes são cobras que gostam de vagalume também. Aliás, tem líder que adora parir e criar novas cobrinhas, tal qual o pai (ou a mãe). Nestes casos, nem manicômio resolve. E se o “dono” da empresa não perceber e agir, daqui a pouco tem uma população desses bichos destruindo o resultado da empresa. Mas se este não for o caso e os líderes da empresa não queiram pactuar com este genocídio de vagalumes, a única coisa a fazer é demitir todas as cobras. Não há outra saída. Pessoas invejosas só servem para uma coisa: destruir.

    Na minha empresa, eu e meu sócio temos um pacto. Não queremos ouvir fofocas e não alimentamos intriguinhas. Todos os que trabalham com a gente sabem que queremos foco no trabalho. Premiamos a meritocracia e não queremos ninguém focado em outra coisa que não seja o trabalho e os nossos objetivos. Em empresas maiores, isso é mais difícil, mas esta cultura é possível de ser construída em qualquer empresa, desde que quem esteja no comando queira.

    Infelizmente ouço casos dessa natureza com uma frequência enorme. E sempre que tenho a oportunidade de conhecer alguém brilhante e com muito potencial, aviso: – Cuidado com cobras que gostam de comer vagalumes! Afaste-se delas!  Até o próximo.

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Coaching de Agenda

    Coaching de Agenda

    tempo

    Uma das grandes demandas no trabalho com o coaching é atuar com a Gestão do Tempo dos coachees (clientes), o chamado Coaching de Agenda. É muito comum altos executivos não ter mais tempo para nada no cenário corporativo. Mesmo tendo uma secretária, que fica responsável por administrar seus compromissos, torna-se tarefa árdua buscar um espaço para uma reunião, e quando o encontra, ele se restringe a poucos minutos, que requer objetividade e clareza em sua utilização.

    Brigar contra o tempo já não tem sido mais tarefa exclusiva dos altos executivos. Quantas pessoas que você conhece que não tem a habilidade de gerir seu próprio tempo em suas atividades de vida pessoal e profissional? Chegar atrasado ao trabalho, deixar o cliente esperando pelo início da reunião, não entregar os serviços dentro do prazo ou ter que ficar trabalhando um período extra por não dar conta de terminar todas as demandas no tempo hábil. Você já se deparou com alguma dessas situações? Parece inevitável não vivenciar um desses episódios, quando se aceita viver neste ambiente organizacional. Vivemos em uma época multitasking, onde todos são cobrados a fazer várias coisas ao mesmo tempo: atender um telefone, enviar um e-mail, entregar um relatório, falar com o chefe, atender o cliente, enviar um torpedo. Quem não tiver a competência de dominar estas tarefas simultaneamente, já ficam para trás no processo seletivo.

    Então, como o Coaching pode me ajudar a ter uma melhor organização?  A premissa inicial é que você passe pelo processo de conscientização de que só você é responsável pela mudança. Certamente você pode me responder que outras pessoas participam do seu dia e que você depende de alguns processos e pessoas para desenvolver suas atividades. Sim, também concordo que suas atividades se desenvolvem de forma interacionista, mas vamos tratar aqui o que só você pode fazer e se fizer bem feito você pode inclusive apresentar o seu diferencial competitivo. Assumindo a responsabilidade pela mudança e identificando as atividades que só você pode desenvolver, escolha o seu objetivo: para que você quer mudar? Qual o seu foco de mudança? O que precisa impactar? Quais os resultados esperados? Se posicione mentalmente em seu objetivo e estabeleça uma data específica para alcança-lo. Feito isso, busque evidências que comprovariam que seu objetivo foi alcançado. A próxima etapa é descrever suas atividades do dia, sua rotina. Você pode começar descrevendo com intervalo de uma hora, desde o momento que você acorda, até a hora de ir dormir. Após concluir o descritivo de sua agenda, vamos fazer o ABCDE. Ao lado de cada atividade, você vai colocar: A – Atividades que geram alto impacto, em relação ao seu objetivo; B – Atividades que geram médio impacto; C – Atividades que geram baixo impacto; D – As atividades que são delegáveis. A quem você pode delegar esta tarefa? Aqui inclui não só pessoas, mas você pode delegar suas atividades para sistemas operacionais (Google Agenda, por exemplo); E – Atividades que são elimináveis. Agora você pode riscar as atividades das categorias C; D e E. Quanto tempo livre você encontrou em seu dia? Agora você pode substituir esse tempo livre com atividades que gerem alto e médio impacto.

    A princípio parece simples, mas desenvolvendo essas etapas você terá em mãos um planejamento estratégico para melhoria do seu tempo. Agora tudo dependerá de você! Agir com foco, disciplina e ação te ajudará a obter excelentes ganhos.

    Compartilhe sua dúvida ou comentário por e-mail: filipe@lopesrh.com.br

     

    Filipe Lopes

    Executive Coaching

    FilipeLopes_II

    Psicólogo

    www.lopesrh.com.br

  • Pessoas insubstituíveis

    Pessoas insubstituíveis

    insubstituivel

    “Existem pessoas insubstituíveis nas empresas? Sim”

     

    Esta semana revi um grande amigo. Fui a Piracicaba ministrar uma palestra no SIMESPI (Sindicato patronal da indústria de Piracicaba e região) e tive a oportunidade de tomar um café e bater um papo com o Roberto Soriano, gestor administrativo do sindicato. Uma pessoa que conheço e convivo há oito anos. Um jovem de 64 anos, profissional extremamente comprometido com o seu trabalho, uma pessoa muito simpática e de caráter ímpar. Quase uma marca registrada do sindicato. Na nossa conversa, falávamos do falecimento recente do meu pai e ele me dizia que às vezes se vê pensando na vida (frágil) e se vale a pena, na idade que tem, fazer tantos planos ou se preocupar com determinadas coisas. No meio da conversa, me contou que até já colocou o cargo à disposição da diretoria do sindicato, deixando-os a vontade para trazer alguém mais jovem ou com outras características. Não me causou surpresa saber que ele sempre ouviu um sonoro NÃO. – O que é isso, Roberto! Nem pensar! Eu também não abriria mão do Roberto nem sob tortura. O Roberto parece aquela pessoa que você entrega uma responsabilidade e esquece, com a certeza de que a coisa vai acontecer.

    Daí a conversa tomou outro rumo, lastreado pela pergunta: Existem pessoas insubstituíveis nas empresas? Sim ou não? Chegamos a ela porque em um editorial recente do Jornal de Piracicaba (JP), o seu nome foi textualmente citado em uma matéria sobre o SIMESPI como “o insubstituível Roberto Soriano”. Ele me disse que ficou surpreso e muito lisonjeado, guardando (para sempre) aquela edição. E então seguimos adiante, com um belo café nãos mãos, debatendo sobre o tema antes da minha palestra. E a minha conclusão, embora já saiba que alguns não irão concordar, é que existem sim pessoas que dificilmente são substituíveis quando deixam uma empresa. Não que as competências que alguém tenha não possam ser encontradas no mercado. É lógico que podem, e até melhores.  Mas quando falamos do pacote completo (competências, atitudes, comprometimento, paixão pelo que faz, responsabilidade, carisma, caráter, valores pessoais etc), cada um é único. Não tem jeito. E em função disso, eu realmente acredito que algumas (poucas) pessoas valem ouro nas empresas, independente do nível que ocupam. Não é a toa que algumas empresas “afundam” ou entram em crises pesadas após a saída de um determinado profissional. Os casos não são raros. Em times de futebol, bandas de música ou equipes de atletismo, acontece a mesma coisa.

    Portanto fica aqui um belo tema para reflexão de líderes e empresários. Será que na sua empresa/organização não existem algumas “peças insubstituíveis”? Será que alguns profissionais, quando analisados sob a ótica do “pacote” completo, não são mesmo únicos? Creio que cada um deve formar a sua opinião e gerenciar seus recursos humanos estratégicos da forma que achar melhor. Quem achar que ninguém é insubstituível, ok. Aposte nisso e ponto. Quem achar o contrário, encontre formas de manter estas pessoas motivadas, felizes e com o devido reconhecimento. O que não dá para aceitar é a falta de convicção a respeito do tema. Eu tenho a minha. Você precisa ter a sua.

    Assim é a vida e assim é o mundo dos adultos. Fazemos escolhas e pagamos o preço ou colhemos o bônus delas. Atrair e reter pessoas competentes nas as empresas é tarefa dura. Quase uma arte. E quando encontramos alguém ímpar e esta pessoa é “textualmente” chamada de insubstituível, alguma coisa de muito valiosa ela tem. Cuide bem de pessoas assim. Elas valem ouro, como o Roberto Soriano. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras
    VERAS
  • Relações curtas x Impactos duradouros

    Relações curtas x Impactos duradouros

    positivo

    “Nunca perca uma oportunidade de causar uma boa impressão”

     

    Na semana passada eu e a minha noiva fomos a uma barraca de praia em Natal – RN. Mais precisamente na praia de Ponta Negra. Estávamos de volta de outra praia e paramos para comer algo. Como o horário já não era mais o de pico, embora a praia ainda estivesse cheia, escolhemos a barraca mais vazia, até porque não queríamos esperar muito para comer algo. Pedi um camarão à milanesa, que logo chegou. Quando peguei o primeiro camarão e mordi, a surpresa. Imagine que o pedaço inteiro era do tamanho de um dedo indicador, mas o tamanho do camarão por dentro da grossa massa era quase da largura de um fio de cabelo. Os mais críticos diriam que ali não havia camarão algum. Pensei que fosse apenas um dos pedaços, mas estava errado. Todos, absolutamente todos, eram 95% massa e 5% camarão. Considerando o preço que estavam cobrando, eu poderia perfeitamente chamar a polícia em fazer um B.O. Pedi a conta, pagamos e fomos embora. Até gosto de uma briga dessas, mas resolvi preservar a minha tranquilidade.

    Antes de sair, começamos a discutir sobre o fato e os motivadores de tamanha falta de vergonha na cara de algumas pessoas, empresários e profissionais em geral. É fácil concluir que, tratando-se de uma cidade turística, o que deve se passar na cabeça do dono dessa barraca de praia é: – É tudo turista mesmo. Nunca mais vão voltar aqui. Então vamos fazer o que der para ganhar o máximo na “única” vez que vamos vender. Este raciocínio, infelizmente, permeia muitas mentes por aí.

    Ao mesmo tempo que discutíamos o caso, a minha noiva me contou que nos últimos dois meses do seu primeiro estágio em um banco, ela viveu pessoalmente uma situação muito inusitada. Uma cliente do banco, empresária, ia à agência em que ela estagiava duas vezes por semana para fechar uma série de assuntos bancários da sua empresa, mas chegava sempre 5 minutos antes da agência fechar e com uma pilha de coisas para resolver. Quem desse o azar de pegar o caso naquele dia ficaria na agência 30 minutos após o término do expediente. Segundo ela, o comentário dos demais estagiários era sempre o mesmo: – Por que essa louca só chega nesse horário e com essa pilha de coisas? Um deles chegava a dizer:  – Eu não vou ficar aqui atendendo essa mulher até depois do meu horário de saída. Afinal, o meu estágio está acabando mesmo. Ela me disse que a mulher era muito simpática e que resolveu, ao contrário dos demais, “assumir” a senhora sempre que ela chegasse nesse horário. Assim foi até o dia em que ela terminou o estágio e se foi. Três meses depois, ainda na faculdade, recebeu uma ligação de uma pessoa. Quase desligou porque não sabia que era. Depois viu que se tratava desta senhora empresária. Ela explicou que estava há mais de dois meses tentando conseguir o telefone dela sem sucesso. O banco, por questões de políticas internas, não repassava telefone de ex-estagiários. Depois de insistir com vários funcionários, um deles procurou e repassou o telefone. O mais interessante era o motivo da ligação. Esta empresária ligou para agradecer o atendimento que tinha recebido durante os últimos meses dela no estágio, reclamou que nunca mais teve um atendimento igual e que gostaria de oferecer um emprego na sua empresa. Na semana seguinte, ela estava iniciando o trabalho nesta empresa, não mais como estagiária, mas como efetiva.

    Bom, estes dois casos mostram que, ao contrário do que muitos pensam, relações curtas nem sempre têm impactos curtos. Pessoas que aparentemente nunca mais veremos, podem contribuir de forma significativa para construir (ou destruir) a nossa imagem ou a do nosso negócio. No caso da barraca da praia, eu era apenas mais um que poderia ser enganado. No outro caso, que diferença faria assumir uma bronca daquela faltando dois meses para acabar o estágio? Em ambos os casos vemos claramente como se materializa uma das coisas que mais tenho repetido: O mundo dá voltas.

    Agora entendo porque aquela era a barraca mais vazia da praia e porque algumas pessoas crescem mais rapidamente do que outras. Nunca desperdice uma oportunidade de fazer bem feito. De onde você menos espera, podem sair grandes oportunidades. Até o próximo!

     

    Prof. Marcelo Veras

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  • Bob’s deverá indenizar funcionária após discussão com gerente

    Bob’s deverá indenizar funcionária após discussão com gerente

    discu

    Uma lanchonete da rede Bob’s deverá indenizar uma ex empregada, menor de idade, após discussão entre ela e uma gerente de uma unidade.

    Conforme relatado pelas partes e pelas testemunhas, a funcionária teria ofendido a gerente na presença de clientes e funcionários quando esta solicitou que a pausa para lanche fosse feita mais tarde.

    A gerente então aplicou suspensão de 05 dias para a funcionária e ameaçou rasgar a sua folha ponto. Irritada a funcionária tentou tomar a folha ponto da gerente, tendo inclusive a arranhado. Depois da discussão, a funcionária registrou boletim de ocorrência e não voltou mais ao trabalho.

    Um mês depois a funcionária acionou a justiça pleiteando indenização e a rescisão indireta do contrato de trabalho.

    Em primeira instância, fora reconhecida a rescisão indireta do contrato de trabalho e o dever do Bob’s em indenizar a funcionária em R$ 2.000,00, pois predominou o entendimento de que não importa quem começou a discussão, mas a gerente não poderia ameaçar rasgar a folha ponto da funcionária, devendo zelar pela conservação do bom ambiente de trabalho.

    Já em sede de recurso para o Tribunal Regional do Trabalho, os Desembargadores entenderam que a funcionaria também faltou com respeito à gerente perante terceiros e que a decisão de aplicar a suspensão foi proporcional à falta da empregada que também tentou resgatar a sua folha ponto com agressividade. Os desembargadores entenderam ainda que ficou provada a intenção da funcionária em ser demitida e excluíram da condenação a rescisão indireta, fazendo com que a funcionária perdesse o direito ao recebimento de aviso prévio, 13º salário e férias proporcionais, multa do FGTS e guias para recebimento de seguro desemprego. O valor da indenização foi reduzido para R$1.000,00.

    A funcionária recorreu ao TST que manteve a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, pois entendeu que a referida decisão foi tomada observando-se todos os critérios necessários como culpa da gerente, extensão do dano suportado e a capacidade econômica das partes, restando assim, proporcional e razoável, não cabendo ao órgão rever o valor fixado a título de indenização.

     

    Depto. Trabalhista

    Barini De Santis Advogados